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O jardim das borboletas – Dot Hutchison

Apesar de ter concluído a leitura de “O jardim das borboletas” em menos de 2 dias,, só agora que eu consegui trazer a minha opinião no blog. Demorei para conseguir digerir e encontrar palavras para expressar o que senti enquanto lia.

SOBRE A HISTÓRIA

Ao ler a descrição do jardim pode ser que você se apaixone pelo lugar, pois se trata de uma área colorida, linda e agradável aos olhos. Entretanto, ao conhecer a verdade por trás dessa beleza, provavelmente você irá sofrer. Nesse jardim estão as borboletas selecionadas a dedo. O “jardineiro” escolhe com cuidado a “espécie” que irá embelezar o local. Cada borboleta capturada é colocada em uma nova realidade; Recebe uma nova identidade e vive confinada nessa paisagem. Esqueci de mencionar que essas borboletas, na verdade, são garotas sequestradas e obrigadas a usar uma “fantasia” assustadora para satisfazer este jardineiro. Elas vivem em cativeiro, são torturadas e abusadas diariamente.

Maya é uma dessas borboletas. Ela foi capturada nas ruas de Nova York e levada para o tal “Jardim das Borboletas”. Por ser uma das sobreviventes, a jovem será a responsável por narrar e descrever tudo o que acontecia nesse jardim para os agentes responsáveis pelo caso. O que posso adiantar é que tudo naquele local é assustador demais. E o mais incrível é que esse cativeiro existia há décadas. Todas as meninas sequestradas, logo que entravam no jardim, recebiam uma marca na pele. Elas eram tatuadas durante o “processo de adaptação” e logo que a sessão de tatuagem terminava, eram estupradas pela primeira vez.

O jardim das borboletas - Dot Hutchison

A pessoa que você é não se resume em um nome, mas sim em uma história e eu preciso conhecer a sua.

Assim como as borboletas, elas também tinham vidas curtas. Depois de se adaptarem, descobriam que em um determinado período lá dentro, seriam mortas e expostas em um vidro para a coleção do jardineiro. As garotas vivem sob pressão psicológica e por terem medo de morrer, fazem o que ele (ou até mesmo o seu filho) manda.

O jardineiro possui família e um dos seus filhos ajuda a “cuidar” desse jardim. Assim como o pai, Avery, abusa das meninas; só que a diferença entre eles é que Avery consegue ser ainda pior, pois ele machuca e algumas não conseguiram resistir a intensidade da tortura. Enquanto Maya narra a sua história dentro do jardim, vamos notando frieza em seu relato.

Isso tudo porque a jovem não tinha um passado para se orgulhar. Desde criança foi negligenciada pelos pais, além de conviver com pessoas horríveis na sua infância. Ela foi exposta a vários perigos e traumas; então aprendeu desde cedo a se virar sozinha e a não confiar em ninguém. Desta forma pode ser que você estranhe o comportamento da jovem ao chegar no jardim. Ela não chorou, não se desesperou e assumiu uma postura diferente das demais borboletas. Mesmo não querendo, Maya se tornou a favorita do jardineiro.

O jardim das borboletas - Dot Hutchison

À noite, o Jardim era um lugar de sombras e luar, onde se podia ouvir com mais clareza todas as ilusões que o transformavam naquilo que era. Durante o dia havia conversas e movimento, às vezes jogos ou canções, e isso disfarçava o som dos canos a transportarem água e nutrientes através dos canteiros, das ventoinhas que faziam circular o ar. À noite, a criatura que era o Jardim largava a sua pele sintética para revelar o esqueleto por debaixo.

MINHA OPINIÃO

Sempre sinto receio ao iniciar uma leitura que aborda um tema tão pesado. Contudo, O jardim das borboletas prendeu a minha atenção logo na primeira página. É claro que Maya foi a responsável por isso, pois no inicio já dá pra sentir a sua frieza ao conversar com os policiais.

A autora conseguiu desenvolver a história tão bem que não senti vontade de largar o livro. Ele é instigante, perturbador, incômodo. A forma com que a personagem narra a sua estadia no jardim foi tão real, que me senti envolvida e sofri junto com os seus desabafos. Sem falar que a autora criou diálogos tão incríveis, que eu me senti dentro da sala participando do interrogatório.

Sobre o jardineiro, não quero dar spoilers, mas ver a naturalidade com que ele tratava as borboletas me deixou admirada. Para ele (e seu filho) era uma atitude normal e que estava fazendo um bem para todas elas. Ele realmente acreditava que aquilo que sentia era amor. Maya é uma jovem muito interessante. Ela ganha a confiança das meninas e acaba se tornando uma “mãe” para elas, pois faz de tudo para protegê-las. A jovem tem um segredo e este só será revelado no final. Porém achei que a autora exagerou nesse mistério, mesmo reconhecendo que o segredo é tão terrível quanto todo o resto.

O jardim das borboletas - Dot Hutchison

É uma leitura que recomendo bastante. No entanto é importante salientar a frieza da autora na hora de desenvolver o enredo. Ela não detalha as cenas de estupro (e nem é preciso), apenas deixa a perspectiva subentendida.  Na história são abordados assuntos pesados como estupro, pedofilia e síndrome de estocolmo. Então se você não está passando por uma fase legal, recomendo aguardar e ler a história em outro momento. Este livro pode mexer com o seu psicológico.

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O Jardim das Borboletas Book Cover O Jardim das Borboletas
Dot Hutchison
Suspense
Editora Planeta
304

Sinopse: Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro. Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas... e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.

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12 comentários

Raquel 12 de abril de 2018 at 09:45

Oi,
Nossa tô pasma aqui, comecei lendo sua resenha achando que esse livro seria de um romance ou poesia e me deparo com isso,chegou a me dar “coisas”, menina que leitura é essa? Como você disse parece ser bem densa mesmo, lembrei de um livro que li nesse estilo “Identidade Roubada”, muito bom recomendo, mas que como você comentou é necessário estar no momento certo para ler esse tipo de coisa para não se deixar abalar, parece um livro bem frio que traz uma realidade viceral sobre acontecimentos que nos deixam chocados.Com certeza, vou adicionar a minha lista, porém como você comentou preciso estar no momento certo para ler. Gostei da dica, parabéns pela resenha.
Beijos
Raquel Machado
Leitura Kriativa
http://leiturakriativa.blogspot.com

Resposta
Clayci 15 de abril de 2018 at 15:15

Não conhecia esta obra, Raquel. Mas já anotei a sua dica e adicionei na minha lista.
Realmente é uma leitura intensa, mas importante. Assim que tiver oportunidade, leia..

Beijão <3

Resposta
Marijleite 10 de abril de 2018 at 17:44

Olá, estava curiosa para ver o que você ia achar desse livro. É uma leitura que quero fazer, apesar do tema pesado. Gostei de saber que não dava vontade de largar o livro.

Resposta
Clayci 11 de abril de 2018 at 13:38

A vontade de saber o que ia acontecer no final era tanta, que nem consegui largar hhahahah <3

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Cabine de Leitura 9 de abril de 2018 at 16:40

Sou louca para ler esse livro, mas confesso ter os dois pés atrás com essa borboleta Maya. Já li diversas resenhas e em nehuma delas confiei 100% na personagem, preciso mesmo ler para descobrir o que é. As resenhas que leio sobre o livro já me prendem a atenção, então acredito que a leitura do livro fará o mesmo. Com a proposta tão forte da obra eu fico me roendo para tal leitura, quero mesmo faze-lá. As fotos ficaram lindas e mostra bem a beleza da edição, parabéns.

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Clayci 11 de abril de 2018 at 13:44

Leia sim! Ela é misteriosa, mas vc acaba gostando dela e admirando sua força <3

Resposta
Fernanda Santos Barroso 8 de abril de 2018 at 23:20

Oi!
Menina, eu estou realmente curiosa sobre esse livro. Não costumo ler histórias que abordem esse tema, porque realmente acabo ficando muito mal, mas, por algum motivo, esse é um que eu fiquei curiosa e algo me diz que apesar de ficar mal, eu ia “gostar” (por falta de palavra melhor).
Adorei sua resenha e a dica.
Abraços

Resposta
Clayci 11 de abril de 2018 at 13:48

Eu recomendo a leitura! Confesso que teve algumas cenas que me deixaram mal, mas não por ter detalhes e sim por saber o que acontece, sabe? rs Difícil ser clara.. Mas espero que vc curta a leitura.

Beijos

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Caverna Literária 7 de abril de 2018 at 14:08

Oi, Clayci!

Não fazia ideia que esse livro era tão forte assim! A capa é linda, e a história me interessou bastante, deve ser um livro que faz o leitor passar por milhões de emoções e torcer pela liberdade das “borboletas”. Imagino que o fato de a autora retratar tudo com frieza, sem minimizar a gravidade da situação, deva incomodar alguns leitores, mas as vezes uma narração assim se faz necessária. Ótima resenha!!

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br

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Clayci 11 de abril de 2018 at 14:37

Oi Carol..
Acho que eu não soube me expressar nessa parte sobre a frieza por parte da autora, mas é exatamente isso que vc disse. É justamente para não romantizar e mostrar a realidade (mesmo sendo uma ficção) que muitas vivem =/

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Dai Castro 6 de abril de 2018 at 19:15

O tema é realmente bem pesado, mas acho que também é aquele tipo de história que a gente não consegue mais largar, né? Preciso conhecer!

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Clayci 19 de abril de 2018 at 15:14

Nossa eu não via a hora de finalizar a leitura.
Como os capítulos são curtos eu ficava naquele de “só mais um.. só mais um hauhaiuahui”

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