Distopia

Vox – O silêncio pode ser ensurdecedor

Alguns anos atrás a BBC publicou um artigo dizendo que as mulheres falam em média 20 mil palavras por dia (fonte). Agora imagina se você estivesse limitada a 100? Vox é uma distopia da autora Christina Dalcher e a história é sobre um país dominado pela opressão, onde as mulheres foram obrigadas a se calar.

SOBRE A HISTÓRIA

Talvez tenha sido isso o que aconteceu na Alemanha com os nazistas, na Bósnia com os sérvios, em Ruanda com os hutus. Às vezes eu refletia sobre isso, sobre como crianças podem se transformar em monstros, como aprendem que matar é certo e a opressão é justa, como em uma única geração o mundo pode mudar tanto até ficar irreconhecível.
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Um governo autoritário, religioso e conservador adquiriu o poder dos EUA. Em consequência disso, as primeiras pessoas que perderam seus direitos foram as mulheres. No quadro atual, as mulheres só podem falar 100 palavras por dia e elas são contabilizadas através de um aparelho que fica localizado em seus pulsos. Quando a cota diária é excedida, a mesma é punida com uma descarga elétrica que vai intensificando a cada nova punição.

Mas não é só as mulheres que estão sendo punidas. Qualquer pessoa que não segue os princípios do novo governo sofrem as consequências. A Dra. Jean McClellan está tentando lidar com as atuais circunstâncias. Ela é casada com Patrick e tem 4 filhos, sendo que a caçula tem aproximadamente 6 anos e está aprendendo a lidar com esse modelo de sociedade.

Você é uma pessoa pura?

Minha culpa começou há décadas, na primeira vez que não votei, nas vezes incontáveis em que disse a Jackie que estava ocupada demais para ir a uma de suas passeatas, fazer cartazes ou ligar para meus congressistas.
Vox

É difícil para Jean aceitar que nesse novo sistema o seu único papel é servir o lar. Ela teve que abrir mão das suas pesquisas e das suas conquistas, pois as mulheres foram impedidas de trabalhar. Da mesma forma que é difícil ver os seus filhos se moldando a esta nova realidade. O seu filho mais velho, um adolescente, concorda com o novo governo e se tornou opressor; e a mais nova mal conversa, pois aprendeu desde cedo que ela tem que ficar calada.

Não sei se com o quadro atual posso dizer que as coisas melhoram, mas à partir do momento que Jean recebe uma proposta de trabalhar na sua pesquisa, ela começa a sonhar com uma luz no fim do túnel. O presidente quer que ela desenvolva e invista em seu projeto sobre o estudo e funcionamento do cérebro. Agora Jean quer usar essa oportunidades para lutar pelos seus direitos e pelos direitos de todas as mulheres que foram silenciadas.

MINHA OPINIÃO

A única coisa necessária para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada.
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Eu já disse isso por aqui, mas torno a repetir: Eu amo distopia! Acredito ser o melhor gênero para nos tirar da zona de conforto e fazer com que a gente reflita sobre a sociedade em que vivemos e o futuro. Vox levanta tantas questões significativas e relevantes que eu nem sei por onde começar.

O livro fala sobre os direitos e igualdades, também aborda o papel da religião no governo, sem falar que o foco principal é o direito e desenvolvimento de linguagem. São tantos assuntos instigantes e necessários, que dormi pensando na história. Mas ao mesmo tempo fiquei decepcionada com a forma com que tudo isso foi desenvolvido.

Mas antes de criticar, preciso frisar e pontuar as coisas boas, não é mesmo? A trama é envolvente, logo nos primeiros capítulos sentimos empatia pela protagonista, pois ela tenta educar e se comunicar com a sua família mesmo com as suas limitações. Também é possível se revoltar com as cenas em que as comunidades LGBT sofrem em campos de concentração. Qualquer coisa que você faça contra o sistema, será exposto e humilhado publicamente.

Você conseguiria viver com 100 palavras por dia?

Vocês não fazem ideia, senhoritas. Absolutamente nenhuma ideia. Estamos a um passo de voltar à pré-história, meninas. Pensem nisso. Pensem onde vocês vão estar, onde suas filhas vão estar, quando os tribunais atrasarem os relógios. Pensem em expressões como “permissão do cônjuge” e “consentimento paterno”. Pensem em acordar um dia e descobrir que não têm voz em nada.
Vox

A autora mostra as consequências de não se envolver e não participar de discussões políticas. O que acontece quando ignoramos os sinais e deixamos determinados assuntos de lado. No entanto, muitas coisas ficaram em aberto e o romance que a autora criou não me convenceu.

Não darei spoilers, porém o que mais me decepcionou foi como os conflitos foram superados. Tudo acontecia no tempo certo, com muita precisão, e isso tornou a obra cansativa. Pessoas que surgiram e tiveram destaques na hora errada, a forma com que as próprias mulheres se enxergavam. Realmente, na metade do livro já tinha me esquecido do foco principal e fui obrigada a aceitar a conclusão.

Apesar de não compreender a comparação que estão fazendo com o Conto de Aia, Vox é uma leitura importante. Mesmo com as minhas ressalvas, sinto que todos deveriam dar uma chance. A autora levanta questões sérias para reflexão, como o extremismo e o conservadorismo podem ser uma arma contra os nossos direitos.

Posso não ter gostado do rumo que a história tomou, mas admito que fiquei angustiada só de pensar nessa possibilidade. Leia!


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24 comentários

Lucy 18 de março de 2019 at 09:14

Oi, Clayci! Uma amiga minha leu e não curtiu tanto também, achou exagerada a comparação ao Conto da Aia. Não sei se tenho muita vontade de ler, eu li várias resenhas que falam mesmo que o livro é mediano. Se mesmo com ressalvas você recomenda a leitura, talvez eu me arrisque um dia.
Bjs
Lucy – Por essas páginas

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Clayci 19 de março de 2019 at 17:31

Espero que consiga dar uma chance para essa leitura futuramente

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lilian farias 13 de março de 2019 at 12:06

Não conhecia o livro é algo que sem dúvida leria, me fez lembrar de O conto da Aia, infelizmente não é tão distante da realidade.

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Clayci 15 de março de 2019 at 14:10

Sim!! Acredito que a semelhança com o conto de Aia seja por conta da religião, mas as histórias são bem diferentes =/
Porém angustiantes.

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Lana Silva 11 de março de 2019 at 09:27

Desde que me deparei com a sinopse desse livro que fiquei interessada na leitura. Primeiro por se tratar de uma distopia e eu amo o gênero, segundo por tratar de uma questão que pode sim se tornar real, que é a limitação da mulheres, a possibilidade de novamente nos limitar principalmente volta a questão da linguagem. Uma pena que a trama se decorreu diferente do que você superava, mas o conteúdo abordado me chama muito a atenção, e não vejo a hora de poder iniciar essa leitura dessa obra.

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Clayci 15 de março de 2019 at 14:22

Sim!!! Mesmo assim eu recomendo essa leitura <3
Achei muito importante.. Espero que consiga ler *_*

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Ana Caroline Santos 11 de março de 2019 at 06:52

Olá, tudo bem? Eu também AMO distopias, mas depois de ler algumas opiniões, como a sua, em que se encontrava ressalvas na obra, estou a espera da passagem do hype para decidir se vou realmente ler. Gosto da temática, e acho importante, porém se mal trabalhado e esquecido não me vale a pena. Sua resenha está maravilhosa e sincera! Adorei!
Beijos,
http://diariasleituras.blogspot.com

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Clayci 15 de março de 2019 at 14:23

Poxa espero que não desanime e desista com a leitura.
Me incomodei com algumas cenas, mas não me arrependi de ter lido.

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Debyh 10 de março de 2019 at 10:50

Realmente todo o cenário da muito agonia, essa limitação imposta deve ser algo sufocante. Sobre a história eu não sei, porque apesar de ler distopia de vez em quando ainda não é meu gênero favorito hehehe. Mas todo o conceito situação que a protagonista vive parece interessante de acompanhar, mesmo com as ressalvas que você fez.

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Clayci 15 de março de 2019 at 14:34

É uma leitura que, apesar de não ter curtido tanto, recomendo demais <3

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Beatriz Andrade 9 de março de 2019 at 21:35

Eu estou curiosa com esse livro e gostei de ver a sua opinião, mesmo com suas ressalvas eu acredito que deva ser uma leitura realmente importante, como você falou, e espero poder ler em breve.

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Clayci 15 de março de 2019 at 14:35

Simmmm
mesmo não tendo curtido tanto, foi uma leitura importante.

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Larissa Dutra 8 de março de 2019 at 14:08

Olá, tudo bem? Desde a primeira que vi esse livro por aí fiquei bem curiosa para ler, pois a premissa é bem curiosa e diferente. Acredito que seja uma leitura bem interessante. Adorei tua resenha!

Beijos,
Duas Livreiras

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Clayci 15 de março de 2019 at 14:40

Tudo bem sim e vc?
É uma leitura bem interessante. Apesar não ter curtido tanto, recomendo.

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Michelle 8 de março de 2019 at 10:36

Olá não tive a oportunidade de ler o livro ainda, mais quero muito! Gostei bastante da premissa e de sua opinião sincera sobre os acontecimentos da obra, acredito ter sido uma leitura bem intensa, já diversas postagens a respeito desse livro e agora estou desejando a leitura ainda mais, bjos!

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Clayci 15 de março de 2019 at 14:42

Espero que curta a leitura <3

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Mari Barros 7 de março de 2019 at 14:00

Boa tarde!

Eu tenho visto muita repercussão sobre esse livro, mas foram poucas as resenhas que falavam de forma positiva do final e é isto que me deixa um pouco pé atrás em relação a este livro. Ele traz uma temática muito forte e discutida nos dias de hoje, então não quero me decepcionar haha.

Já falei que amo suas fotos, né?

Beijos,
Mari Paula de Barros
Blog Diversamente

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Clayci 15 de março de 2019 at 14:43

Espero que não desanime e nem desista dessa leitura.
Não gostei de algumas coisas, mas achei a discussão importante e não me arrependi de ter lido =D

Beijos

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Ana Beatriz 4 de março de 2019 at 23:00

Eu quero muito ler O Conto de Aia. Desse ano definitivamente não pode passar! E eu gosto muito de distopia também justamente pelo que você falou. Ela tem o poder de nos transportar para outra realidade, e o mais assustador é que nós encontramos muitas semelhanças com esses cenários abordados na distopia. Foi assim que eu me senti ao ler 1984 do George Orwell. Eu vi tantas semelhanças..
Vox vai entrar na lista sim!

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Clayci 5 de março de 2019 at 10:26

Assustador né? Só de pensar nas possibilidades, fico angustiada.
Se puder der uma chance pra Aia, leia sim =D

Beijos

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Maria Eduarda 4 de março de 2019 at 22:42

Olá!
Eu não conhecia o livro, mas parece ser um livro muito interessante, ainda mais com um enredo desses. Vou dar uma chance com certeza.

Beijão!

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Clayci 5 de março de 2019 at 10:27

Oba!! Fixo feliz que tenha se interessado <3

Beijos

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Luana Souza 4 de março de 2019 at 15:35

Legal que nossas resenhas saíram quase que simultaneamente hehe. Não sei nem descrever o quanto amei essa sua foto com X <3
O final do livro deu uma desandada. Tipo… as cisas não se resolvem ASSIM, fácil como foi no livro. Mas nem o final e algumas atitudes da protagonista conseguiram me tirar a agonia que esse livro me causou. Na verdade, assim que terminei de ler tive um impulso bizarro de me livrar do livro, doar, vender, sei lá! o.O
Acho que é uma leitura necessária, mesmo com suas falhas!

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Clayci 6 de março de 2019 at 13:45

[spoiler title='Title']Tbm acho! Só não consegui aceitar o comportamento da protagonista.
Independentemente das circunstâncias, o que ela fez com o marido foi errado
Semmpre que uma mulher é contra o sistema, ela tem q ser infiel ou coisas do gênero [/spoiler]

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