Maternidade


Relato de parto: A Cora finalmente nasceu
O lado negativo do Hospital e Maternidade São Luiz

E o motivo do meu sumiço tem nome: Cora! Finalmente, no dia 22 de novembro, às 21:20, Cora chegou ao mundo com 36 semanas, antecipando um pouco da magia que estava reservada para todos nós. No entanto, esse momento não foi exatamente como planejamos.

Decidi compartilhar o meu relato de parto com vocês, pois apesar de estar feliz com a chegada da minha filha, vivi momentos horríveis no Hospital e Maternidade São Luiz no Anália Franco. Minhas primeiras dores de cabeça intensas e a oscilação da pressão arterial abriram as portas para um parto emergencial. O diagnóstico de pré-eclampsia surgia e a saúde de Cora exigia uma resposta rápida. Eu não tinha finalizado o meu plano de parto e a minha obstetra não conseguiu chegar a tempo. Devido a isso, a equipe de plantão assumiu o controle.

Contrariando as expectativas e o medo, a equipe ofereceu um acolhimento que aliviou minhas inseguranças. Meu parceiro esteve presente, e apesar das reviravoltas, as médicas transformaram o momento em algo verdadeiramente mágico. Não senti falta do plano de parto, pois a equipe fez com que tudo me deixasse tranquila. O Di participou de todo o processo – inclusive esteve presente no momento da anestesia. Tivemos playlist, ele cortou o cordão umbilical; as enfermeiras interagiam e me acalmavam; a anestesista me falava tudo o que estava acontecendo, assim como me tranquilizava. E meus pais e irmã assistiram o meu parto e acompanharam o processo.

A Cora nasceu prematura

A prematuridade de Cora a levou para a UTI, enquanto eu também fui para a sala intensiva. Infelizmente, foi quando deixei a sala de parto que minha experiência tomou um rumo inesperado. A escolha da Maternidade São Luiz, para a qual me dirigi para viver esse momento único, revelou-se traumatizante. A acomodação inadequada e a negação de necessidades básicas, como a presença de um acompanhante e condições de higiene, marcaram o início de uma fase desafiadora.

É essencial reconhecer os profissionais incríveis que encontrei durante minha internação, mas não posso ignorar as lacunas na experiência. O que deveria ser um período de 24 horas na UTI de adultos se estendeu para 72 horas, e somente a intervenção da minha Cardiologista trouxe alguma saída e estabilidade à minha pressão.

Na UTI, algo tão básico quanto a troca de fraldas foi negligenciado por 48 horas, uma situação resolvida apenas pela intervenção da minha irmã (sim, foi ela que me trocou e me deu um banho 48h depois em seu horário de visita). Até mesmo a aferição da pressão, uma prática básica, mostrou-se problemática. Mesmo dizendo várias vezes que o manguito que estavam usando em meu braço não era adequado para o meu tamanho, fui ignorada em todas vezes. Isso só foi corrigido dias depois por uma enfermeira que ouviu minha preocupação e graças a ela, consegui provar que a quantidade de remédios que estavam usando em mim era desnecessário.

Demorei para ficar com a minha filha

O que era para ser o momento mais mágico da minha vida se tornou um desafio que eu jamais poderia prever. Após a Cora nascer prematura e ser levada para a UTI, eu me via numa batalha por acesso e informações. Todo o fluxo de notícias sobre a Cora chegava até mim através do Di enquanto minha pressão, de maneira teimosa, permanecia alta.

A impossibilidade de me transferir para o quarto onde minha filha estava, devido à pressão alta, criou um cenário angustiante. Mesmo explicando que era uma resposta emocional, a transferência não acontecia. Foi então, após cinco longos dias, que tomei uma decisão difícil: quis assinar o termo de responsabilidade me recusando ao atendimento do hospital. Eu só queria sair dali, e, de repente, após comunicar minha decisão de não ficar mais internada, a oferta do quarto para a Cora surgiu, algo que antes parecia impossível.

No andar da maternidade, onde deveria ter vivido o sonho que me venderam quando escolhi aquele hospital, finalmente experimentei os cuidados que eu merecia. Os profissionais eram mais preparados, empáticos e solícitos, proporcionando o acolhimento que desejava. Minha pressão não só caiu, como recebi alta dois dias depois.

Voltei pra casa sem a minha filha

Seguindo com o meu relato de parto, a Cora ainda precisava ficar no Neonatal para tomar banho de luz. A equipe do Neonatal foi incrível, e foi lá que conheci o GAAM (Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno). Uma pessoa em especial, Marilza, fez toda a diferença, abraçando minhas dores e oferecendo suporte verdadeiro.

Agora imaginem como foi sofrido voltar para casa sem a minha pequena? Ser mãe de um prematuro é viver essa jornada intensamente, descobrindo força onde menos esperamos. Não ter o abraço imediato, mas encontrar o primeiro contato nos olhares… É sentir a conexão delicada através dos dedos cuidadosamente higienizados e aprender a admirá-lo da incubadora.

Finalmente em casa desde o dia 02/12, estamos desfrutando do que deveria ter sido desde o início. O que quero transmitir com este relato de parto é que, independentemente da estrutura do local escolhido para dar à luz, o que realmente importa são os profissionais que você encontra no caminho. Banheiros luxuosos e detalhes glamorosos não têm significado se você não se sentir segura. Ao visitar uma maternidade, peça para ver todas as instalações, e esteja pronta para buscar atendimento fora da maternidade, se necessário.

Embora tenha encontrado profissionais incríveis no caminho, não recomendo a experiência vivida naquele local. É algo que eu, definitivamente, não repetiria. Cora trouxe luz às nossas vidas, mas essa experiência revelou as sombras do sistema de saúde. Compartilho isso não apenas como desabafo, mas como um apelo para uma maternidade que respeite a fragilidade e a força que acompanham o nascimento.

Eu precisava trazer esse relato de parto pra vocês!
Em breve compartilho mais dessa fase que estou vivendo.

Beijos da Clayci e da Cora

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comentários

  • Aline Amorim

    É uma pena que tenha vivido dias tão angustiantes, quando deveriam ser de pura alegria.
    Mas que bom que depois as coisas melhoraram no hospital.

    responder
  • Amanda

    Que pesadelo toda a situação. Deixar a Cora no Neonatal deve ter doído muito quando o que tu mais queria era abraçá-la e esquentá-la junto ao peito. Que bom que deu tudo certo. Parabéns pela Cora! Parabéns à família <3 Muito, muito amor e muita saúde para vocês!

    responder
  • Gabriela Miranda

    Clayci, em primeiro lugar, parabéns pelo nascimento da Cora. Fico feliz que, no final, vocês tenham ficado bem, mas lamento pela situação que tiveram que viver. Ter esse tipo de experiência num momento tão frágil deve ser muito difícil…

    Desejo um bom puerpério para você e muitas felicidades para essa família que cresceu!

    responder
  • Renata Carvalho

    Eu acompanhei seu relato pelos stories, Clayci, e fiquei revoltada tanto lá quanto aqui no blog lendo sobre tudo isso. Um momento único na vida (a chegada da Cora) que devia virar apenas lembranças felizes, infelizmente não vai ser assim.
    É revoltante tudo o que você passou, te tratarem como uma leiga que não entende os sinais do próprio corpo, o motivo da sua pressão estar alta.
    Que bom que agora você e a Cora já estão em casa e bem, mas é importante a existência desse seu relato para o post chegar em outras pessoas que estejam em busca de um hospital, qual elas devem manter distância.

    Beijos,
    Livro de Memórias

    responder
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