Me responde uma coisa… quando foi a última vez que você ficou esperando algo sem pegar no celular?
Esperar um café ficar pronto. A consulta atrasar cinco minutos ou a comida chegar no restaurante. Acho que faz tanto tempo que transformamos qualquer intervalo em tempo de tela que nem percebemos mais quando isso acontece.
Esses dias eu descobri uma tendência chamada Analog Bag e a primeira coisa que pensei foi: “Engraçado… aqui em casa a gente já faz uma versão há um tempo.” Sempre que saímos com a Cora, levamos uma bolsinha com algumas atividades. Tem livrinhos, adesivos, giz de cera, brinquedos pequenos… coisas para ela se distrair enquanto espera, sem que a primeira solução seja entregar uma tela.
E foi aí que a ficha caiu. Eu me preocupo tanto em ensinar que existe vida além do celular, mas quantas vezes eu mesma pego o meu sem nem pensar? Foi impossível não fazer essa comparação quando descobri a proposta da Analog Bag.
O que é uma Analog Bag?
A Analog Bag nada mais é do que uma bolsa com pequenas atividades para aqueles momentos em que normalmente abriríamos o celular por puro hábito. Pode ser um livro, um caderno, uma câmera compacta, um quebra-cabeça de bolso, um kit de bordado ou qualquer outra coisa que faça você aproveitar alguns minutos de espera de um jeito mais leve.
O mais interessante é que não existe uma lista oficial do que precisa ter dentro dela e muito menos uma bolsa específica para comprar. A proposta é justamente usar o que você já tem em casa e montar um kit que combine com a sua rotina e com os seus hobbies.
Quanto mais eu pesquisava sobre essa tendência, mais percebia que ela fazia parte de um movimento maior. Junto com os Grandma Hobbies, o Analog Summer e o Slow Living, a Analog Bag convida a gente a criar pequenos momentos longe das telas, sem transformar isso em uma regra ou em um desafio impossível de cumprir.
E é claro que eu gostei muito dessa ideia porque o objetivo não é tratar a tecnologia como inimiga. Eu trabalho na internet praticamente todos os dias e adoro tudo o que ela facilita. Não faz sentido demonizar algo que faz parte da nossa rotina. Ao mesmo tempo, também percebo que estamos cada vez menos acostumados a simplesmente esperar.
Se a fila demora, pegamos o celular.
O café ainda não ficou pronto? Pegamos o celular.
Se a consulta atrasa cinco minutos, pegamos o celular.
É como se qualquer segundo de silêncio precisasse ser preenchido imediatamente. Nosso cérebro passa horas alternando entre vídeos, mensagens, notícias, notificações e redes sociais. São dezenas de estímulos diferentes em poucos minutos. Depois tentamos ler algumas páginas de um livro e parece que a concentração desapareceu.
Perdemos a capacidade de prestar atenção, porque quase nunca damos ao cérebro a oportunidade de desacelerar. Foi aí que decidi montar uma Analog Bag por aqui.
O que colocar na sua Analog Bag?
A melhor parte dessa tendência é que você provavelmente já tem quase tudo o que precisa. Se eu montasse a minha hoje, ela teria um livro de bolso, um caderno para anotar ideias, uma caneta, minha câmera compacta, um marcador de páginas e algum projetinho de punch needle para fazer enquanto espero.
Mas a sua pode ser completamente diferente.
Você pode colocar palavras cruzadas, sudoku, um livro de colorir, crochê, tricô, adesivos, um diário, cartas para responder, uma revista ou qualquer outra atividade que faça sentido para você.
E, pensando bem, acho que essa é a parte mais legal dessa tendência.
Ela não coloca a tecnologia de um lado e a vida do outro; Ela só nos convida a lembrar que ainda existe espaço para as duas.




Karolini Barbara
Ah! Ideia genial.
Eu também trabalho com a internet, além do trabalho CLT, e confesso que percebo estar muito tempo dentro das telas e pouco tempo fora delas.
A pouco tempo comecei a questionar porque estava consumindo conteúdos em diferentes formatos: audio, video, imagem e texto. Estava virando uma bagunça sem fim e sem nexo, só me deixando mais sobrecarregada de informação.
Daí me fiz a pergunta básica: do que mais sinto falta? A resposta foi clara: de ler!
Sempre tive o hábito de leitura, desde a minha adolescência. E entendi que os textos me fazem falta, que sempre foram algo que gostei de verdade, não a toa ainda tenho um blog.
Clayci Oliveira
Oi Ka! Eu abandonei muitos hábitos depois que me tornei mãe. O livros também sempre me fizeram bem e ver que meu ritmo caiu me deixou tão desmotivada. Assim como escrever, a chegada da inteligência e deixou preguiçosa, pois parei de ler artigos por viver na dúvida se realmente foi escrito por uma pessoa. Agora que estou voltando rs e me inspirando de novo