Romance

Os irmãos karamázov – Fiódor Dostoiévski

Nem acredito que farei a resenha de um dos livros mais famosos do Dostoiévski: Os irmãos KaranázovAntes de começar essa publicação fiz uma breve pesquisa e vi que muitos estudiosos afirmaram que Dostoiévski escreveu todos os livros anteriores como se fosse um rascunho; Que nesse livro temos uma síntese de todos os outros temas já abordados pelo autor.

Confesso que antes me jogar nessa leitura, eu ali apenas “Crime e Castigo”. Comecei a ler “O idiota”, mas nem lembro porquê abandonei a leitura.  O Livro tem quase mil páginas e o li em 2 meses. Pensei que iria levar mais tempo e que teria dificuldades com a tradução, mas fluiu muito bem. Inclusive preciso elogiar o trabalho de diagramação da Martin Claret, pois o livro está lindo e vale a pena ter na estante.

Os Irmãos Karamázov é o último romance de Dostoiévski. No fundo, ele resume toda a criatividade do escritor, trazendo à baila as “malditas” questões existenciais que o afligiram a vida inteira, com especial relevo para a flagrante degradação moral da humanidade afastada dos ideais cristãos. Cheia de peripécias, a narrativa põe em foco três protagonistas irmãos, representantes dos mais diversos aspectos da realidade russa – o libertino Dmítri, o niilista Ivan e o sublime Aliocha -, afim de alumiar as profundezas insondáveis do coração entregue ao pecado, corrompido por dúvidas ou transbordante de amor.

A história começa contando como surgiu a família Karamázov. Nós vamos conhecer o “papai” Karamázov; Um libertino (vivia bebendo, gastando dinheiro com mulheres, jogando) que um dia decide se casar e dessa união nasceu o seu primeiro filho Dimitri. Sua esposa morre e ele acaba deixando o seu filho de lado.  Dimitri cresceu aos cuidados do Gregório (um criado) e depois foi enviado para seus protetores O papai Karamázov se casou novamente e teve mais dois filhos (Ivan e Aliocha). Sua segunda esposa acaba morrendo e seus dois filhos acabam tendo um destino semelhante ao de Dimitri.

Alguns anos depois, os irmãos voltam para a cidade com a intenção de se encontrar com o pai deles. O Dimitri (mais velho) retorna porque queria o dinheiro da herança que era dele por direito. Já Ivan era um estudante (e até agora não entendi porque ele voltou para ver o pai). E por fim, Aliocha estava em um mosteiro e decide “conhecê-lo“.

Quem mente para si mesmo e dá ouvidos à própria mentira chega a um ponto em que não distingue nenhuma verdade nem em si, nem nos outros e, portanto , passa a desrespeitar a si mesmo e aos demais.

O encontro familiar não foi um dos melhores, pois sempre rolava uma discussão, Dimitri sempre deixava exposto que não gostava de seu pai. Na cabeça dele, seu pai estava lhe roubando e para piorar a situação, eles acabaram se apaixonaram pela mesma mulher. O problema é que depois de muita briga e desentendimento, o papai Karamázov é assassinado e todas as suspeitas caíram em cima de Dimitri (Porém não é segredo para o leitor que todos tinham um motivo para não gostar do Papai Karamázov) e é a partir desse parricídio que a história se desenvolve.

Muitas vezes, as pessoas, mesmo más, são mais ingênuas, mais simples do que o pensamos.

Não quero soltar nenhuma informação que atrapalhe a sua experiência com a leitura, mas quero que conheça a personalidade de cada irmão. Vou tentar falar de uma forma mais interativa e quem sabe assim não te convenço a ler esta obra-prima.

1) Dimitri Karamázov, Mítia ou Mítienka

Mitia é o irmão mais velho. Mitenka é um apaixonado completo. Ele é impulsivo, escandaloso e muito atrapalhado, diria que é a cópia do pai: vivia somente para seu próprio prazer. Noivo de uma mulher (Caterina Ivánovna), mas apaixonado por outra (Grúchenka). Para você entender:  ela é o grande amor do Fiódor Karamázov (pai de Mitia) e os dois acabam disputando o amor dela em brigas e ameaças de morte. A parte óbvia é que o mais velho não sairá com vida.

2) Ivan Karamázov, Vânia ou Vanka

Ivan é o irmão do meio. E já antecipo que me apaixonei por ele. Vanka é manipulador e acaba se tornando um intelectual e publicando artigos aclamados em vários jornais importantes. Eu demorei para entender o papel dele na história. Ele é ateu e ri dos de fé fervorosa. Ama Caterina (a noiva do irmão mais velho) e por mais que ela mostre sentir o mesmo, ignora esse sentimento e enxerga nele um amigo.

Ivan tem um relacionamento hostil com Smierdákov (criado da família que não dá pra confiar). O filho do meio- na minha opinião– é o melhor personagem da história. Minha cena favorita é quando ele tem um encontro com o diabo em uma alucinação doente.

3) Alieksiêi Karamázov, Aliócha ou Alióchchenka

Até agora não consegui entender como um rapaz tão puro faz parte de uma família tão problemática. No começo do livro ele vive em um convento praticando sua fé; até que seu mestre o manda sair e viver a vida. Seu papel é acalmar a família. Aliocha sabe dizer as palavras certas e resolver os problemas dos outros. Quando seu pai morre, ele defende Dimitri, pois acredita em sua inocência.

O livro aborda muito sobre a fé: “Deus existe, ou não existe?” . E todos os personagens em algum momento vão discutir sobre essa questão religiosa. Por isso não peguem “birra” do livro caso você seja ateu ou acredite em Deus. Você encontrará vários personagens defendendo o seu ponto de vista. Então eu sugiro que leia a história com a mente aberta.

Ele [Ivan Karamázov] declarou em tom solene que em toda a face da Terra não existe absolutamente nada que obrigue os homens a amarem seus semelhantes, que essa lei da natureza, que reza que o homem ame a humanidade, não existe em absoluto e que, se até hoje existiu o amor na Terra, este não se deveu a lei natural, mas tão-só ao fato de que os homens acreditavam na própria imortalidade. Ivan Fiodorovitch acrescentou […] que é nisso que consiste toda a lei natural, de sorte que, destruindo-se nos homens a fé em sua imortalidade, neles se exaure de imediato não só o amor como também toda e qualquer força para que continue a vida no mundo. E mais: então não haverá mais nada amoral, tudo será permitido, até a antropofagia. Mas isso ainda é pouco, ele concluiu afirmando que, para cada indivíduo particular, por exemplo, como nós aqui, que não acredita em Deus nem na própria imortalidade, a lei moral da natureza deve ser imediatamente convertida no oposto total da lei religiosa anterior, e que o egoísmo, chegando até ao crime, não só deve ser permitido ao homem, mas até mesmo reconhecido como a saída indispensável, a mais racional e quase a mais nobre…”  – Um conselho: Quando lerem e chegarem na parte do “O Grande inquisidor” admire o conteúdo e o jeito que Ivan fala sobre seu ponto de vista em forma de poema para seu irmão Aliocha.

 

A parte que eu mais gostei foi a do julgamento. Achei os joguinhos entre o promotor e o advogado de defesa sensacional.

Enfim, o livro me prendeu porquê Dostoiévski soube colocar e retirar os personagens de cena. Quando você sente falta de um personagem ele aparece novamente na história. Sem falar da forma que ele os descreve sem a gente saber se tem algo a ver com a trama. Até por que não há nada mais entendiante do que ler um livro e não se interessar por alguns personagens. E nesse livro eu me interessei por todos e quis saber o destino de cada um deles.

Nem sei mais o que dizer, só sentir: Depressão pós leitura.

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27 comentários

Thamyres Ederli 14 de setembro de 2018 at 12:59

Vânia é sem dúvida o melhor personagem, me identifico muito com ele. Particularmente amo literatura russa e acho esse livro de uma presença de espírito inigualável. A primeira vez que eu tentei ler eu tinha 10 anos, preciso nem dizer que não consegui hahaha. Depois, no ensino médio eu tive que ler, desde então esse é o meu livro favorito, junto com “e o vento levou” , leio pelo menos uma vez por ano!

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Clayci 14 de setembro de 2018 at 20:15

Ahhh alguém que conheço que leu esse livrão da porra hauhauahuhauhauah
Eu tbm gosto muito desse personagem e da visão que ele tem.
Preciso ler mais russos, faz tempo que não pego um e as leituras são tão gostosas.

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Proinsias 5 de maio de 2017 at 11:15

A editora Martin Claret já foi acusada e CONDENADA por plágio e diversas outras maracutaias, o que torna seus livros suspeitos. Opte sempre pela 34 ou Cosac Naify quando se trata de literatura russa; a qualidade da tradução é altíssima e as edições são impecáveis.

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Thiago Ribeiro 25 de julho de 2016 at 20:47

Dostoiévski pra mim é um gênio! Eu tô no V livro do II Tombo da Claret e tô amando a trajetória dos ilustres irmãos Karamázov.
Eu já li “Crime e Castigo” “Humilhado e Ofendidos” “O Idiota” “O Jogador” “Memórias do Subsolo” e “Noites Brancas” Quero ler todos! Eu imaginava dois irmãos, não sei bem o motivo, mas os três andarilhos (no sentido de se deslocarem mesmo, mas principalmente no campo metafísico, filosófico. Isso me compõem um balé que nem Baryshnikov seria capaz de reproduzir em grande escala. Esse livro me fez refletir e meditar em muitas questão! A afirmação de que todo russo é filósofo não poderia encontrar melhor morada. É impressionante o quão complexas, frustradas,determinadas, e fracas também.. enfim, o quão humanas, no sentido mais abrangente que possa ter, essas personagens o são. O pedantismo passa longe dessas personagens,a não ser quando é intencional do próprio autor. Não me vejo falando muitas daquelas frases e conceitos naturalmente como eles, entretanto, me soam tão familiares que não me surpreendo ao ouvi-las. Como disse eu tô no V livro do II Tombo e já acho tudo isso, ao final verei se me surpreenderei ainda mais com algumas outras questões do autor e claro dos personagens.

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Clayci 28 de julho de 2016 at 15:41

Oi, Thiago!
Quero muito iniciar a leitura de “Humilhado e Ofendidos” ainda esta ano.. <3

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Alexo 26 de novembro de 2016 at 12:04

Oie, tenho me aventurado tambem por esses meandros .

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elaine reis 6 de agosto de 2015 at 10:01

Huuuuuuuu, estou sentindo o cheiro de resenha de livro lindo e novo no ar, rsrrsrsrrs…

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Clayci 10 de agosto de 2015 at 18:48

Assim espero hahahahaha

Beijos

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elaine reis 5 de agosto de 2015 at 20:41

Também sou uma fã declarada do Dostoiévski e li, Os Irmãos Karamázov, recentemente. Optei pela Editora 34, por acreditar na fidelidade da tradução direto do russo, todavia, independente dessa questão, o importante mesmo é se aventurar nas águas viscerais desse grande mestre. Parabéns pelo texto!! Abração 🙂

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Clayci 6 de agosto de 2015 at 09:30

Eu gostei bastante da tradução da Claret, mas é como vc disse o importante é se aventurar.
Quero ler mais livros dele, a mesma editora desse livro lançou o Crime e Castigo com uma capa linda e estou namorando *_*

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Proinsias 5 de maio de 2017 at 11:15

A editora Martin Claret já foi acusada e CONDENADA por plágio e diversas outras maracutaias, o que torna seus livros suspeitos. Opte sempre pela 34 ou Cosac Naify quando se trata de literatura russa; a qualidade da tradução é altíssima e as edições são impecáveis.

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Sai da Minha Lente Retrospectiva: SDML - Sai da Minha Lente 19 de dezembro de 2014 at 15:33

[…] Depois de muito pensar, fico com “Os irmãos Karamázov” do Dostoiévski (fiz resenha aqui). Esse livro fez com eu refletisse melhor sobre a fé na humanidade, pois ele abordou muito a […]

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Patty 15 de setembro de 2014 at 19:18

Vi uma edição LIN-DA desse livro pra vender na cultura e só não levei pra casa porque tava muy cara, mas sou louca pra ler!

PS: ESSA CAPIVARA NA FOTO HUEHUEHUEHUEHUHEE linda <3

beijocas

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saidamin 16 de setembro de 2014 at 12:48

Será que é a mesma que eu vi? Comprei essa edição por um preço bem bacana na sub…

Beijos

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Carla 15 de setembro de 2014 at 09:47

Fiquei com vontade de ler, mas tudo isso de página (olha a preguiça falando mais alto hahha)

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saidamin 16 de setembro de 2014 at 12:51

Ahhhh para com isso hahahah, leia sim

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Luiz 15 de setembro de 2014 at 09:46

Sempre fiquei com pé atrás pra ler esse livro, justamente por ter essa discussão religiosa, sou muito crítico e acredito que pegaria raiva da história

Excelente resenha!

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Thiago 15 de setembro de 2014 at 09:32

Grande obra, achei sua resenha divertida e é bem assim mesmo a descrição dos irmãos, ainda prefiro o Aliocha e acredito que foi o personagem que melhor se desenvolveu no trama.
Beijos, Clayci.

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saidamin 16 de setembro de 2014 at 12:51

Aliocha é um fofo hahaha mas ainda fico com o Ivan rs

Beijos, Thiago!

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maah music 15 de setembro de 2014 at 01:11

Adoro seu blog por isso. Sempre me faz ficar com vontade de ler algo muito bom, e suas dicas são ótimas! \o

piro no seu twitter rs
Beijo grande,

Veja a última novidade do blog e me diga sua opinião!

Maah Music – Você já conhece Dengaz? .

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Alessandra Mess 14 de setembro de 2014 at 22:35

Já ouvi falar, queridona!
Mas ainda não lí, fiquei super afim, foi pra listinha!
Beijocas,
Mess.

http://www.workingmachine.nu/

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Poly 14 de setembro de 2014 at 21:37

Que lugar lindo para se fazer uma resenha/ler *o*
Nunca li nada de Dostoiévski, mas hoje mesmo vi ótimos comentários sobre o autor. Fiquei realmente curiosa em ler.
Gostei da capa e da lombada do livro, me atraíram para a leitura hehe
Bjuxxxx

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Tamy 14 de setembro de 2014 at 20:33

Nunca li, mas pow só com essa resenha e essa capa de livro dá pra abrir na boa o site da livraria! HAHAHAHA
Beijos Clay,
Tamy | http://www.descoladavida.com

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Bianca 14 de setembro de 2014 at 19:02

Não conhecia esse livro, mas fiquei com vontade de ler depois de ver sua resenha, vou ver se encontro por aqui ^^
Beijos

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Si 14 de setembro de 2014 at 18:13

Fiquei com vontade de ler esse livro.
Infelizmente estou com alguns projetos e isso tem me impedido de ler, mas assim que eu conseguir um tempo, vou colocar esse na minha lista de leituras.
Beijos e carinhos, fica com Deus.

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Lulu on the sky 14 de setembro de 2014 at 16:20

Parece bem interessante esse livro.
já votou no blog Lulu on the sky?
Big beijos
Lulu

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chris eldridge 14 de setembro de 2014 at 16:19

Shame on me, eu nunca me dei ao luxo de ler esse livro.

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