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Fantasia: O que eu aprendi com esse gênero literário?

Fantasia: O que eu aprendi com esse gênero literário?

Se você acessar a categoria de resenhas aqui no blog irá notar que a grande maioria é de fantasia. Cresci lendo histórias do gênero e, mesmo com 30 anos nas costas, continuo lendo e procurando títulos com elementos fantasiosos. E é incrível como me sinto a vontade nesse ambiente, pois sempre faço referências e piadas pensando em algum personagem. É claro que quando faço isso, a maioria das pessoas ficam me olhando com aquela cara de “o que você está dizendo?“.

O fato é que esse gênero literário me ajudou a encarar o mundo de outra forma. Foram os lugares que não existem que me mostraram a importância e o valor da amizade. Nessas histórias, os personagens mostram a magnitude do trabalho em equipe e como devemos lidar com os nossos medos; é possível crer no amor mesmo com o mundo desabando; nos aceitar e aceitar ao próximo. E por incrível que pareça, mesmo com tantas reflexões, há um certo preconceito com esse gênero literário.

Lembro que uma vez – em uma discussão – disse que adorava Harry Potter e a pessoa quis encerrar o assunto com a argumentação de “leituras assim não contam“. Se você gosta de ler histórias do gênero, já deve estar acostumado em ter que justificar o seu gosto com frases do tipo: “mas a história é boa“, “o autor é super reconhecido“, “leio outras coisas também“, estou errada?

Fantasia: O que eu aprendi com esse gênero literário?

Eu gosto de vários gêneros literários e sempre que posso tento sair da minha zona de conforto, por isso não culpo quem não curte ler tramas assim. Há vários autores nacionais que estão investindo cada vez mais na literatura fantástica, porém a literatura no Brasil é focada em narrativas realistas. A maior parte das pessoas gostam de ler testemunhos, relatos, casos de sucesso, sobrevivência, guias e o que mais puder ser abordado com um tom mais sério. E não quero desmerecer, pois este tipo literatura serve para contestar nossa realidade e mostrar o que precisa ser denunciado, alterado, corrigido ou melhorado. No entanto, a fantasia também faz isso.

Vamos voltar para o Harry Potter? Eu amo a saga e sempre que lança alguma novidade eu vou atrás. Você pode nunca ter lido (ou assistido algum filme da franquia), contudo tenho certeza que você já deve ter escutado a respeito. Acredito que você saiba que a história é sobre bruxos, varinhas e magia, certo? Se você der uma chance pra leitura – logo no primeiro livro – verá que a autora aborda assuntos como negligência, maus tratos, preconceito e bullying. No decorrer da saga verá mais sobre exploração, escravidão, corrupção e até mesmo morte. Mas muitos ignoram pelo simples fato de ser “mágico”. Por isso quero compartilhar algumas coisas que aprendi com os livros de fantasia.

Gentileza gera Gentileza.

Parece até um dos preceitos do Auggie do livro Extraordinário, mas é a mais pura verdade. É incrível como é possível transformar o dia de uma pessoa mal humorada usando a gentileza. Em todos os livros de fantasia que eu li, teve essa preocupação com a educação. Gestos simples de solicitude pode fazer maravilhas. Fica muito mais fácil entender o próximo quando sentimos empatia pela sua história. Não vou ser a falsa moralista, pois já pisei na bola diversas vezes. Já machuquei pessoas involuntariamente por conta de comentários que eu já fiz. E só me dei conta do erro quando me coloquei no lugar dela. O mundo seria um lugar bem melhor se todos fizessem isso.

Trabalho em equipe.

Sabe aqueles trabalhos em grupo que os professores costumam pedir? Sempre tem um que não faz nada e pede apenas para colocar o nome na hora de entrega. O objetivo desses trabalhos é dividir tarefas e mostrar que todos podem participar de alguma forma. Eu sou muito apaixonada por Rangers ordem dos arqueiros e acho incrível como o autor trabalha isso nos 12 livros da saga. Esse tipo de relação é fundamental para que qualquer tarefa seja feita com dedicação e determinação. Saber o que a outra pessoa está pensando, agir de forma simultânea, mostrar suas habilidades, ajudar quem tem mais dificuldade. Tudo pelo mesmo objetivo.

Não somos totalmente bons ou ruins.

Não é porque é fantasia que os personagens são perfeitos. Assim como eles, temos qualidades e defeitos. Nos livros do Harry Potter, por exemplo, aprendemos que somos luz e sombra. E, a todo momento, fazemos a escolha do que queremos expressar. Tem uma frase do personagem Alvo Dumbledore que carrego pra vida: São as nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades”. Escolhemos quem queremos ser diante da vida.

Aceitar as diferenças.

Aceitar as diferenças é o melhor caminho para vencer o preconceito. E quase sempre vemos isso sendo abordado nos livros de fantasia. Na sociedade em que vivemos temos o direito de ser peculiar (amo essa palavra). Nos mais variados aspectos econômicos, sociais, raciais e culturais o que deve sempre ser posto em prática é a consciência. E essas histórias nos ensinam também que devemos nos amar. Não ter vergonha de quem somos.

Há sempre um ponto de vista diferente do seu.

Como trabalho com criatividade, aprendi que quanto mais diversificada a minha lista de contatos for, melhor. Conviver com pessoas que pensam diferente faz com que eu enxergue as coisas por outro ângulo. E sempre noto a preocupação do autor/autora em mostrar como devemos administrar um conflito de ideias. Todos nós somos únicos e diferentes e no meu ponto de vista esse tipo de discussão é algo positivo. Pois dessa forma conseguimos obter novas perspectivas sobre um mesmo assunto e visões diferentes que podem se complementar e dar a solução de um problema significativo.

Nossos erros do passado não podem nos definir pra sempre.

Todos nós erramos, certo? E você não deve permitir que a culpa e o arrependimento pare a sua vida. O importante é rever as suas atitudes e conceitos, sempre trabalhando para perdoar e ser perdoado. Não importa o que você tenha feito antes, mas sim como lida com isso hoje em dia.

Quem se cala diante de uma injustiça, também está sendo injusto.

Temos a liberdade de escolher como reagiremos a uma situação de conflito. Evitar é uma estratégia correta, desde que você consiga se preservar de um mal maior. Se desgastar com alguém que é inflexível em determinado assunto, por exemplo, pode não valer a pena. Mas devemos entender que existem casos em que precisamos nos manifestar e que coloca em jogo coisas mais importantes. Os nossos direitos são um exemplo. Nessas circunstâncias perdemos muito mais por não iniciar um conflito do que por evitá-lo.

E você? Gosta de fantasia?

Beijos

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comentários

  • Paula Lopes

    Eu já passei dos 30 e não me envergonho de admitir que não só leio, como meus filmes e séries favoritos também são do gênero. Há realmente muito a se aprender com a fantasia. Tenha um ótimo dia, beijos!

    Blog Paisagem de Janela
    http://www.paisagemdejanela.com

    responder
    • Clayci

      Muito obrigada Paula <3
      E concordo com vc... temos muito o que aprender com esse gênero

      responder
  • Lu SáFreire

    Oie amora! Tudo bom?
    Não li HP, mas vi todos os filmes! E amo demais. Sei que os livros são mais completos e tal, mas não consigo ler depois de já saber o fim da história rsrsrsrs, mas já li muita fantasia, até perceber que sim, esse é o gênero que mais gosto e ponto! Que se danem os bobões que acham que não é literatura, eu não me defino por eles! Li a Arma Escarlate, que é um tipo de spin off de HP que se passa no Brasil. A Renata Ventura já escreveu o segundo livro e sei que tem o projeto do terceiro. Vale a pena conhecer e tbm valorizar o trabalho nacional! Concordo com todos os pontos abordados por vc, Devíamos aprender mais com essa histórias.
    Bjão Amora

    responder
  • Larissa Zorzenone

    Oi Lindona
    Adorei o seu post. Eu já nem respondo mais quem tenta dizer que leitura de fantasia não conta. Claro que conta! Brasil é um dos países com menos índice de leitura e o povo ainda vem reclamar quando a gente lê algo que não agrada a eles. Vão a merda. Amei mesmo o seu texto. Maravilhoso.

    Vidas em Preto e Branco

    responder
  • Tatiany Salazar

    Post maravilhoso, fotos maravilhosas… PARABÉNS
    “é possível crer no amor mesmo com o mundo desabando” Essa frase me marcou nesse post, esse é um ponto que sempre percebo nos livros de fantasia, pois em meio ao caos ainda há aquele que crê no amor, isso é lindo.
    Adorei o post, simplesmente maravilhoso.

    responder
  • Camila de Moraes

    Olá!
    Fantasia não é meu gênero literário preferido, mas tenho tentado passear nesse gênero e sair da minha zona de conforto. Mas não adianta não consigo gostar de HP e Animais fantásticos.
    Porém, sempre consigo extrair algo de bom das leituras de fantasia, principalmente no quesito amizade, sempre me impressiono com a entrega de alguns personagens para salvar e ajudar o próximo.
    Dá pra aprender muito com esse tipo de leitura.
    Beijos!

    responder
    • Clayci

      Achei super legal a sua sinceridade, Ca.
      Eu gostei e HP logo de cara, mas tenho muitos amigos que não gostaram.
      Sempre recomendo Eragon rs e eles acabam gostando, já leu?

      Beijos

      responder
  • Lucy

    Oi, Clayci! Eu simplesmente amei o seu texto!
    Também curto livros de fantasia e já estou perto dos 40 (hihihi) e não me importo nem um pouco. Algumas pessoas sempre terão preconceito com esse gênero, além de muitas pessoas também ignorarem autores brasileiros de fantasia, o que é tremendamente injusto. Sempre gostei desse tipo de livro e Harry Potter foi uma das melhores coisas que surgiu nesse quesito – e ninguém me tira. rsrs
    Mais uma vez, parabéns pelo seu texto. Acredito que muitos que foram tocados por livros de fantasia se sintam como você e tenham aprendido lições tão valorosas como as que você postou aqui.
    Bjs
    Lucy – Por essas páginas

    responder
    • Clayci

      Ahhh amei o seu comentário aqui Lucy.
      Muito obrigada e concordo muito com vc.
      Tem muito autor brasileiro que merece destaque, ainda mais nesse gênero =D

      responder
  • Ana Barros

    Oi, Clayci! Adorei esse post, primeiro pq eu amo fantasia, principalmente filmes. li poucos livros dessa categoria mas carrego Harry Potter para sempre dentro de mim, cresci lendo e assistindo os filmes e eu adoro os ensinamentos que ele me trouxe. Recomendo para todo mundo e se alguém vem falar mal eu não aceito hahahah

    responder
  • Cecília

    Amei!!!

    Excelente artigo!

    Sempre com artigos excelentes, com bastante informações e dicas extraordinárias.

    Parabéns!

    responder
  • Váh

    Que post maravilhoso e cheio de amor ?
    Primeiro que você não parece ter 30 anos, segundo que eu pesquisei no seu blog sobre sua festa quando fui organizar a minha que foi dias atrás hehe 🙂
    E terceiro é que não leio livros de fantasias, mas acho que todas as lições que você aprendeu também servem para filmes de desenho e animações, não?
    Eu adoro filmes de animações, pode parecer bobagem mas sempre aprendo algo assistindo.
    Gentileza com toda certeza gera gentileza. Uma coisa que tenho colocado em prática, mesmo não sendo fácil é aprender que nossos erros do passado não podem nos definir pra sempre.
    Enfim, amei o post ?

    https://heyimwiththeband.blogspot.com/

    responder
    • Clayci

      Oi Vah..
      Primeiro que ganhei meu dia com seu comentário ahiuahuihauiahuiahuihauihaiuhaiuha

      E sim! Todas essas lições servem para outros gêneros.
      Mas achei importante falar sobre esses aprendizados no mundo da fantasia. Muita gente deixa de ler só por ser considerado algo “infantil”

      Muito obrigada <3

      responder
  • AMANDA ALMEIDA

    Oi Clayci, tudo bem?
    Acho que todo o preconceito com relação a livros de fantasia está no fato do faz de conta ser algo muito relacionado ao universo infantil. Mas, eu costumo dizer que é três vezes mais difícil escrever um livro de fantasia do que um livro que retrate nossa realidade, pelo simples fato que criar algo que não existe e fazer com que esse algo seja minimamente verossímil é uma tarefa quase impossível para uns, e de fato impossível para outros. Amo fantasia e a forma como ela nos ensina lições por meio de seus personagens e universos, então esse preconceito é simplesmente ridículo,
    Engraçado que esses tempos senti saudades de HP e fiquei com vontade de reler toda a obra, mas como ainda estou estudando resolvi matar a saudade por meio dos filmes, e como é legal. Sempre que entro em contato com o universo percebo coisas novas, um detalhe que passou despercebido.
    Gostei de mais da sua postagem, e acho que vou sempre amar livros de fantasia, mesmo quando for bem velhinha.
    bjus,
    Amanda Almeida

    responder
    • Clayci

      Nossa eu super concordo com vc.
      Tbm acredito que seja por esse motivo, pois é muito difícil criar um universo.
      Acho ridículo esse preconceito (com qualquer gênero).

      Ontem eu assisti o primeiro filme de HP ahihauiah
      Deu tanta saudade.

      Sai da Minha Lente

      responder
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