O que aconteceu com Annie – C. J. Tudor

por Clayci
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O passado não é real. É apenas uma história que contamos a nós mesmos. E as vezes nós mentimos.

O que aconteceu com Annie

O que aconteceu com Annie é o segundo livro da autora C. J. Tudor lançado pela editora intrínseca. O Homem de Giz prendeu a minha atenção logo na primeira página. Não só pelo mistério do assassinato, mas também por outras questões que foram abordadas pela Tudor. E apesar de ter me incomodado com o desfecho, gostei da sua escrita e das referências que utilizadas na trama.

E em O que aconteceu com Annie o sentimento foi parecido. Tudor traz o mesmo mecanismo usado no livro anterior. Alguns capítulos relembram episódios ocorridos no passado; assim como o protagonista fez parte de uma gangue com os seus amigos adolescentes; sendo que só tinha uma garota na turma. Mas dessa vez, apesar do enredo também se passar em uma cidade pequena, com um ambiente hostil; quem vai contar a história é o personagem Joe Thorne. Ele é um professor de inglês e se viu obrigado a voltar à sua cidade natal, Arnhill, na Inglaterra.

O que será que aconteceu com Annie?

Apesar de carismático, Joe não é uma flor que se cheire. Ele voltou para Arnhill por dois motivos. O primeiro foi por causa do seu vício em jogos; ele precisou fugir das suas dívidas acumuladas e sabia que estava correndo risco. E o segundo e mais importante, foi devido a uma mensagem que recebeu. Alguém conhecia o seu passado e os fantasmas que o perseguem; Nessa mensagem anônima, a pessoa disse que poderia contar o que realmente aconteceu com a sua irmã; que desapareceu quando tinha oito anos.

Os acontecimentos de 25 anos atrás ainda aterrorizam alguns moradores da cidade. Há muito tempo atrás, existia uma mina de carvão em Arnhill. Ela foi importante para o vilarejo, mas precisou ser desativada. E naquela época, os jovens amigos de Joe ficaram interessados pelo lugar. A infância dos irmãos Joe e Annie foi marcada por negligências. No início, Joe não aceitava o fato de ter uma irmã mais nova. Porém, foi se acostumando com a sua presença e aos poucos criaram um laço e se tornaram inseparáveis. Joe gostava tanto de sua irmã que chegou a economizar a sua mesada para comprar uma boneca para a pequena Annie.

A menina amava e a carregava onde quer que fosse. E mesmo depois de tantos anos, essa boneca vai continuar presente na história.

Mistérios, segredos e ressentimentos

Foi difícil me acostumar com Joe. Comecei a história odiando a sua personalidade. Ele vivia reclamando e se lamentando de como a sua vida poderia ter sido diferente. Joe é sarcástico, egoísta e envolve pessoas em seus problemas com tamanha facilidade, que por vezes me causou repúdio. Contudo, depois que ele se mudou para a cidade e fui conhecendo os moradores do vilarejo, acabei criando empatia e entendendo as suas motivações.

Eu também iria querer sair de Arnhill na primeira oportunidade que aparecesse. Na época do desaparecimento de Annie, deu para sentir todas as agressões, humilhações e bullying que as crianças enfrentaram. Quando Joe volta, 25 anos depois, vemos que nada mudou e isso é tão desanimador. Mesmo com toda a curiosidade em volta desse mistério, fiquei mal com as cenas de violência.

Um leitor de verdade dobra a lombada, manuseia as páginas, absorve cada palavra, cada nuance. Não se pode julgar um livro pela capa, mas, com certeza, pode-se julgar o dono do livro

O que aconteceu com Annie

Existem várias referências em O que aconteceu com Annie; a Tudor sabe se inspirar e criar um ambiente assustador. Achei o prólogo bem pesado e logo de cara entrega o clima do enredo. Mesmo com as semelhanças, acabei curtindo mais esse livro do que o anterior. No quesito suspense e criação de diálogos, a autora sabe conduzir e nos envolver. Só achei que ela exagera nas “frases de efeito”. Apesar de gostar e sentir vontade de grifar tudo, atrapalha a narrativa e perde o sentido. O livro é de suspense, temos assassinatos e um mistério para resolver. E ver o personagem filosofar sobre a vida a cada momento, desestimula.

Ainda não li “As outras pessoas“, mas pretendo fazer isso em breve. Já leram algum livro da autora?

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