Tokyo Ghost – Rick Remender – Ameaças de um futuro tecnológico

por Diego Lorenzo
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A graphic novel Tokyo Ghost lançada em 2015 é composta de 10 volumes. Ela retrata o futuro da humanidade imerso em tecnologia, em meados dos anos de 2089. E foi desenhada num estilo gráfico cyberpunk por Sean Murphy, sendo colorizada por Matt Hollingsworth e escrita por Rick Remender. Todavia, indo muito mais além dessa questão tecnológica e estilo gráfico, temos uma humanidade que sofreu com mudanças climáticas e que perdeu quase toda sua ética e moral. Pelo menos é isso que se vê nas Ilhas de Los Angeles, onde parte da história se passa.

A Darkside trouxe uma edição de luxo contendo todos os 10 volumes de Tokyo Ghost em uma versão toda trabalhada em capa dura e com páginas de conteúdo artístico extra ao final. Vale ressaltar também que se trata de uma graphic novel adulta devido ao seu conteúdo.

Uma libertação das amarras tecnológicas

O início da história pode parecer um pouco confuso, partindo de dois pontos narrativos que, pouco tempo depois, se convergem. Além disso, as imagens e os detalhes que estão inseridos nela colaboram para que você fique imerso no enredo, correndo o risco de esquecer de virar a página. É muito fácil você se imaginar em meio aquele turbilhão tecnológico e mundo futuro alternativo que nos é apresentado.

Mas Tokyo Ghost nos apresenta a história de Debbie Decay e Led Dent (vulgo Teddy Denis) em meio às Ilhas de Los Angeles. É uma cidade tomada pela tecnologia imersiva, capaz de deixar toda a população “passiva” mediante a entrega de entretimento incessante. Estando completamente sob o controle de poderosos que olham a tudo por de trás dos monitores, a cidade é uma exemplo do buraco onde a humanidade se enfiou. A ética e o respeito desapareceram, bem como os animais, o céu claro e a água limpa. A comida é escassa e as desigualdades absurdas.

Tokyo Ghost - Rick Remender -  Ameaças de um futuro tecnológico

No meio disso tudo Debbie tenta seguir com seu objetivo de conseguir sair desse buraco e ir para um dos poucos lugares do mundo que são “zero-tech”: Tokyo. Dessa forma, ela poderia libertar também Led, que se tornou delegado e cão de guarda do dono da cidade, ficando completamente dependente dos nanopac. Estes, por sua vez, são uma tecnologia capaz de conceder força, agilidade e imunidade a dor a quem os tem injetado em seu corpo. Mas também são utilizados na conexão de rede e para manter a população plugada e passiva.

Muito mais que sangue e lutas absurdas… Tokyo Ghost é um alerta sobre tecnologia.

Tokyo Ghost vai além das lutas e cenas de ação intensas que vemos em suas páginas. Ela também flui às margens de absurdos aos quais a humanidade poderia cursar seu rumo. Tanto que muito do que é retratado pode ser visto hoje como um absurdo, uma completa falta de ética e moral. Inclusive, achei algumas cenas muito fortes e intensas, algo que não esperava que fosse mostrado ou abordado pelos autores. Portanto, é uma história adulta, uma vez que é capaz de impactar e muito os seus pensamentos.

E de fato Tokyo Ghost faz isso. E não apenas com as cenas. Os diálogos apresentados em determinados momentos parecem transmitir lições de moral para a humanidade de uma maneira ampla. A impressão que tive é de que parece ser um sermão sendo passado para todos nós, pois continuamos errando e não aprendendo. Continuamos sendo egoístas, mesquinhos e maldosos, não só para com o próximo, como também para com a natureza e o mundo.

Tanto que há na história o contraponto do desenvolvimento humano acima de tudo, sobrepujando tudo; enquanto na outra ponta temos os benefícios plenos de se encontrar em harmonia com o mundo em que surgimos e habitamos. E como se não fosse suficiente, ainda há diálogos que retratam a maneira como nos comportamos com nós mesmos. De um para com o outro, apresentando críticas a maneira como facilmente um ser humano pode agir de maneira deplorável com o outro ao seu lado para ter tudo o que quer.

Tokyo Ghost - Rick Remender -  Ameaças de um futuro tecnológico

Ameaças de um futuro tecnológico

“Amor, generosidade, afeto, simpatia e piedade são os maiores atributos da alma humana. O maior requisito de um governante é a benevolência.”

Kazumi Sensei

“Poluímos justamente aquilo de que mais precisamos – destruímos a simplicidade em cuja perfeição fomos pensados para viver. Ao negar esta conexão, adoecemos.”

Kazumi Sensei

Não se trata de uma história para ser vista como um mero HQ. Muito do que é mostrado ali, como um cenário possível para o futuro da humanidade, em partes está acontecendo no mundo real. A intensidade das tecnologias às quais temos acesso, suas funcionalidades, facilidades e a forma como elas nos alienam. Enquanto que por outro lado também nos colocam uma certa passividade, a qual em alguns momentos beiram o absurdo. Vamos de exemplo? Algo grave está ocorrendo, a primeira coisa que muitos fazem é sacar o celular do bolso e começar a gravar para postar logo depois. Então, o que impediria de caminharmos disso para o que é mostrado em Tokyo Ghost? Considerando nossa realidade, claro!

Portanto, vejo a história apresentada aqui com esse olhar também. É uma leitura impactante como já citei antes, porém muito relevante e serve para chamar a atenção para os absurdos aos quais nossa sociedade pode ficar exposta.

Tokyo Ghost
Rick Remender
Darkside Books
272

lhas de Los Angeles, 2089. O planeta foi tomado pelos oceanos, mas a água é tão poluída que dissolve a pele. A humanidade está viciada em tecnologia em níveis inimagináveis, mesmo para os tempos em que vivemos hoje. A grande maioria, desempregada e famélica, vive em busca da alienação e um pouco de paz que o “barato” digital proporciona. Mesmo que para isso os tecnoiados precisem roubar e matar. Todo mundo anda ocupado em evitar a realidade, enfurnado nos antros do ópio eletrônico, cujo monopólio está nas mãos de gângsteres comandados pelo famigerado Flak. E como em todo comércio que envolve viciados, os problemas não são poucos. Para enquadrar os tecnoiados, cobrar dívidas e eliminar aqueles que incomodam além da conta, Flak e seus adeptos recorrem à dupla de delegados Debbie Decay e Led Dent, assassinos cruéis. Debbie, porém, nunca se rendeu ao vício digital, exceção das exceções, uma autêntica zero-tec. A dupla está prestes a cumprir uma missão longe da miserável Los Angeles. O objetivo: derrubar o último país que ainda não se rendeu ao mundo uberconectado, os Jardins Verdejantes de Tóquio. Muitos podem achar irônico ver um dos países mais tecnológicos ser transformado em bastião ecológico, mas não custa lembrar da milenar tradição de sua cultura, imersa na ética e na sabedoria dos samurais, que se faz presente e tem papel fundamental no enredo

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