O Exorcista – William Peter Blatty – O livro explora a crença e o comportamento humano

por Clayci
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Não consigo me lembrar com quantos anos eu assisti ao Exorcista pela primeira vez. Mas foi um dos primeiros filmes que decidi assistir escondida da minha mãe. Eu gostava de alugar vários VHS na locadora e assistia quando minha mãe saia para trabalhar. Lembro que o Exorcista mexeu tanto comigo, a ponto de passar dias sem conseguir dormir direito. Eu não tinha idade para compreender a grandiosidade do enredo, mas tinha idade suficiente para morrer de medo da Regan.

Eu percebi que Deus nunca me pediria algo para o qual eu soubesse ser psicologicamente incapaz; que o amor que Ele pedia estava na minha vontade e não devia ser sentido como emoção.

O Exorcista

O Exorcista foi publicado em 1971 pelo autor William Peter Blatty – que também fez o roteiro para a adaptação cinematográfica. Esse livro é considerado um dos maiores clássicos do terror na literatura. E o sucesso foi tanto, que o filme ganhou uma indicação ao Oscar na categoria de melhor filme em 1974.

Um pouco sobre a história

O livro conta a história de Chris McNeil, uma atriz de sucesso que tenta lidar com o trabalho, divórcio e a criação da sua filha Regan de onze anos. Para viver essa nova fase e oferecer mais conforto para a pequena, Chris se muda para uma nova casa. No entanto, começa a perceber algo estranho e sentir algumas movimentações no ambiente. A atriz acreditava que havia ratos na casa e pediu para seu funcionário providenciar ratoeiras. Mas esse problema começa a se agravar quando Chris descobre que não há roedores e que sua filha está se comportando de forma estranha.

Chris tenta achar justificativas para tais comportamentos, afinal sua filha está em um ambiente novo, ela está distante do pai e também está entrando na fase da puberdade. Chris foi atrás de médicos de várias especialidades, exames, internação e tudo o que estava ao seu alcance. Mas sua falta de fé é deixada de lado quando a atriz se dá conta de que a resposta para esse problema está na religião. Ela precisa da ajuda de um padre.

Apesar de ter assistido a esse filme na pré adolescência e ter ficado chocada com as cenas mais icônicas reproduzidas no longa, não conseguia entender o que estava acontecendo com Regan. Foi então que decidi rever o filme em outra fase da minha vida e ele se tornou um dos meus favoritos do gênero. E é claro que com o livro não seria diferente, pois ele foi muto bem escrito. Fiquei com medo de me sentir entediada com a história, mas o autor conseguiu me envolver do início ao fim.

O Exorcista - William Peter Blatty - O livro explora a crença e o comportamento humano

O Exorcista explora a crença e o comportamento humano.

O próprio autor disse que a denominação de “terror” foi acidental, pois sua intenção era explorar a crença e o comportamento humano. O demônio Pazuzu – inspirado no nome do rei dos demônios na mitologia assíria e babilônica – conseguiu acertar em cheio nas suas provocações e afirmações sobre a nossa natureza. O padre – e também psiquiatra – que tenta ajudar Chris, entra em conflito e começa a se questionar sobre a sua própria fé.

E enquanto eu lia, notava uma mistura de sentimentos, pois queria a resolução do problema – mesmo sabendo do desfecho da história – contudo, também queria ver até onde o ser humano é capaz de chegar por desespero. Somos bons, mas até onde? Quando nos desiludimos com algo, perdemos a fé. Seja espiritual, cientifica, material e até mesmo em nós mesmos.

Muito mais do que um exorcismo.

Ele culpou a si mesmo.

O Exorcista
O Exorcista - William Peter Blatty - O livro explora a crença e o comportamento humano

O livro é dividido em quarto partes, e é justamente os estágios da possessão de Regan. Na primeira parte, “O começo”, vamos ver pequenas intromissões sobrenaturais que passam despercebidas na rotina do dia-a-dia. Chris escuta pequenas batidas, sente queda na temperatura em determinados cômodos da casa, sonhos estranhos e até mesmo algumas coisas saindo do lugar.

Na segunda parte, quando Chris não consegue mais lidar com o comportamento agressivo da filha, começa a busca por diagnósticos. Regan é submetida a vários exames, perde o controle dizendo obscenidades e surgem algumas subtramas que convergem com o estado da garota. Já nas partes finais, quando Chris perdeu as esperanças e controle de tudo, ela recorre ao que não acredita para tentar salvar a sua filha.

Não sei porque demorei tanto tempo para ler esse livro. Essa edição que aparece nas fotos foi publicada pela editora Harpen Collins e está perfeita. O Exorcista, sem dúvidas, é um livro que explora muito mais do que o sobrenatural. O autor fala sobre redenção, culpa, amor, medo e mostra a força da fé.

O Exorcista Book Cover O Exorcista
William Peter Blatty
HarperCollins Brasil
336

Nos Estados Unidos da América, algo muito estranho acontece. Atingida por uma doença que os melhores especialistas não conseguem descobrir, uma criança caminha para a morte, semeando a destruição à sua volta, ao mesmo tempo que se vai apagando numa agonia atroz.

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9 comentários

Camila 8 de maio de 2020 - 09:44

Eu sou doida por esse livro há tanto tempo e essa edição ta tão maravilhosa que eu ficaria até com dó de ler. Adorei a sua resenha e as fotos ficaram incríveis.

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Camila França 8 de maio de 2020 - 01:43

Oi flor! Tudo bem?
A edição do livro está liiinda demais e suas fotos ficaram maravilhosas!!
Mas eu te confesso que não leio muito livros nesse estilo.

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Pollyanna Campos 4 de maio de 2020 - 20:25

Olá, tudo bom?
Muito legal você ter uma história com este enredo e que ele tenha se tornado um de seus favoritos depois de mais velha. Eu confesso que achei bem interessante a premissa, essa divisão das partes de acordo com o estágio de possessão, no entanto, não seria algo que eu leria. Eu sou muito medrosa e ficaram longos dias sem dormir! rs
Adorei sua resenha e as fotos.
Beijos!

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CRIS 4 de maio de 2020 - 16:31

Oi Clayci!
Adoro filmes de terror e esse é surpreendente, não li o livro, mas deve ser mais detalhado que o filme, sem dúvida. Adorei sua resenha fiquei com vontade de assistir de novo. Agora minha curiosidade sobre o livro cresceu, vou procurar saber mais sobre, parabéns pela resenha fiquei entusiasmada e obrigado pela dica. Bjs!

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Mara Santos 4 de maio de 2020 - 14:33

Oi, Clayci!!!
Eu nunca tive coragem de assistir esse filme rsrsrs Sou super impressionada e sempre evito coisas do gênero, então isso acaba se estendendo também para as leituras. Ler talvez seja mais confortável do que assistir, achei que sua resenha levantou pontos que me deixaram curiosa, sem contar que a edição é super bonita também!

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Simeia 2 de maio de 2020 - 15:59

Vou ser sincera,quando sentei pra assistir esse filme eu era adolescente,não consegui ver. Depois mais velha já tentei várias vezes e nada,morro de medo de filmes de terror em geral,mexe demais com meu psicologico, começo a ver coisas onde não tem. Então prefiro evitar,hahahaha. Mas meu marido ama esse filme

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Thainá Christine 2 de maio de 2020 - 11:30

Olá, Clay! <3
Esse livro é uma das minhas metas desse ano, logo fiquei super empolgada com a sua resenha e com vontade de pegá-lo agora para ler, que acho que será isso mesmo que farei, hahaha. Eu assisti ao filme há uns 4/5 anos e mesmo já sendo adulta consigo lembrar da sensação de medo que senti, não tendo reassistido ainda. Como uma grande fã de terror, acho o filme uma obra prima, ainda mais por ter sido um dos poucos que realmente mexeu com a minha cabeça. Espero que o livro, de um jeito ou de outro, também traga a mesma sensação para mim.

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Larissa Dutra 30 de abril de 2020 - 14:30

Olá, tudo bem? Menina, que fotos maravilhosas, arrasou demais! Estou vendo falarem bastante desse livro ultimamente, e estou cada vez mais curiosa para lê-lo, porém eu sou muito medrosa para livros assim, haha. Adorei a resenha!

Beijos,
Duas Livreiras

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PS Amo Leitura 29 de abril de 2020 - 22:37

A edição realmente é linda e sua resenha impecável, mas confesso que é um gênero que passo longe hahaha mas gosto de acompanhar sua opinião, principalmente em saber como esses gêneros são capazes de ir além!

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