Comportamento


Vivendo o tal complexo de incômodo
e me identificando com uma personagem da série Solos

This is Major Tom to ground control
I’m stepping through the door
And I’m floating in the most peculiar way
And the stars look very different today

Hoje eu acordei com uma cena de Solos na cabeça. Para ser mais específica, acordei pensando em uma frase dita no terceiro episódio: “Eu odeio incomodar“. Não sei se você já assistiu, mas caso ainda não tenha dado uma chance, recomendo muito! Solos é uma série perfeita para refletir sobre tecnologia, humanidade e a complexidade da vida. São sete episódios relativamente curtos e cada um traz um monólogo sobre diferentes circunstâncias e o que significa “ser humano“.

Em um desses episódios, somos apresentados à personagem Sasha. Ela vive há 20 anos em quarentena, mesmo após o vírus ter sido controlado. Esta pandemia mexeu tanto com a personagem, que ela sente medo de ter contato físico com qualquer pessoa. A sua única companhia é uma assistente virtual. Diante tudo o que estamos vivendo, foi fácil sentir empatia por Sasha. Esse episódio faz com que a gente reflita sobre a nossa saúde mental e como todos esses acontecimentos afetam a nossa realidade.

E apesar do quarto episódio trazer uma discussão atual, foi o terceiro que tirou o meu sono. Não há nada assustador, pelo menos visualmente falando. Temos um cenário futurístico, silencioso e calmo. A atriz Helen Mirren expressa gentileza, delicadeza e graciosidade, mas também o complexo de incômodo. O que me assustou de verdade foi ter me identificado por demais com o seu discurso.

Você aceitaria uma viagem só de ida para viajar pelo universo?

Peg (sua personagem) faz uma análise de sua trajetória após aceitar participar de uma viagem só de ida para o Universo. Confesso que a premissa me lembrou um pouco a trilogia “A Guerra do Velho“, mas sem o alistamento. Peg tem 71 anos, e decide viver uma aventura após passar sua vida querendo ser invisível na Terra. Enquanto viaja, ela compartilha memórias de sua juventude e de como deixou de viver uma história de amor, entre outras coisas. Ela desabafa com perfeição, descrevendo detalhes e fazendo pausas nos momentos traumatizantes que vivenciou.

Vivendo o tal complexo de incômodo

E enquanto confidenciava, Peg notou o quanto teve medo de se arriscar. Ela fala “eu não queria incomodar” com frequência. E foi assim que não consegui conter as minhas lágrimas. O desfecho é triste, pois ela percebe e admite que só decidiu participar desse projeto, porque ninguém na Terra iria sentir a sua falta.

A vontade de abraçar Peg foi grande, não vou negar. Por mais que sejam histórias independentes, David Weil criou personagens que se conectam por um único sentimento: a solidão. E o fato de ter acordado com a frase “Eu odeio incomodar” na minha cabeça, resume bem a minha personalidade. Você já sentiu a terrível sensação de estar incomodando ou a de que está sendo mal interpretado?

Acredito que você já deve ter se sentido esse complexo de incômodo em algum momento da sua vida. Eu sinto frequentemente. Já abri mão de várias oportunidades, assim como deixei de viver situações por medo de me “destacar”. Só de pensar no julgamento alheio, fico paralisada, mesmo reconhecendo que isso atrapalha a minha evolução.

Você já viveu o complexo de incômodo?

É estranho dizer isto, afinal trabalho com produção de conteúdo. As redes sociais me ajudaram muito nesse sentido. Foi através delas que consegui lidar com a minha timidez e insegurança. Contudo, apesar de reconhecer este lado positivo, isto ainda é uma discussão frequente nas minhas terapias. O medo de não ser aceita, de ser deixada para trás e de incomodar as pessoas me trava.

Tenho tentado trabalhar isto diariamente, porém não é fácil. Não posso deixar de me expressar! E ficar policiando tudo o que falo, por medo de ser mal interpretada é desgastante. E conforme Peg foi relembrando as diversas fases que viveu, consegui me enxergar em várias delas. Sempre vivi com esta insegurança, de me mostrar verdadeiramente, de ofender as pessoas por seu eu mesma.

No final do episódio, após reconhecer a solidão, Peg enfatiza que apesar dos 71 anos, ela ainda pode amar, dançar e viver.

Vivendo o tal complexo de incômodo

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