O museu das coisas intangíveis - e uma conversa sobre bipolaridade

O museu das coisas intangíveis é da autora Wendy Wunder (que também escreveu o A menina que não acredita em milagres ) e foi publicado pela editora Novo Conceito.

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SOBRE A HISTÓRIA

Vamos conhecer as duas melhores amigas Hannah e Zoe. Elas cresceram juntas e desde então são inseparáveis. Só que apesar de compartilharem seus segredos e inseguranças, as duas são muito diferentes uma da outra. Zoe chama a atenção por onde passa, enquanto Hannah faz de tudo para passar despercebida.

O que vou dizer agora pode parecer spoiler, mas não é e você notará isso logo nas primeira páginas. Zoe tem um distúrbio bipolar (esse distúrbio está associado a alterações de humor que vão da depressão a episódios de obsessão), mas não gosta do tratamento. Ela faz de tudo para fugir do hospital e Hannah tenta sempre ajudá-la quando surge alguma crise.

O museu das coisas intangíveis - e uma conversa sobre bipolaridade

Por conta desse distúrbio, Zoe tem algumas alucinações e acredita que os “alienígenas” estão chegando para mandá-la para um exoplaneta em torno de uma estrela anã entre as constelações de Cygnus e Lyra. Entretanto, tirando os pensamentos destrutivos, Zoe é uma excelente amiga e irmã. Sem falar que é uma pessoa extremamente criativa.

Seu irmão mais novo, Noah, tem a Síndrome de Asperger e assim como Zoe, adora tudo que envolve o espaço. No entanto, ele não consegue processar qualquer coisa irracional e não faz ideia como lidar com as emoções. Foi por isso que Zoe criou o “museu de coisas intangíveis” para ajudá-lo a entender sensações como medo, inveja, audácia, orgulho, verdade, perdão, vergonha e outros sentimentos que ela tenta ilustrar e definir para ele todos os dias.

MAS AS DUAS TIVERAM UMA EXPERIÊNCIA DESAGRADÁVEL

[penci_blockquote style=”style-3″ align=”none” author=”O museu das coisas intangíveis (pág.124)”]- Zoe. Preciso de contar a história do Coronel Sanders. – Quem é esse p… de Coronel Sanders? – Percebo que ela está alterada. Sei disto quando ela começa a usar demais palavras com “p” e “f”. – O cara que criou o KFC. Ele falhou mais de mil vezes com a receita original, até que finalmente deu certo. Você só falhou uma vez. Tem que continuar tentando.[/penci_blockquote]

As coisas começaram a sair do controle, quando Zoe teve uma crise e passou dias isolada dentro de casa. Enquanto Hannah tentava manter a sua rotina, descobriu que seu pai – que tem problemas com bebidas alcoólicas – roubou todas as suas economias. Ela juntava o dinheiro para a faculdade, vendendo cachorros-quentes todos os dias. Cansada dos problemas, as duas decidem viajar e se desligarem do mundo. Mas o que era para ser uma experiência divertida, acabou se complicando.

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O QUE EU ACHEI DO LIVRO “O MUSEU DAS COISAS INTANGÍVEIS”

O museu das coisas intangíveis - e uma conversa sobre bipolaridade

Não estava tão animada por este lançamento, mas isso porque não gostei tanto da leitura de “A menina que não acredita em milagres” Porém quis dar uma chance para essa nova história, já que a sinopse é bem atrativa. Pensei que o foco do livro seria a doença de Noah, mas não é bem assim.

Pela primeira vez, tive contato com um personagem bipolar. Admito que gostei da proposta do livro e da cumplicidade entre as duas amigas. Contudo algumas coisas me incomodaram porque achei irresponsável como uma doença tão séria foi abordada pela autora. Não estou dizendo que ela não tratou o assunto com seriedade, mas que criou uma personagem que lidou com um certo descaso o problema da amiga.

UM POUCO SOBRE A DOENÇA BIPOLAR

A bipolaridade é uma doença psiquiátrica caracterizada por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e manias As crises podem ser graves, moderadas ou leves e possuí tratamento. Gosto de livros que abordam distúrbios psicológicos, eles são informativos e ajudam apresentar determinados problemas para o leitor. Mas acho que isso deve ser trabalhado com cuidado.

O museu das coisas intangíveis - e uma conversa sobre bipolaridade

Quando finalizei a leitura, senti que as coisas poderiam ser diferentes se Hannah tivesse sido mais responsável em suas atitudes. Sei que estou falando de duas adolescentes, mas em todo momento, Hannah, se mostrou madura suficiente em suas decisões e análises. Muitas coisas ficaram em aberto e a autora não se aprofundou em questões que mereciam mais atenção.

Hannah também tinha os seus problemas familiares e preciso admitir que as duas amigas são fortes e determinadas. Depois que as duas caíram na estrada, senti que seria a oportunidade perfeita para Hannah ajudar a sua melhor amiga. Acreditei que com essa viagem, Hannah iria convencer Zoe de que ela realmente precisava de ajuda profissional. Entretanto, de repente, vi as duas se meterem em encrencas desnecessárias. Do nada elas estavam roubando lojas, mentindo, fugindo e colocando a vida em risco.

Em vários momentos Zoe deixou claro que seu psiquiatra alertou que ela era um perigo para si mesma e que por isso precisava de ajuda. Assim como em uma de suas alucinações, ela admitiu que faria algo contra ela mesma. Enfim, finalizei a leitura com vontade de jogar o livro na parede. Mas não serei tão injusta porque ele foi bem escrito e teve momentos de descontração.

Apenas achei que a autora poderia ter aproveitado melhor o enredo e apresentado essa doença de uma outra forma.