Comportamento


FoMO e a trend do “Era pra ser só 15 dias”
E fora do story, ALGUÉM está bem?

Me tira uma dúvida: Você é daquelas pessoas que gostam de ficar conectadas e atualiza as redes com frequência para não perder nenhuma novidade? Prazer, Clayci!

Sempre tive dificuldades para me desligar das redes sociais. E quando a pandemia começou, a necessidade de estar conectada e o medo de ficar por fora das notícias só cresceu por aqui.

Eu já comentei no blog que trabalho no Elo7. E lá, faço parte do grupo #mulheresforadeserie. É uma roda de conversas, cujo objetivo é fortalecer o vínculo entre as mulheres de todos os times da empresa, além de trazer sororidade no ambiente corporativo. E uma das pautas discutidas recentemente foi sobre a síndrome de FoMO, você conhece?

FOMO – Fear of Missing Out, ou em português Medo de ficar de Fora, é temer por não conseguir acompanhar o mundo tecnológico ou não se desenvolver no mesmo ritmo que a tecnologia. Logo no início da quarentena, surgiram várias lives, lembra? Por mais que a premissa fosse conscientizar sobre a necessidade do isolamento social, me senti perdida.

Como estar em todos os lugares ao mesmo tempo?

FoMO e a trend do "Era pra ser só 15 dias"

Eu não conseguia acompanhar todas as lives. Ao mesmo tempo me sentia culpada ao ver os meus amigos produzindo algo. Sério, foi uma loucura! Eu entrava no Instagram e via as pessoas estudando, fazendo cursos, aprendendo culinária, lendo vários livros ao mesmo tempo e a produtividade despencou desse lado daqui.

Sabe o “E fora do story, você está bem?“, foi essa a sensação. E não! Eu não estava nada bem! Fiquei paralisada, sem saber que direção tomar. Para ser honesta, ainda não sei! Já tomei a segunda dose da vacina, mas ainda continuo em casa e evitando de sair. Entretanto, fato é que foi maravilhoso conversar sobre isso na roda. Poder expor essa angústia!

É claro que usei a pandemia para falar sobre essa síndrome, mas todos nós podemos já ter experienciado FoMO em algum momento da vida. Tenho tentado trabalhar isso e um dos hábitos ao qual estou aderindo é o de desligar o celular antes de dormir. Estaria mentindo ao falar que é uma ação fácil, apesar de simples. Porém, tem funcionado muito bem por aqui.

A grama do vizinho é sempre mais verde nas redes sociais

Não faz muito tempo que falei sobre o documentário “O Dilema das redes” em um post. O objetivo é mostrar como o algoritmo trabalha e afeta o nosso psicológico. Como nos vendemos ao alimentar essa mídia com informações sobre: gostos, localizações, interesses e detalhes da nossa vida particular. É incrível e assustador reconhecer que a tecnologia está cada vez mais precisa e aperfeiçoada. As mídias sociais deixaram de ser uma ferramenta e se tornaram uma máquina capaz de manipular.

Então, rolar o feed ou acompanhar os stories no Instagram podem intensificar a ansiedade. Ainda me incomodo em ver amigos saindo e “turistando” por vários lugares, em meio ao cenário que estamos vivendo. Sei que várias pessoas foram imunizadas, mas não tantas assim com as duas doses e a pandemia não acabou. E quando vejo pessoas experimentando momentos, como se nada estivesse acontecendo ou estivesse tudo às mil maravilhas, me sinto mal! Poxa, estou em casa! Queria estar em um cinema também, entende?

Isso é um desabafo de como FoMo pode nos afetar. É como se ao deparar com aquele seu amigo fazendo um intercâmbio ou um colega de trabalho se especializando em alguma área, fizesse você se sentir culpado. Você pode pensar algo como “tantas coisas acontecendo e eu aqui olhando as redes sociais”, sabe? Isso é FoMo.

Mas ao mesmo tempo, precisamos ter a consciência de que as pessoas tendem a compartilhar as suas conquistas. Vemos apenas o lado agradável! Temos a ilusão de que estas são mais felizes e realizadas, porém, não sabemos o que há por trás daquele post. A impressão que fica é que todos estão felizes com suas vidas, menos você!

Nós escolhemos o que queremos ver, mas será que isso é bom?

FoMO e a trend do "Era pra ser só 15 dias"

Trabalho com produção de conteúdo há mais de 10 anos. Mesmo sabendo que iniciei nessa área por hobby, hoje rola uma cobrança e pressão para produzir diariamente. As mídias sociais nos permitem selecionar as notícias que queremos ler. E nós ditamos as nossas amizades e de onde obtemos nossas informações. Mas será que isso é bom?

O mundo todo está sofrendo as consequências desta pandemia. Nós estamos lidando com desafios e dificuldades que até então não imaginávamos enfrentar. Não é justo você se cobrar tanto! Pequenos momentos que deveriam ser prazerosos, tornam-se uma escolha difícil e angustiante.

Infelizmente não tenho a receita e o segredo do “feliz sempre”, mas algo que tem me ajudado bastante é diminuir o consumo das redes sociais, assim como valorizar os pequenos momentos. Sabe aqueles vídeos que estão bombando e falando “Era pra ser só 15 dias, mas…“? Então, vemos pessoas abrindo empresas, casando, mudando de casa, perdendo peso. Não foque nelas! Foque em pequenos prazeres do dia, como um banho relaxante, um café reforçado, um telefona, um livro, um desenho que goste.

Lembre-se que estamos vivendo um cenário único, complicado de lidar. Se você estiver passando por alguma dificuldade e não enxergar uma saída, não tenha medo de pedir ajuda.

Você conhecia FoMO?

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comentários

  • Silviane

    Ooi
    Um post muito interessante. No inicio da pandemia eu não estava preocupada com nada, no sentido de querer produzir algo, fazer cursos e tudo mais. Eu só aproveitei para ler e colocar séries em dia, o que foi ótimo. Acabei que fiz tudo isso nos últimos 4 meses, por causa da faculdade, e tem sido bem interessante.

    Infelizmente não posso dizer que passei o tempo todo apenas em casa. Claro, foi beeem mais fácil ficar só em casa porque eu estou em uma cidade nova, me mudei um mês antes da quarentena começar e não conheci ninguém na cidade nova; entretanto as 3 vezes que visitei minha cidade acabai encontrando as pessoas e por duas vezes fui comer fora. A sensação é estranha, mas ao mesmo tempo ilusória. Quero só que acabe logo para eu poder aglomerar em festas com MUITAS pessoas.

    —-Silviane CasemiroBlog | Instagram

    responder
    • Clayci Oliveira

      Também quero que tudo isso acabe logo =/
      E tá longe disso acontecer, né?

      responder
  • Clara petronília Afonso Oliveira

    Que texto preciso! Falando como uma jovem de quase 18 anos, sinto como se todo mundo estivesse com uma viseira. Não sou aquelas adolescentes contra a internet ou redes sociais, pelo contrário! Nossa vida facilitou muito depois delas. Tenho um convívio social normal, mas mesmo assim me sinto “fora do meu tempo”. Valorizo tanto o toque, a presença e o saber e isso é difícil de encontrar hoje. Não baixei tiktok e me sinto uma senhora de 60 anos perto dos meus amigos, milhares de pessoas ficam horas e horas gravando stories e tiktoks para parecerem “perfeitos” e esquecem da família, dos amigos, dos romances! Recuperei meu hábito de leitura e isso foi muito importante para mim, sentir que estou presente no aqui e no verdadeiro. Estou compartilhando menos da minha vida na internet, porque esse pensamento de que “preciso postar isso ou aquilo” me incomoda muito, como se eu fosse escrava, como se eu precisasse mostrar o que estou fazendo para que meus seguimores vissem. Acho que precisamos recuperar o físico e saber utilizar o virtual. Adoráveis palavras as suas.

    responder
  • Cinthya Araújo

    Oi Clayci, tudo bem?

    Escrevi sobre FOMO, no meu artigo da pós graduação a uns 2 anos atrás. Eu trabalhava e ficava longe do celular praticamente 90% do tempo, eu senti um volume de informação tão grande, eu achava que não estava informada o suficiente no inicio da pandemia.

    Enfim que post maravilhoso, acho que a pressão de criadores de conteúdo é violenta desde os que estão há anos como os que querem entrar nesse mundo.

    Beijos
    https://cinthyaraujo.com/

    responder
  • Camyli Alessandra

    Oi, Clayci.
    Eu ja estava mal antes da pandemia… Quando a isolamento social começou acho que os sentimento só foram assentuando-se. Eu sempre tentei organizar o meu tempo na internet (tanto pela saúde mental quanto pela fisica a minha coluna é de uma senhora de 80 anos….) Quando começou esses milhares de cursos & life on-line eu resolvi não ir na onda… Eu tinha acabado de trancar a pós-graduação e precisava desse tempo para arejar a mente… Entrei no mundo literário a fim de “relaxar a mente” organizei a as resenhas e as fotografias e criei um instagram e um blog literário. Mas, a vibe da comunidade literária é estranha ninguém se interessa por livros e sim números…

    Ladomilla.com

    responder
  • Alice Teixeira Mendes

    Oi Clayci,
    eu me desliguei do instagram e do blog após ler uma resenha e ter um gatilho emocional tão forte que toda vez que lembrava chorava. E o pior foi que a dona do perfil não curtiu meu comentário sobre o livro (que foi só falando sobre a história), aí piorou tudo pro meu emocional. Eu percebi naquele momento que as meninas que resenham livros não ligavam para os leitores só queriam números, livros e seguidores. Após tudo isso, eu passei cerca de 6 meses sem postar nada no instagram e no blog. Mas no final eu me senti muito melhor do que antes e espero poder ficar longe de gente tóxica das redes sociais, porque eles machucam mais do que imaginam.

    Beijoss, Enjoy Books

    responder
    • Clayci Oliveira

      Oi Alice!
      Sinto muito pelo que passou e achei bem insensível a pessoa se incomodar com isso.
      Eu tento sempre listar os gatilhos presentes em alguma história mais pesada. Acho importante, então me policio para me atentar nisso.
      Espero que esteja melhor, de verdade. E se precisar conversar, estou por aqui. A melhor coisa é se afastar de pessoas e conteúdos assim..

      Beijos

      responder
  • Renata Carvalho

    Eu sabiiia que eu não estava louca em evitar olhar aqueles vídeos de “Era pra ser só 15 dias, mas…” nas redes sociais. Aquilo com certeza me deixaria mal por não ter nem chegado aos pés do que aquelas pessoas todas fizeram durante a quarentena.

    Aliás, lembro que em toda parte tinham pessoas incentivando as outras a aproveitarem a quarentena pra fazerem mil coisas em casa pra ser produtivo. E tinha só uma menor parcela, bem pouca mesmo, dizendo que nós estamos vivendo uma situação atípica no mundo, então TUDO BEM NÃO ESTAR BEM, não conseguir fazer as coisas, estar preocupado, faz parte e é bom reconhecer isso.

    Adorei demais o post, mas vou parar de falar se não esse comentário vai ficar enorme kkk

    Beijos,
    Livro de Memórias

    responder
    • Clayci Oliveira

      Encontrei vários enquanto rolava o feed hahaha
      Eu não me importo, quando a pessoa é honesta consigo mesma e não tenta vender a imagem de sucesso, sabe?
      Tem alguns que encontrei e foram bem realistas nesse sentido. Expos que perdeu o emprego, enfrentou dificuldades e é a nossa realidade.
      Agora aqueles vendendo a fórmula do sucesso, dando de coach me deixou extremamente puta hauhauhauhauhuah

      responder
  • Vanessa

    Olá minha linda, tudo bem?

    Do lado de cá estamos levando um dia de cada vez.

    Amei seu texto. Sabe quando abrimos aquela aba e nos conectamos com o que está escrito, foi assim quando abri a sua página na internet, essa aqui para ser mais específica.
    Algo que está acabando com a saúde mental das pessoas é se comprar com um recorte que as redes sociais mostram, a pessoa escolhe mostrar 5 minutos de um momento bom que passou no dia e o outro do outro lado da telinha não imagina como foram as outras horas do dia. Ninguém é feliz o tempo todo e se comprara acaba com nossa saúde mental e sim focar 15 dias ou mais sem internet ou pelo menos diminuir e usar de forma um pouco mais consciente sabendo e treinando a mente para evitar aquelas comparações bizarras e saber que quando aquilo estiver fazendo mal é melhor dar um basta nem que seja por uma semana. Tirar férias é maravilhoso, então porque não tirar férias das redes sociais para tomar um café da tarde com a família no quintal? Porque não acordar antes do nascer do sol e sentar na varanda para ver a beleza que é? Porque não começar uma pequena horta nem que seja um vasinho na sua janela? São muitos questionamentos e pequenos momentos significativos e diários fazem total diferença na nossa vida e na forma de lidar com as coisas.

    Amei seu texto.
    beijos.

    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

    responder
    • Clayci Oliveira

      Oi Van!
      Você conseguiu resumir tudo no seu comentário maravilhoso.
      Exatamente isso! E se afastar das redes faz um bem danado <3

      responder
  • Carol

    Quem tá bem não tá no mesmo planeta que a gente, né? Eu tenho trabalhado com um negócio de “plena atenção”. No mundo caótico do “antes” eu sempre otimizava meu tempo – lavava louça vendo série ou ouvindo podcast, só via TV com celular na mão pra comentar no twitter, trabalhava enquanto atendia as demandas de outras 5 pessoas da minha equipe e, bom, era tudo muito natural. Aí na pandemia eu surtei. E nos últimos meses eu foco em uma coisa de cada vez. Se eu tô lavando louça, eu dou atenção plena para aquilo, nem música eu coloco – limpo cada detalhe, escuto o som do talher batendo na louça, observo como a espuma sai e dá lugar pra limpeza. É relaxante. O mesmo com livro, com série, com absolutamente tudo – se estou ali, eu dou atenção plena ao que está ali. Tem funcionado e ficar “longe” das redes sociais também funciona demais. Ainda bem, porque o mundo já tá maluco, a gente precisa tentar manter um pouquinho da sanidade. <3

    responder
    • Clayci Oliveira

      Eu fico me perguntando isso: que realidade é essa que a pessoa está vivendo, gente…
      E concordo SUPER com o que você falou. Dá muito mais resultado focar em algo só e não falo de produtividade – apesar de ajudar muito, mas de valorizar e viver aquele momento.. isso é muito real.

      responder

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