Psicopata Americano – Bret Easton Ellis

por Clayci

Quando assisti Psicopata Americano pela primeira vez, foi em uma sala de aula. Eu estava cursando fotografia e tivemos um semestre de Cinema; por isso a professora achou interessante escolher este filme para análise técnica e inclui-lo em nosso trabalho conclusivo.

Precisei assistir ao Psicopata Americano (assim como psicose) várias vezes seguidas. Eu fiquei tão envolvida com o longa, que acabei me interessando pelos bastidores do filme. No entanto, por mais que eu tivesse interesse, nunca fui atrás da obra original. Então, assim que a Darkside Books divulgou este lançamento, com o novo selo Scene Fiction, senti que já era hora de voltar para a Wall Street de 1980.

Esse livro foi publicado originalmente em 1991, mas é estranho pensar que muitos ainda enxergam a toxicidade de Patrick Baterman como exemplo a ser seguido. O livro faz uma crítica pesada ao consumismo. Todos são obcecados por lançamentos e os produtos mais caros. Você não conhece os personagens, mas sim o que eles estão vestindo e os lugares que estão frequentando.

Psicopata Americano: um serial killer à solta

Minha dor é constante e aguda e não quero um mundo melhor para ninguém. Na verdade, quero infligir minha dor aos outros. Não quero que ninguém escape.

Psicopata Americano

Patrick Bateman é atraente, privilegiado, educado e inteligente.  Passa o dia em seu trabalho, em Wall Street, ganhando uma fortuna para complementar aquela com a qual nasceu.  E as suas noites são de luxo, claro, se ele conseguir as reservas em seus lugares favoritos.

Apesar de ter gostado da leitura, ela não fluiu por aqui. As descrições são arrastadas, pois existem muitos detalhes no dia de Patrick. E quando digo detalhes, não estou exagerando. O personagem descreve com maestria desde os equipamentos da academia até as suas relações sexuais. Mas é claro que esses detalhes são necessários, pois é dessa forma que vamos conhecendo o lado sádico dele.

Esses monólogos nos concede acesso aos esconderijos mais obscuros da mente de Bateman. É quando ele se desconecta da realidade, que enxergamos esse lado sombrio e vemos os seus atos monstruosos. Ele sabe que alguma coisa está errada, contudo precisa manter uma imagem de normalidade para disfarçar os seus crimes.

Patrick é obsessivo pela aparência

Patrick – assim como os seus amigos – são repulsivos. Apesar de ser atraente, manter a sua rotina de beleza e frequentar os lugares mais caros, a sua postura é detestável. Ele é machista, abusivo, cruel, racista, homofóbico e violento com as mulheres. Mesmo com todo o poder e atenção voltada para si, não sabe lidar com as suas emoções e vive se comparando com os outros. Sem falar que ele tem uma obsessão maluca por Donald Trump, Chega ser até assustador ver que mesmo depois de tantos anos esse homem ainda tem poder e destaque.

Demorei para finalizar essa leitura e até comemorei quando fechei o livro. Não me arrependi de ter lido e é uma obra que eu recomendo para quem curte o gênero. Mas precisei de muita paciência para ler todas as descrições do personagem. No filme isso foi melhor trabalhado, por conta do visual. Você não precisa ver o restaurante que ele frequenta e como é a decoração, você apenas vê. Entretanto, a experiência de entrar na mente de Baterman é muito melhor no livro.

Psicopata Americano Book Cover Psicopata Americano
Bret Easton Ellis
Darkside Books
432

Patrick Bateman é um sujeito aparentemente invejável. Jovem, bonito, bem-nascido com boa educação, ele trabalha em um conhecido banco de investimentos em Wall Street, enquanto passa as noites entre jantares, boates e festa particulares, regadas com todos os aditivos inerentes ao lado mais sombrio da vida noturna de Nova York no final dos anos 1980. Bateman, porém, tem alguns segredos bem guardados. Por trás da fachada de normalidade, possui o instinto de um serial killer, com toda a torpeza, degradação, asco e repulsa que um psicopata consegue provocar.
Formado em Exeter e Harvard, Bateman também é gourmand, entusiasta do bronzeamento artificial e de infindáveis tratamentos estéticos, implacável crítico de moda e consumidor ávido das últimas traquitanas tecnológicas de então, como aparelhos de som 3x1 e videocassete. Mora em um luxuoso apartamento no Upper West Side, em Manhattan, onde é vizinho do astro de Top Gun, Tom Cruise. No romance, acompanhamos os dias e noites de Bateman, que seriam banais, não fossem os crimes abjetos e sem razão aparente que ele comete, de maneira que não conseguimos compreender. Sem remorso. Sem piedade. Contra mulheres. Contra mendigos. Contra músicos de ruas. Contra colegas. Contra crianças. Expressando seu verdadeiro eu por meio de tortura e assassinato, Bateman prefigura um horror apocalíptico que nenhuma sociedade suportaria encarar. Uma violência represada, escondida, inaudita, porém insistentemente presente na sociedade norte-americana, como o autor sugere ao descrever o programa de TV favorito do protagonista, The Patty Winters Show, que apresenta trivialidades (como dicas de beleza da princesa Diana), sensacionalismo (“Adolescentes que trocam sexo por crack”) e horror real (assassinos de crianças e neonazistas).

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