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O Império de Ouro – SA Chakraborty
Para reconstruir o mundo, talvez seja necessário lutar contra aqueles que um dia você amou

Preciso confessar algo para vocês: dificilmente guardo os detalhes de um livro. Lembro do enredo, de alguns personagens e até mesmo da sensação física da leitura; mas raramente me recordo das particularidades da história. No entanto, preciso parabenizar (e agradecer) a autora SA Chakraborty por criar um universo único. Carrego a trilogia Daevabad no coração. Não é nenhum segredo o quanto eu amo essa série, pois vivo panfletando-a nas redes sociais.

Shannon Chakraborty me transportou para um mundo de sua própria imaginação. Me sinto sortuda por conseguir experimentar e sentir cada cena descrita pela autora. Assim como Nahri, eu não acreditava em justiça. Contudo, Cidade de Bronze me mostrou que o caminho mais honesto, nem sempre está tão visível.

Império de Ouro é o último livro da trilogia. Ele é a “punição” e desfecho para todos os personagens que estão sobrevivendo a este legado carregado de dores e traumas. Em Reino de Cobre, vimos festas e festivais com detalhes deslumbrantes, mas também um pequeno vislumbre da miséria e desespero. Daevabad estava longe de apoiar a diversidade dentro de seus muros. E entre tantas cenas e situações obscuras, Império de Ouro surgiu para dar um fim nesse sofrimento.

Daevabad Caiu!

Daevabad caiu e a cidade toda está sem magia. Banu Manizheh, líder dos Nahid, conquistou o que tanto desejava. Mas agora precisa retomar algumas alianças e conquistar a confiança daqueles que vivem em conflito. Ali e Nahri estão fugindo e sabem que precisam encontrar um meio de tirar Manizheh do poder. Contudo, ela está disposta a tudo para permanecer no comando.

Todavia, mesmo não sabendo como recuperar a magia, Nahri e Ali estão mais próximos. Entre tanto caos, foi incrível vê-los buscando informações e aprendendo mais sobre suas raízes familiares. Ali está determinado em recuperar e libertar Daevabad e Nahri quer reparar todo do dano causado por sua mãe.

O Império de Ouro - SA Chakraborty

Fiquei com um pouco de receio de me jogar nesta leitura. Não estava pronta para me despedir dos personagens, mas eu precisava saber como tudo iria acabar. Foram quase 900 páginas e preciso admitir que foi uma experiência fascinante. Gostei de acompanhar os capítulos de Nahri e Ali, porém as cenas com Dara foram as que mais me prenderam.

Dara é um personagem problemático e eu já consegui imaginar o seu destino no segundo livro. Entretanto, mesmo sabendo que esses capítulos seriam mais sombrios, foram os meus favoritos. A sua visão é realista e angustiante, contudo transmite esperança. Ele é fiel e está servindo Manizheh, mas está cansado de ser escravo e de ver tantas destruições. Por isso, repensa sua estratégia e em como evitar tantas mortes.

Império de ouro: me despedindo dos personagens que tanto amo

Eu não estava preparada para aquele final. Fico feliz que a autora não tenha entregado um desfecho fácil, porém me emocionei bastante. O livro é cheio de conflitos políticos! Os shafit são cruelmente oprimidos e a história sangrenta da família real não ajuda nessa relação. Tanto que fiquei surpresa por – alguns momentos – torcer por Muntadhir e Zaynab.

Honestamente falando, eu estava tão cansada dos conflitos que passei a torcer por todos os personagens. Só queria que todos encontrassem o próprio caminho e vivessem da melhor forma possível. Existem tantas camadas nesse universo criado pela autora, que fica difícil torcer apenas pelos protagonistas. Todos carregam traumas e precisam de terapia (haha)

Nahri é aquela personagem que você quer abraçar. Ela sempre tenta dar o seu melhor, mas por não conhecer o seu passado, vive em busca da sua identidade. Por isso, não consegui conter as lágrimas quando cheguei nas páginas finais. Ali é devoto e consequentemente inflexível! Foi maravilhoso vê-lo amadurecer e reconhecer que certos padrões precisam ser quebrados. Quando ele tomou aquele choque de realidade, desejou fazer a coisa certa.

E o que dizer de Dara? Acho que por me identificar tanto com sua personalidade, fiquei com medo da conclusão. Dara é teimoso! Mas é tão leal com as pessoas que ama. Eu queria tanto um livro com a sua história. Definitivamente não foi fácil me despedir dos personagens.

Lições que vou carregar no coração

A trilogia é repleta de magia e criaturas míticas, mas traz muitas intrigas políticas. Em Daevabad, dentro dos muros de bronze revestidos de encantamentos, ressentimentos antigos prevalecem. Na história, conseguimos entender que os oprimidos se tornam opressores com facilidade, pois acreditam ser a única forma de se sentirem no controle da situação. Por isso, gostei da forma como a autora usou esse universo, para expor que a luta contra a opressão é árdua. E que ainda teremos muitas perdas nessa jornada.

Da mesma forma, a autora mostrou a importância dos nossos laços. Enquanto Nahri lutava para saber mais sobre o seu passado, entendemos como cabe a cada pessoa decidir quais partes de si mesma compõem a sua própria identidade. De um jeito único, a autora fala sobre a família que temos e a que escolhemos. Então, vê-la se libertar foi incrível.

Vou sentir saudades de toda a magia e tenho certeza de que irei reler esta trilogia futuramente.

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Império de ouro

S. A. Chakraborty

Autoria:
S. A. Chakraborty

Páginas:
870

Editora:
Morro Branco

Gênero:
Fantasia
Daevabad caiu.
Após a tomada brutal que drenou a cidade de toda sua magia, Banu Manizheh, líder dos Nahid, e seu comandante ressurgido, Dara, precisam tentar reparar sua aliança desgastada e estabilizar um povo rebelde e em conflito.
Mas o sangrento massacre e a perda de Nahri desencadearam os piores fantasmas do passado obscuro de Dara. Para vencê-los, ele precisa encarar verdades difíceis sobre sua própria história e se colocar à mercê daqueles que considerava inimigos.
Tendo escapado por pouco de suas famílias assassinas e das políticas mortais de Daevabad, Nahri e Ali, agora seguros no Cairo, devem lidar com as suas escolhas. Nahri encontra paz nos velhos ritmos de sua casa humana, mas é assombrada pela ideia de que aqueles que abandonou estão à mercê de um novo tirano. Ali também não consegue evitar olhar para trás e o início de uma nova jornada pode ameaçar não só sua relação com Nahri, mas sua própria fé.
À medida que a paz se torna cada vez mais ilusória e velhos conhecidos ressurgem, o capítulo final dessa jornada se aproxima. Para reconstruir o mundo, talvez seja necessário lutar contra aqueles que um dia você amou… e defender a todo custo aqueles que você feriu.

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