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    Eu pensei bastante se faria uma retrospectiva. Ou se escreveria qualquer coisa que parecesse um resumo de ano. Andei ausente daqui, e isso sempre foi meio frustrante, porque um dos meus planos era justamente escrever mais no blog. Não consegui.

    Mas também não me sinto em dívida comigo mesma.

    2025 foi um ano estranho. Um ano em que eu não fiz grandes planos, não tracei metas ousadas, não pensei muito à frente. Talvez porque eu estivesse ocupada demais tentando entender o agora.

    Logo no começo do ano, eu perdi meu emprego. Uma empresa da qual eu gostava. Que já vinha mudando durante a minha gestação, com uma nova gestão, novos valores, outro ritmo. Depois que saí, ficou ainda mais claro o quanto eu fui sendo deixada de lado. O quanto a maternidade pesa. A sociedade até aceita mulheres grávidas, mas mães parecem sempre um problema.

    Eu voltei da licença, mas já não era vista da mesma forma. Funções que não eram minhas, silêncios, exclusões sutis. Um trauma corporativo silencioso. Só consegui agradecer quando acabou. E, mesmo assim, vivi um luto pequeno e teimoso. Eu gostava do que aquele lugar tinha sido.

    Depois disso, com uma criança pequena em casa, eu fiquei meio perdida. Sem saber exatamente o que fazer, nem por onde recomeçar.

    Foi um ano cheio de incertezas. Medos. Inseguranças. Mas também foi um ano de pequenas alegrias. Estar mais com a minha filha. Ver o mundo pelos olhos dela. Reencontrar amigos. Ter uma nova oportunidade de trabalho. Nada muito linear. Nada muito planejado.

    Em algum momento, eu percebi que minhas ambições mudaram. Antes, eu queria crescer, me destacar, aprender, ganhar mais. E eu gostava disso. Ainda gosto de trabalhar. Mas agora tudo divide espaço com outras urgências: tempo, presença, saúde.

    Falando em saúde, eu me abandonei um pouco. Não me cuidei como deveria. Sou hipertensa, fiquei sedentária, evitei espelhos. Tem coisas que ainda doem de escrever. A maternidade faz isso: a gente some um pouco de si mesma. E, ao mesmo tempo, eu estava inteira na criação da Cora. Vendo ela descobrir o mundo, viver suas primeiras vezes, olhar tudo com curiosidade. Eu sou o mundo dela agora.

    Para 2026, eu não tenho listas nem promessas. Não tenho uma grande virada planejada. Acho que o que eu quero é simples, embora não seja fácil: me reencontrar. Ou talvez me permitir virar outra pessoa. Cuidar mais do meu corpo, da minha mente, da minha vida. Descobrir novos interesses, novos caminhos, sem me cobrar tanto.

    A gente costuma dizer que morreria por quem ama. Mas quase nunca diz que viveria. Viver exige mais. Exige cuidado, constância, presença.

    É isso que eu quero agora.
    Viver.
    Por mim.
    E por quem eu amo.