Anne With an E é uma série que precisa ser sentida! Então se você procura uma série descontraída, não a recomendo. Ela até tem o seu momento de humor, porém o foco está no amadurecimento/crescimento de cada personagem. E apesar da história se passar no século XIX existem vários assuntos atuais que merecem a nossa atenção.

Anne é uma criança órfã com um passado sombrio; Ela já passou por vários lares, mas nunca teve um “final” feliz. Sofreu vários abusos psicológicos – além do trabalho escravo infantil – e teve que lidar não só com adultos cruéis, mas também algumas crianças que mostraram ser mais cruéis ainda. Porém isso não fez com que Anne desistisse de sonhar! Ela usa sua imaginação para ser uma princesa e viver a vida que sempre quis, mas que nunca teve a oportunidade.

Falando assim fica fácil identificar essa personagem com uma outra super conhecida, né? Logo no primeiro episódio lembrei da história da Polyanna (que eu tanto falo aqui no blog), pois as duas encaram a vida da mesma forma: tentando ver o lado bom das coisas. Contudo essa semelhança acaba quando encaramos a história da Anne de forma realista e entendemos que apesar da sua imaginação fértil, os problemas dela não são nada fantasiosos.

A vida de Anne começa a mudar quando é adotada “por engano” pelos irmãos  Cuthberts (Marilla e Matthew), Eles são solitários e sentem a necessidade de um garoto para ajudá-los nas tarefas com as quais não conseguem mais dar conta devido às limitações físicas que possuem. Porém, eles foram surpreendidos com a chegada da pequena Anne, que ao descobrir o erro do orfanato, quis convencê-los a ficar com ela. Anne é uma personagem falante (outra semelhança com Pollyanna?!) e dramática, mas aos poucos ela vai conquistando o amor dos irmãos e de todos aqueles que a conhecerem.

A série está disponível na Netflix e possui 7 episódios (ou oito se você for considerar o piloto como um episódio duplo) e apesar de ainda não termos nenhuma notícia sobre a segunda temporada, a roteirista deixou claro o seu desejo pela continuação da história. Eu poderia passar o dia falando sobre a riqueza dos detalhes, todavia quero que você descubra o porquê de eu me apaixonar por ela. E por isso vou listar 3 motivos para dar uma chance à pequena Anne.

1 – ACEITAÇÃO

Desde o primeiro episódio nós conseguimos sentir que Anne só deseja uma coisa: ser aceita! Apesar do seu passado ser sombrio, ele não é mostrado logo de cara. Vamos descobrindo os traumas que a pequena carrega conforme nós a conhecemos. Ela quer ter uma vida normal e não gosta da forma com que as pessoas a olham. Ela é inteligente, apaixonada por livros e apesar de falar excessivamente consegue deixar claro que luta pelo seu espaço. Ao longo da série podemos notar o quanto ela se esforça para agradar não só aos Cuthberts, mas também aos colegas de escola e quem mais for cruzando o seu caminho.

Ela sofre bullying (e pesado) e tem problemas com autoestima. Anne vive reclamando da cor dos seus cabelos e acredita que a sua aparência física dificulta suas conquistas. É claro que a atriz (Amybeth McNulty) que a interpreta é linda, mas no papel conseguimos sentir sua dificuldade em lidar com o espelho. Além de Anne, também vamos conhecendo os irmãos que a adotaram; Eles são solitários, amargurados e sentimos a mudança que a presença dela causou a ambos. Por ter uma criança em casa, eles terão que socializar e é perceptível a dificuldade que eles tem para interagir, porém defendem a pequena Anne de todo e qualquer preconceito.

[blockquote align=”none” author=”Marilla (Anne With An E)”] It’s a shame progressive parenting doesn’t seem to include compassion. But perhaps you’ll muster some up in church on Sunday, and thank the good Lord that poor Anne has finally found safe haven. I know I will. Good day.[/blockquote]

2 – FEMINISMO

A história se passa em uma época em que o feminismo começa a ser discutido em reuniões íntimas. Logo de cara vemos a indignação da Anne ao tentar provar para Marilla que é capaz de realizar os mesmos serviços que um garoto (quando ela tenta convencê-los de não a devolverem ao orfanato). E no decorrer da trama vamos notando essa discussão sobre qual era o papel da mulher naquela época e como elas foram importantes para mudar a nossa realidade. Há um momento em que Anne está com dificuldades na escola e Marilla pede ajuda a um pastor e o mesmo diz que se ela não quisesse ir a escola não tinha problema. Desde que ela aprendesse as atividades domésticas para casar e servir seu futuro marido. Isso fez com que Marilla parasse para pensar em seu passado e se era esse o destino que queria para Anne.

E como diz a música que é tema da abertura: You are ahead by a century (Você está à frente por um século). A música Ahead By A Century é do Tragically Hip. Veja a abertura da série:

 

3- IMAGINAÇÃO

Como você lida com as crianças de hoje? Ou melhor, como foi a sua infância? Ao ver Anne imaginando sua vida como um conto de fadas e sentir sua ingenuidade presente em todos os episódios, fiquei me perguntando sobre a forma com que as crianças de hoje são estimuladas. Apesar da série ser voltada para um público mais jovem, ela prende a nossa atenção. Anne não tem medo de falar sobre seus sonhos e de como prefere encarar a vida. Claro que essa ousadia faz com que as consequências não sejam tão agradáveis. Ela possui professores autoritários e que tentam limitar sua forma de expressar, além de sofrer preconceito por ser uma  menina órfã. Ela presenciou coisas terríveis no passado, contudo a sua ingenuidade faz com que ela encare tudo isso de uma forma diferente.

[blockquote align=”left” author=”Anne Shirley – Anne With An E”] “Eu decidi aproveitar essa viagem. Por experiência própria, sei que você pode, quase sempre, aproveitar algo se você se decidir a isso com firmeza”.[/blockquote]

Então, quando for assistir, deixe a série trabalhar a sua imaginação. Em todos os episódios teremos um aprendizado moral, como se a série fosse uma fábula. Pode ser que você entenda o propósito do episódio logo de cara, bem didático ou ele poderá exigir que você se esforce um pouco parar compreender a mensagem transmitida. É preciso assisti-los de mente aberta, livre das influências pelas quais você passou na vida, um exercício a ser trabalhado.

Bom, eu fico por aqui. Fica o convite!
Alguém aí já assistiu? O que achou da pequena Anne?

Beijos

 

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