Eu tenho certeza que a Clayci adolescente teria fechado esse livro com um suspiro dramático, desejando (sim, desejando) ser a Jessica Chen.
A garota impecável. A aluna perfeita. A filha exemplar.
Aquela que parece saber o que está fazendo com a própria vida; enquanto eu, aos 16, me perdia tentando lembrar o dia da prova e se era minha semana de lavar a louça.
Na minha cabeça de adolescente (e talvez em algumas partes da adulta também), existir uma versão de mim que tirava dez em tudo e ainda sabia fazer delineado gatinho era completamente possível. Faltava só foco, organização, um cronograma colorido e… bom, autoestima.
E foi assim, com essa bagagem levemente amassada, que eu comecei Eu não sou Jessica Chen. Esperando uma história adolescente com um toque de fantasia, mas encontrando algo muito mais profundo (e um tanto dolorido).
O livro tem como ponto de partida uma troca de corpos, mas o que poderia facilmente virar comédia de sessão da tarde se transforma num retrato sincero do esgotamento que vem de tentar ser tudo o tempo todo. Principalmente para quem cresceu com a sensação de que amor e aprovação são recompensas para quem se esforça o suficiente.

Jenna, a protagonista, tenta tanto ser perfeita que se apaga no processo. Ela corre, estuda, entrega, supera e mesmo assim sente que nunca é o bastante. E é nesse ponto que Eu não sou Jessica Chen me pegou. Porque existe uma pressão silenciosa (e muito eficiente) em parecer que está tudo bem o tempo todo. Em performar excelência, mesmo quando se está em frangalhos por dentro.
A narrativa é simples, sem floreios. Às vezes um pouco repetitiva, mas também real. Me vi em várias das frases. Principalmente nas que falavam da comparação constante, da vida que parece competição, das expectativas que nunca acabam. A parte romântica não me conquistou tanto, mas também não foi o foco. O que ficou mesmo foi a reflexão sobre identidade, sobre como a gente se mede e sobre tudo o que deixamos para depois em nome de um suposto sucesso.
Fechei o livro com vontade de abraçar minha versão mais jovem e dizer que ela não precisa provar nada pra ninguém. Que estudar é importante, claro, mas que perder noites de sono por causa de uma nota não vale a pena. E que ser boa o suficiente não tem nada a ver com boletim e tudo a ver com se sentir viva dentro da própria vida.
Eu não sou Jessica Chen, e talvez você também não seja; e isso não é um problema, é uma libertação.
Se você já quis ser outra pessoa. Se já sentiu que estava ficando pra trás. Ou se só está cansada de tentar dar conta de tudo o tempo todo… talvez você também vá se reconhecer aqui.
E talvez também descubra que está tudo bem dizer em voz alta: eu não sou Jessica Chen.
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Ann Liang
- Autoria:
- Ann Liang
- Editora:
- Alt
- Páginas:
- 304




Lady Sybylla
Esse livro está no meu Kindle já faz umas semanas. Sua resenha me deu uma estimulada pra começar logo a leitura! ?