Livros, Questão de Diálogo


Mamãe está com câncer + como foi lidar com essa doença

Você já recebeu a triste notícia de que alguém que você ama, está com câncer? Deixe-me tentar explicar a sensação: dificilmente aceitamos o diagnóstico e questionamos a veracidade dele; Depois que finalmente cai a ficha, tentamos amenizar a situação e buscar uma alternativa. E como sei disso? Porque já estive dos dois lados.

Fui diagnosticada com câncer aos 4 anos de idade. Mesmo não me lembrando de todos os detalhes, consigo me recordar de boa parte do tratamento. E posso afirmar que a minha mãe adoeceu junto comigo. Hoje, eu consigo relembrar desses dias e sentir a sua presença em todas as fases. Minha mãe passou noites acordada em uma cadeira desconfortável no hospital; não se alimentava direito; não conseguia dar a devida atenção para os meus outros irmãos; abriu mão do trabalho para passar os dias comigo. Mas naquela época, por mais que eu não entendesse o que de fato estava acontecendo, eu adorava tê-la só pra mim

Portanto, me identifiquei com várias cenas na graphic novel “Mamãe está com câncer” do quadrinista Brian Fies. Muitos já vivenciaram ou tiveram contato direto com o câncer. É uma doença que, muitas vezes, chega de forma silenciosa e leva quem amamos. Consegui vencer essa batalha, mas tenho a consciência de que muitos não conseguem.

Mamãe está com Câncer: Falar sobre a doença faz parte do processo de cura

Mamãe fumou por 45 anos. Atormentei ela para que parasse quase todo dia desde quando aprendi a falar.
E, no fim, dizer “eu avisei” acabou sendo menos satisfatório do que imaginava.

Mamãe está com câncer

Brian Fies usou a arte para expressar e enfrentar a batalha do câncer de sua mãe. Ele compartilhou todas as fases e questionamentos durante o tratamento em uma história em quadrinhos. Eu não sei na casa de vocês, mas aqui duas palavras são “proibidas” nas reuniões familiares: morte e câncer. É como se, de alguma forma, atraíssemos o mal para dentro de casa.

Mamãe está com câncer mostra a importância de criar um espaço para a empatia. De uma forma leve, bem humorada e com muito respeito; Brian expõe a necessidade do diálogo. Quando nos deparamos com a realidade, de que somos finitos enquanto matéria, o desespero e o despreparo aparecem da pior forma possível. Precisamos falar sobre essa doença para aprender a lidar com ela.

Se você acessar as estatísticas no site do INCA (Instituto nacional do câncer), irá notar – através dos números – que famílias precisam lidar com essa descoberta todos os dias. E apesar de ter me emocionado e ficar na torcida pela cura da Mamãe, não estava preparada para ler o posfácio. Ela aprendeu muito enquanto lutou pela doença, além de deixar clara a atenção que devemos dar para as pequenas coisas. Valorizar cada momento e agradecer por cada conquista, por menor que ela seja.

Caso você tenha alguém lutando contra essa doença, gostaria de aconselhá-los com algumas experiências.

Esqueça tudo o que você acha que sabe sobre o câncer.

Sei que é um momento delicado e só queremos o bem de quem amamos. Então, é comum sairmos pesquisando sobre o assunto – como o Brian fez quando soube do diagnóstico da Mamãe. Entretanto, cada caso é um caso. Seria maravilhoso se tivéssemos a resposta para o problema, mas não existe uma regra quando falamos de câncer. É preciso respeitar o momento e a forma com que a pessoa encara a situação. Essa doença reage de forma imprevisível.

Quem luta contra o câncer precisa de encorajamento, não de conselhos

Deixe os conselhos para os profissionais que estão acompanhando o tratamento de perto. Você precisa ser o suporte, a força, o apoio. Muitas vezes, quem vive esse quadro, só precisa de alguém para ouvi-lo. É comum a pessoa não se sentir a vontade com mensagens motivacionais, então se esse for o caso, respeite.

Em hipótese alguma diga que você sabe pelo que a pessoa está passando

Mesmo que você já tenha lidado com essa doença. Cada câncer é um câncer e cada um lida de um jeito diferente. Então, saiba dar espaço quando a pessoa não se sentir confortável e querer se afastar. Às vezes é preciso ficar um pouco sozinho para assimilar tudo o que está acontecendo. Lembre-se: seja paciente e dê seu apoio; respeite as necessidades da pessoa. E quando falo isso, não é para deixar de ficar atento aos sinais, mas observar sem invadir o espaço alheio.

O diagnóstico da doença de uma pessoa querida pode nos desestabilizar. E se você está passando por isso, desejo força. Gostei muito da experiência de ler “Mamãe está com câncer” e recomendo essa leitura. Obrigada por trazer essa graphic linda para o catalogo Darkside Books.

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Mamãe está com câncer

Estamos todos expostos à mesma realidade. Muitos já vivenciaram ou tiveram contato direto com o câncer. Essa doença nos assombra, nos corrói, nos arranca quem amamos, mas, mesmo com toda essa dor, o primeiro passo para conviver melhor com o câncer é olhar ao seu redor e não sofrer em silêncio. Situações de perda sempre nos colocam numa posição em que parece que as palavras não funcionam nem confortam. Em casos de doenças graves, como acontece com a personagem Mamãe de, Mamãe Está com Câncer, a dificuldade é outra, pois, além do confronto com a realidade, existe também a incerteza de quão grave é essa doença. E há ainda a esperança, sempre presente, de que esse momento vai ser superado. Para enfrentar a batalha do câncer de sua mãe, Brian Fies resolveu compartilhar todos os seus questionamentos e emoções em uma história em quadrinhos. Mamãe Está com Câncer surgiu, inicialmente, no formato digital, maneira que Fies encontrou para lidar com a situação aflitiva da mãe e toda a angústia da descoberta em família. O resultado alcançado pelo desenhista, no entanto, foi mais que um desabafo pessoal. A partir de sua proposta corajosa de colocar no quadrinho as dúvidas, os sentimentos e a verdade de um momento tão difícil, Fies conseguiu criar um ambiente que abre espaço para a empatia. É a história da Mamãe, do narrador e de suas irmãs, mas, ao mesmo tempo, a história de todos que se preocupam com alguém que amam.

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comentários

  • Marina Menezes

    Oi Clayci!

    Fico feliz de saber que você ficou bem.

    Aqui na minha família câncer também é uma palavra proibida. No máximo falam “aquela doença”. Perdi vários parentes para o câncer quando era mais nova, e levei muitos anos para entender exatamente o que eles tinham. É uma doença muito dolorosa, família sofre demais, junto com a pessoa que tá doente. Lembro de como uma tia minha faleceu muito rápido, em menos de um ano, do tempo do diagnostico até o natal. Triste demais, mas acredito que teria sido menos pesado se não fosse um assunto rodeado de tabus e receios. Que bom que as pessoas estão mudando e criando coragem de falar sobre isso

    Abs!!

    responder
  • Karolini Barbara

    Oi Clay!

    Eu tive Leucemia com um ano e meio de idade até meus 7 anos, e não lembro nada dessa fase. Só lembro de ter uma imunidade tão baixa que qualquer gripe era o fim do mundo para meu organismo, e além da alimentação era bem restritiva.
    Minha avó, materna, passou 20 anos de sua vida fumando diariamente, ela faleceu de câncer em 2017. Isso fora meus tios que fizeram extração de células, ou algo assim, que poderiam desencadear um câncer.
    Houve um rapaz que começou a escrever lá para o blog que ele fazia quimioterapia, e quando ele recebeu a notícia que o tratamento estava fazendo efeito positivo, na verdade não foi o suficiente e ele também veio a falecer. E o mais engraçado é que em nenhum momento ele estava reclamando de nada, você pode olhar qualquer foto dele e ele estava sorrindo e sempre com palavras positivas. Isso é inspirador. É quase como se mesmo com toda a situação ele estivesse aproveitando até o último momento, sendo uma pessoa melhor do que foi ontem.
    Eu tive tanto contato com pessoas cancerígenas, que para mim não assusta. Até porque câncer na família da minha mãe, é genético, ou então chega bem perto disso. Então o que nós hoje fazemos é buscar levar uma vida mais saudável, mais consciente, para que não tenhamos que passar por isso. Nesses momentos, acredito que vale mais o seu foco, força e fé.

    responder
    • Clayci

      Oi Ka!!!
      Muito obrigada por compartilhar sua história comigo. Leucemia é cruel, né?
      O doença maldita que não perdoa ngm =/

      responder
  • Liv

    Graças a Deus eu nunca tive nem que lidar com essa doença, nem ninguém na minha família ou próximo de mim teve ela. Por causa disso mesmo eu não saberia de modo algum como lidar com isso. Acho que uma história dessa iria dar uma pequena ajuda, assim como as suas dicas. Achei o traço da HQ bem legal também, acho que ameniza um pouco o peso do assunto.

    responder
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