Hoje é um daqueles dias em que quero conversar com alguém, mas não tem ninguém pra isso. Acordei ansiosa; para ser sincera eu nem consegui dormir direito. Estou há dias esperando uma resposta por e-mail e perdi a conta de quantas vezes apertei o F5 para atualizar a caixa de entrada. Fico imaginando como eu sobreviveria na época das cartas, mas enfim, a resposta do e-mail chegou hoje, logo pela manhã, e junto veio a frustração.

Como você lida com o NÃO? Receber um “não” é sem dúvidas algo frustante. E não sei se foi por causa da resposta (ou pela noite mal dormida) que fez com que eu refletisse sobre as frustrações que já tive que enfrentar. E olha que não foram poucas. É impossível passar pela vida sem uma porção de decepções. Ainda mais na infância, quando não compreendemos bem as regras sociais e somos movidos pelo desejo repentino.

Ou vai me dizer que você nunca ouviu um “na volta a gente compra“? Tenho um estoque de respostas da minha mãe, das vezes que pedia algo (que nem precisava) e recebia um não. Eu chorava, batia o pé, me jogava no chão, brigava, tudo em prol de satisfazer a minha vontade. Afinal, eu tinha que ser atendida e tinha que ganhar o combate. Nunca ganhei.

E a espera desse e-mail fez com que eu me lembrasse de um desenho que chamava “Arrume Tudo e Pare Com Isso“. Vocês já assistiram? Eles viviam na terra “Faça o que eu disse” e o nome do desenho e dos personagens eram as broncas que as mães davam nas crianças. Os personagens eram: Pare com Isso e Arrume Tudo; Penteie seu cabelo; Lave seu Rosto; Brinque Lá Fora e seu brinquedo favorito; O pequenino Fique Calmo, e o chato Agora Não!; As duas abelhas Sossega e Silêncio; o dorminhoco Vá Para a Cama e Não Faça Isso; Tome Cuidado; Coma as Verduras; Escove os Dentes e o Grande e briguento EU DISSE NÃO. Achei a abertura desse desenho no Youtube!

 

 

Como pode um desenho infantil ensinar tanto? Vocês conseguem ter ideia da raiva que eu sentia do “Eu disse não”? Mas enfim, desde cedo aprendi que as coisas não são como eu quero. E hoje eu consigo compreender que as minhas frustrações vinham acompanhadas de sentimentos horríveis. Agressividade e baixo auto estima eram as principais emoções que eu sentia quando as minhas expectativas não eram atendidas. Na verdade, analisando melhor, acredito que as reações foram mudando de acordo com a fase que fui vivendo.

Quando eu era criança e não conseguia o que eu queria, sentia raiva. Mas segundo a minha mãe, eu não saia descontando essa raiva em algo ou alguém. Fazia isso comigo mesma, eu me machucava. Conforme eu fui crescendo (e aprendendo que descontar minha raiva nas coisas era a melhor opção) aprendi a sentir remorso e comecei a me sentir indiferente.

Percebi que “explodir” não ajudava em nada e então perdi a vontade de reagir. E vocês acham que isso me ajudou a superar as frustrações? Só piorou. Porque na adolescência eu comecei a me isolar. Acreditava que ficar no meu canto, sozinha, seria mais fácil levar a vida. E é claro que isso não ajudou em nada, pois não conseguia me relacionar com outras pessoas.

Mas aí eu cresci. Consegui meu primeiro emprego (depois de levar vários nãos) e descobri que sempre que eu me sentia frustrada, era só comprar algo para compensar aquele sentimento. Doce ilusão. No entanto, eu não me culpo (não mais). Nem todos sabem lidar com as frustrações, nem mesmo admitir esse sentimento.  Então aprendi do jeito mais difícil, que quando me sinto frustrada, me isolar e lamentar só piora a situação.

Olha como a vida é engraçada. Precisei reviver tudo isso para saber como analisar e reagir a este não que recebi por e-mail. Doeu? Lógico que doeu, mas ninguém precisava saber. Respondi com um “obrigada pela atenção”, aceitei a realidade e segui em frente.

 

Como você lida com a frustração?

Beijos

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