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Para toda a Eternidade – Conversando sobre a morte

Para Toda a Eternidade é da Caitlin Doughty; uma agente funerária e escritora norte-americana. Foi publicado pela Darkside Books.

Como você lida com a morte?

Eu sei que essa pergunta causa desconforto. Algumas pessoas conseguem lidar melhor com esse assunto, mas a grande maioria não sabe como enfrentar a morte. E não as julgo, pois também sinto dificuldades para conversar a respeito. Todos nós sabemos que deveria ser apenas um ciclo se encerrando, porém ninguém está preparado para isso.

Já me deparei com ela algumas vezes ao longo dos meus 30 anos, mas sempre optei por fingir que ela não existia; até chegar o dia em que situações envolvendo entes queridos me fizessem parar para refletir sobre. Para toda a eternidade foi o meu primeiro contato com autora e fiquei surpresa ao ver a leveza com que ela lida com algo tão “sombrio”.

Para Toda a Eternidade é da Caitlin Doughty; uma agente funerária e escritora norte-americana. Foi publicado pela Darkside Books.

Tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente (falei sobre esse encontro aqui) e de participar de um bate-papo para entender melhor a sua profissão. Caitlin Doughty é uma agente funerária e escritora norte-americana. Ela também mantém um canal no Youtube e fala com bom humor sobre a morte e as práticas das indústrias funerárias.

Para Toda a Eternidade é da Caitlin Doughty; uma agente funerária e escritora norte-americana. Foi publicado pela Darkside Books.

Acredito que todos deveriam dar uma chance para essa leitura. Quando nos deparamos com a realidade, de que somos finitos enquanto matéria, o desespero e o despreparo aparece da pior forma possível. Precisamos falar sobre a morte para aprender a lidar com ela. Lembro que em uma conversa com a minha mãe, acabei dizendo que eu queria ser cremada. Ela mudou de assunto rapidamente e acrescentou um “você é muito nova para pensar nisso”. Mas qual é a idade certa? Justamente por não conversar a respeito, várias famílias são pegas de surpresa quando a morte bate à porta.

Como os ritos pós-morte estão estabelecidos na cultura de diferentes povos;

Em Para Toda a Eternidade, Caitlin viajou para diversos locais do mundo (Austrália, México, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Indonésia, Itália, Japão, Bolívia e o interior dos Estados Unidos) para conhecer melhor a cultura e presenciar os seu rituais. A proposta do livro é abordar o luto de uma forma perceptível e com atributos investigativos.

Evitar a morte não é um fracasso individual; é um fracasso cultural. Enfrentar a morte não é para os de coração fraco. É desafiador demais esperar que cada cidadão faça isso por conta própria. A aceitação da morte é responsabilidade de todos os profissionais da morte – diretores funerários, gerentes de cemitério, funcionários de hospital. É responsabilidade de quem recebeu a tarefa de criar ambientes físicos e emocionais em que uma interação segura e aberta com a morte e os cadáveres seja possível.

Para toda a eternidade

Caitlin mostra como as pessoas ao redor do mundo conseguem lidar com a morte de uma forma saudável e extraordinariamente representativa. Enquanto alguns países fazem de tudo para separar os mortos dos vivos, outras culturas preservam essa proximidade. Eu fiquei admirada com a descrição de alguns rituais, mas essa aversão é necessária para mostrar que existe diversidade sobre o assunto.

Durante o bate-papo, alguns leitores perguntaram sobre a rotina da autora. Muitos tinham a curiosidade de saber como ela lidava com o tema no dia-a-dia. Enquanto ouvia a sua resposta, parei para pensar que eu não sei praticamente nada a respeito dos procedimentos funerários no Brasil. Compreendo que não há muito o que fazer e nem nos envolver; afinal contratamos alguém para lidar com o corpo. Mas fiquei interessada em saber mais do procedimento – está certo que esse interesse surgiu com a leveza da autora ao falar das suas experiências profissionais.

Para Toda a Eternidade é da Caitlin Doughty; uma agente funerária e escritora norte-americana. Foi publicado pela Darkside Books.

Todos deveriam ler “Para toda a Eternidade”

Depois de ter a oportunidade de conhecer a autora pessoalmente e ouvir as suas experiências; deu para sentir que o objetivo foi chamar a nossa atenção para um assunto que precisa ser discutido. Portanto, precisamos refletir e questionar a maneira com que lidamos com os corpos após a morte. Foi uma das melhores leituras que fiz esse ano. O livro aborda diversas culturas e evidencia como a fé e a crença se apresentam em ritos diferentes. E a autora faz isso de forma respeitosa, leve e de bom humor. Recomendo!

PLAYLIST: PARA TODA A ETERNIDADE

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comentários

  • Tãnia Bueno

    Confesso que estou tentando seguir seu conselho e me preparar para tentar ler esse livro. Nunca lidei bem com o tema morte, sempre me causou pânico desde criança, pois o medo de perder quem amo é muito duro. E como meu pai partiu tem quatro anos, apesar de saber que é o curso natural da vida, realmente não sei lidar com morte e perda, com partidas e com ausência, com dor e depois com saudade. Vamos ver…

    Bjo
    Tânia Bueno

    responder
  • Marijleite

    Oi, amei conferir sua opinião sobre esse livro. Já li outro do autora, onde ela falava mais de sua história, e já foi uma leitura que me fez ter menos “pavor” da temática da morte, então estou bem animada para ler esse livro da resenha também.

    responder
  • Michelle Russo

    Estou vendo muitas publicações positivas sobre a obra e fiquei bem curiosa pela leitura, acredito que por ser um gênero que gosto conseguiria ler com fluidez, espero ter a oportunidade em breve!

    responder
  • Aline Coelho Cury

    Já li algumas resenhas elogiando o primeiro livro da autora e já tinha achado bem interessante. Não sabia desse lançamento, mas assim como vc enfatizou é um tema bem interessante para reflexão e desmistificação. Gostei da dica. Beijos e parabéns pela leitura e contato com a autora.

    responder
  • PS Amo Leitura

    Que livro diferente e premissa incrível! Confesso que eu sou uma das pessoas que não saberia lidar com a morte. Já tinha visto algumas coisas sobre o livro, mas nada me chamou tanta atenção quanto a sua resenha. Agora, realmente, gostaria de ler 😀

    Beijos,

    responder
  • Erika Monteiro

    Oi, tudo bem? Esse é um tema bem difícil e complicado para algumas pessoas principalmente se já passaram por situações traumáticas. Ou perderam alguém a quem amavam muito. Eu já perdi meus avós que cuidaram de mim quando era criança. E mesmo não estando mais aqui sempre trato como se eles morassem em outra cidade. Errado? Talvez. Mas cada pessoa lida do seu jeito. Um abraço, Érika =^.^=

    responder
  • Alice Lacerda Montiel

    Oiii Clayci

    Nossa, complicado falar de morte, tive uma perda recentemente (meu avô que foi como um pai pra mim) e lidar com isso, relembrar, falar disso, dói. É um tema que meio que incomoda todo mundo, então acredito que a gente fica naquela inocência de se dizer: se eu ignorar quem sabe fica longe de mim? Acheo o livor bem bacana, deve ter sido muito interessante conhecer a autora, conversar, entender outras culturas, que encaram a morte de maneiras diferentes e únicas.
    ** Nossa eu também sei pouquissimo sobre procedimentos funerários no Brasil, nunca nem tinha parado pra refletir nisso…

    Beijos, Alice

    http://www.derepentenoultimolivro.com

    responder
    • Clayci

      Meus sentimentos, Alice.
      É um assunto muito delicado e causa desconforto.

      Beijos

      responder
  • Bianca Ribeiro

    eu não sei se eu conseguiria ler os livros dela, apesar de ter muita vontade. Porque eu não sou uma pessoa que lia bem com perdas sabe, sempre foi uma coisa meio obscura pra mim e eu sempre evito pensar nesse tipo de assunto, não me pergunte o porque, mas sempre entendi a morte como uma coisa um pouco surreal, parece que isso nunca vai me atingir e eu sempre evito cerimonias funebres. Acho que preciso ler o livro mais pra saber como lidar com isso do que pela minha vontade (risos) Já falei que amo suas fotos? <3

    responder
  • Liv

    Eu só tive contato mais direto com a morte duas vezes na vida, quando meu bisavô e meu sogro morreram, mas nos dois casos eu fiquei mais sentida por outras pessoas do que por mim mesma, já que eram pessoas que eu não tinha tanto vínculo emocional assim. Mas eu fico muito curiosa com esse livro, acho que é um tema muito interessante. Minha religião tem uma ideia diferente de morte, e não a vejo como um final tão trágico ou algo desesperador, mas em geral a cultura ocidental é de que é algo terrível, as pessoas ficam assustadas com a ideia. Acho que saber como é ao redor do mundo é um grande aprendizado e mal posso esperar pra ler esse livro!

    responder
    • Clayci

      É um assunto bem delicado, né?
      A sensação de ver as pessoas que amamos sofrendo é horrível .

      Acredito que você vai gostar da proposta do livro <3

      responder
  • Heloisa Godioso

    caramba, que interessante, fiquei morrendo de vontade de ler esse livro.. Realmente esse assunto é um super tabu, e pelo menos pra mim, quanto mais velha eu fico, mais esse assunto se torna necessário, porque quando a gente é criança, a morte é uma coisa tão distante né, mas de repente fica mais frequente e começamos a pensar nos nossos pais, putz, é complicado. Eu já tive umas reflexões a respeito, mas confesso que pra mim ainda é difícil tratar esse assunto com naturalidade. Vou salvar esse livro aqui no meu skoob pra não esquecer!

    responder
    • Clayci

      É verdade! Demora para gente entender o significado dela, né?
      Até termos a nossa primeira perda. Eu recomendo muito a leitura <3

      responder
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