O Poço: Novo Thriller da Netflix chega em um momento apropriado

por Clayci
10 comentários 191 visualizações

Como vocês estão? Admito que por conta das circunstâncias, não ando muito inspirada para escrever e produzir conteúdo. Mesmo com o privilégio de estar em quarentena, não consigo focar em leituras e/ou séries; fico pensando naqueles que não conseguiram ficar em casa e estão expostos ao novo coronavirus. Então, por favor, se puder fique em casa! Siga as instruções e pense nos que estão se arriscando para manter as coisas funcionando no país.

Para manter a minha saúde mental, estou limitando o meu acesso aos noticiários. Evitando ler a respeito antes de dormir e consumindo conteúdos mais leves para distrair a minha cabeça. Contudo, hoje vou abrir uma exceção! O Poço, novo thriller distópico da Netflix, não é nada leve e possui cenas angustiantes. Mas o filme – apesar de tudo – veio em um momento bem oportuno, pois fala sobre o consumo de pânico e também sobre o individualismo X coletivismo.

Banquete para todos?

O Poço: Novo Thriller da Netflix chega em um momento apropriado

Iniciei o filme me sentindo perdida, junto com o protagonista. Goreng (Iván Massagué) desperta em uma prisão verticalmente estruturada. Nesse encarceramento, um banquete luxuoso desce em uma mesa através de um poço central a partir do topo, concedendo que os presos de cada andar se alimentem por um breve período de tempo. Não sabemos quantos andares tem e nem mesmo temos uma noção de temporalidade, pois os presos mudam de níveis periodicamente. No entanto, quem está em cima consegue se alimentar e ter as melhores opções de comida; e conforme a mesa vai descendo, começa a luta pela sobrevivência com os restos.

As regras do poço são simples: São dois internos por andar e ambos são designados aleatoriamente para um novo no início de cada mês. O único sustento é servido em uma quantidade gigantesca de comida por um elevador que desce a cada 24 horas.

Um dia no topo, outro na base

Acho que foi um dos filmes mais sádicos que já assisti. É um filme sobre experimento social e apesar de ter outros títulos com uma premissa parecida – como Jogos Mortais (amo esta franquia) e até mesmo Uma noite de crime – o Poço traz muitas questões ideológicas. E por que acho que este filme é apropriado para o momento em que estamos vivendo? Bom, saíram várias notícias mostrando pessoas se desesperando por conta do novo vírus, a ponto de estocarem comida em casa, sem pensar no próximo. Vimos o preço do álcool subir de forma exorbitante e se esgotarem das prateleiras em questão de minutos. O Poço faz duras críticas sobre desigualdade social e a diferença de classe.

O Poço: Novo Thriller da Netflix chega em um momento apropriado

A cozinha desse filme é uma mistura do delicado, sofisticado e do bárbaro. Enquanto vemos um chefe de cozinha acariciando um presunto pendurado, ao som de um violino, pensamos que o banquete preparado é capaz de alimentar centenas de pessoas. Mas quando a mesa desce, nível por nível, nos desesperamos ao ver os presos engolindo o máximo que conseguirem antes do tempo deles acabarem. E quando falo que o filme é sádico e perturbador, é porque o medo e a crueldade acabam se tornando as únicas armas para a sobrevivência.

Mesmo que de forma incômoda, o filme alcança o seu propósito e nos faz refletir sobre as nossas ações. A fotografia sombria e claustrofóbica, entrega a sensação de angústia e solidão com maestria. Há várias metáforas presentes na trama e é possível comparar até mesmo com os pecados capitais. Na verdade, depois de assistir a este filme fiquei conversando com a minha amiga e fazendo analogias sobre a plataforma ser o purgatório ou até mesmo tudo não passar de uma alucinação.

TRAILER: O POÇO (El Hoyo)

Vi que algumas pessoas não gostaram do desfecho, mas acredito que a ideia é não ter uma mensagem mastigada e sim fazer uma interpretação pessoal sobre o filme. Então, independentemente da sua interpretação o trama fala sobre solidariedade e amor ao próximo. Já assistiram? Lembrando que há muita violência gráfica e cenas pesadas.

Você também poderá gostar

10 comentários

Emy Teranishi 13 de abril de 2020 - 21:02

Oi Clay! Tudo bem?

Assisti esses dias e fiquei bem pensativa depois. Achei o filme muito bom, como já tinha lido algo a respeito antes de assistir, fiquei com o coração preparado para as cenas “brutais”, mas confesso que mesmo assim fiquei com ele balançado depois.

Acho que é o tipo de filme que muitas pessoas deveriam assistir.

Bjo! Fique bem ?
Jardim de Peônias

resposta
Maria Paula de Barros 12 de abril de 2020 - 10:44

Eu ainda não assisti esse filme e sendo bem sincera, não sei se o farei. Não é o tipo que eu mais goste, mas as discussões a cerca dele estão ótimas!

resposta
Beatriz Andrade 9 de abril de 2020 - 22:53

Eu fiquei muito revoltada com o final desse filme, ele já foi muto difícil de assistir e eu gostei bastante das críticas sociais que ele faz, principalmente nos tempos em que estamos vivendo as mensagens nesse filme são mais que necessárias, mas quando terminei de ver eu desliguei a TV e fiquei parada olhando pra ela com muita raiva! Mas depois que conversei com você eu entendi melhor e até gostei da proposta dele, mas o desenvolvimento em si estragou o filme para mim. Uma jogada ousada, claro, mas que para mi não funcionou.

resposta
Joanice Oliveira 3 de abril de 2020 - 11:45

Olá

Um dos filmes que mais gostei na vida, porque toda a crítica pode ser evidente, mas tem outras nas entrelinhas e somente os telespectadores atentos vão observar e isso é bem escancarado no final, na qual a direção permitiu uma interpretação pessoal, algo que evidencia que agimos conforme nossa consciência de classe.

Beijos

resposta
Ana Caroline Santos 29 de março de 2020 - 15:26

Olá, tudo bem? Eu soube desse filme justamente por conta dessa quarentena e o tanto de comentários que ouvi tem me deixado balançada. Porém, vejo reclamações sobre o final, pois algumas pessoas não entenderem, e isso acaba me sendo um obstáculo. Ser angustiante junto de um momento que estou sofrendo de ansiedade, acho que nãos seja uma boa ideia por agora. Quero muito assistir, mas em outro momento oportuno. Sua opinião me trouxe uma outra perspectiva sobre. Adorei!
Beijos

resposta
Mara Santos 27 de março de 2020 - 12:21

Oi, Clayci! Acho que eu e você estamos bem parecidas neste momento de angústia, não tenho lido tanto, acho até que meu ritmo reduziu e as séries e filmes tem sido bons parceiros. Tenho evitado coisas pesadas, mas sua opinião sobre O Poço me fez perceber que assistir algo assim, pode me acrescentar e muito!
Obrigada pela dica, você arrasando como sempre!

resposta
Gleydson 26 de março de 2020 - 23:05

Olá, tudo bem por aí?

Eu, particularmente, AMO thrillers e mal posso ver um que já dá vontade de assistir. Eu ainda não o fiz com O Poço, mas já estou planejando assisti-lo nessa quarentena. Vi críticas muito positivas acerca dele e sua resenha deixou bem claro o aspecto de incômodo que talvez ele proporcione em algumas pessoas. Acho muito válido isso, porque não é todo mundo que sabe lidar com certos tipos de cena. Algumas demandam um psicológico forte. Adorei o seu blog!

Abraços!
http://www.acampamentodaleitura.com

resposta
Vitória Bruscato 25 de março de 2020 - 14:18

Eu gosto bastante de Thrillers e de filmes que nos fazem refletir um tempão sobre depois de assistir. Adorei a indicação, certamente assistirei!

resposta
Clayci 26 de março de 2020 - 19:29

Oba, fico feliz que tenha se interessado <3

resposta
Bianca Ribeiro 24 de março de 2020 - 09:05

Menina, eu vi esse filme esses dias com a minha esposa!!!
Logo de cara, a gente já sacou que o filme era uma alegoria da realidade (a gente não sabia NADA do filme) e acabou que a gente até gostou!
Eu fiquei meio indecisa, achei que o filme como alegoria, foi perfeito, mas eu não gostei muito do roteiro dele como filme, não me pergunte porque. Mas realmente é um baita filme pra gente rever os nossos valores e os nossos conceitos, acho que poderiamos aproveitar o isolamento pra repensar nós mesmos. Adorei teu post AAAAA!!!

resposta

Deixe um comentário