O fim da Eternidade – Isaac Asimov (até aonde o homem pode chegar)

por Diego Lorenzo
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Há um tempo não lia uma ficção científica, então resolvi pegar um dos livros do russo Isaac Asimov. O Fim da Eternidade é um dos mais de 500 livros que ele escreveu e envolve em sua totalidade a viagem no tempo. Porém O Fim da Eternidade vai além, com ideias muito aquém do seu tempo, pois Asimov elabora não só um ambiente extremamente futurista e quase improvável, como também conceitos, linguagem, aparelhos e questões filosóficas muito mais profundas.

Eternidade – Até aonde o homem pode chegar

A história é centrada na vida de Andrew Harlan, um Eterno. Os Eternos são seres humanos que possuem controle sobre a viagem no tempo, mais precisamente entre os séculos. Vivendo em um campo temporal, é uma seleta sociedade patriarcal. Porque, em síntese, é composta apenas por homens, com raras e excepcionais presenças de mulheres que apenas são companheiras de alguns poucos. Isto já me incomodou de início. Entretanto, é preciso compreender a época e criação do autor da história, infelizmente.

A sociedade dos Eternos é dividida hierarquicamente e nela, Harlan é um Técnico. Um excelente técnico por sinal, senão o melhor deles. Especialista em Mudança Mínima Necessária (MMN). Mas do que se trata isso? Bem, em O Fim da Eternidade, MMN é a menor alteração que pode ser feita em algum momento no Tempo, para que transforme a Realidade. Portanto, os Eternos além de terem controle sobre as viagens temporais, também estudam e controlam acontecimentos para manter uma Realidade favorável (para quem?). Eles possuem conhecimentos matemáticos para calcular as mais infindáveis probabilidades de existência.

Todavia, as coisas começam a sair um pouco de controle quando Harlan é convocado para uma missão pelo Computador Senior Twissel, tendo de se reportar antes ao Computador Finge. Ao mesmo tempo se depara com Noys, uma Tempista (aqueles que vivem no mundo comum), por quem fica abalado emocionalmente; e também tem de ser instrutor de um Aprendiz: Cooper. Consequentemente, temos 4 núcleos de história orbitando entre si, causando alterações um nos outros e nos deixando pensativo sobre o que realmente está acontecendo e quem tem partido e responsabilidade em cada situação.

Constante alteração de realidade

Assim como na história, onde os séculos podem sofrer com Mudanças de Realidade, a história parece seguir a mesma premissa. Conforme temos fatos novos surgindo, nossa visão acerca dos personagens e dos acontecimentos também vão sofrendo alterações. Isso chega a tal ponto que, começamos a nos questionar… o que realmente está se passando aqui, quem está com a razão e por quê? Qual a verdade de fato? E o pior é que você pode até ficar um pouco perdido de início, mas com um pouco mais de esforço as peças começam a se encaixar.

Não digo que as surpresas são grandiosas, mas alguns pontos me foram inesperados. Enquanto outros acabaram sendo presumíveis. De fácil adivinhação devido ao que foi apresentado. E devo dizer que isso é o que me atraiu na leitura, pois no começo há uma morosidade muito grande, quase que burocrática dos Eternos. As cenas são muito bem detalhadas e apresentadas, porém incorrem em uma lentidão no correr dos parágrafos. O que muda completamente após a metade da história, então aguente firme até lá.

O fim de Eternindade - Isaac Asimov (até aonde o homem pode chegar)

Também devo dizer que não gostei da forma como a personagem feminina foi tratada, principalmente porque… bom, se eu falar, acabarei dando spoilers, mas em certos momentos eu diria que ela é colocada apenas como uma boneca, e no meu ver, o desfecho não contornou esta situação. Continuei com desgosto.

Por fim, acredito que a melhor parte esteja nos capítulos finais, pois a discussão sobre tempo e existência ganhas grandes proporções e você começa a ter seus pensamentos incomodados. Sua mente começa a ter de trabalhar de maneira crítica com o que está lendo e você se obriga a tirar alguma conclusão a respeito. Esse momento sim, gostei bastante. Portanto, recomendo a leitura de O Fim da Eternidade. Não nos esqueçamos de que as histórias de Asimov serviram de base para diversos materiais literários e cinematográficos ficcionais… eles tem um grande valor.

O fim da eternidade Book Cover O fim da eternidade
Issac Asimov
Aleph
256

De forma leve e bem-humorada, Asimov realiza questionamentos ainda bastante contemporâneos, como o comodismo do ser humano, sua evolução perante as outras espécies e a busca incessante do controle sobre a vida dos outros. A obra também propõe reflexões sobre o nosso comportamento diante das necessidades pessoais e as situações que envolvem um bem maior.
No romance, o leitor é apresentado a Andrew Harlan, um Eterno, membro de uma organização que monitora e controla o Tempo. Um técnico que lida diariamente com o destino de bilhões de pessoas no mundo inteiro: sua função é iniciar Mudanças de Realidade, ou seja, alterar o curso da História. Condicionado por um treinamento rigoroso e por uma rígida autodisciplina, Harlan aprendeu a deixar as emoções de lado na hora de fazer seu trabalho. Tudo vai bem até o dia em que ele conhece a atraente Noÿs Lambent, uma mulher que faz com que ele passe a rever seus conceitos em nome de algo tão antigo quanto o próprio tempo: o amor. Agora ele terá de arriscar tudo – não apenas seu emprego, mas sua vida a de Noÿs e até mesmo o curso da História.
Tido como um dos melhores trabalhos de Asimov, este clássico nos mostra mais uma vez por que o Bom Doutor é considerado o grande mestre da ficção científica moderna.

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9 comentários

Mari Barros 27 de junho de 2020 - 21:53

Deus meu, 500 LIVROS??

Eu nunca li nada do Issac, porém se eu tinha dúvidas que ele era genial, ela acabou de ser extinta. Não tem como um autor escrever 500 livros se não fosse incrível.

Quanto à essa obra, eu nunca li nada dele e tenho até um e-book que baixei gratuito em uma promoção da Amazon, não me recordo o nome, porém sei que tem algo a ver com aço. Eu amo viagens no tempo e toda obra que aborda isso eu já fico super curiosa para ler!

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Ana Caroline Santos 27 de junho de 2020 - 07:36

Olá, tudo bem? Nunca li nada do Isaac Asimov, admito, apesar de sempre ter ouvido falar que ele é um dos grandes nomes da ficção científica. Apesar de não ter dado spoilers, fiquei com a pulga atrás da orelha sobre o modo como trataram a personagem feminina, mas terei que ler para descobrir né?! Gosto de finais que abrem espaços para discussões, e esse parece ser o caso. Ótima resenha!
Beijos

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CRIS 23 de junho de 2020 - 16:35

Oi Diego!
Não conhecia o autor, mas fiquei estarrecida pela quantidade de livros que escreveu e ainda ser de um gênero que gosto muito . Fiquei curiosa em conhecer esse livro o enredo me parece ser instigante e sua resenha foi muito bem apresentável sobre o mesmo, li alguns livros de viagem no tempo, por isso me intriga pois cada um é diferente do outro. Obrigado pela dica, abraços!

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Kênia Cândido 22 de junho de 2020 - 21:29

Oi Diego.

Gostei bastante das informações que você deixou sobre o livro. Tenho muita vontade de lê-lo pelo fato de mencionar viagem no tempo e ser um gênero que tenho pouco hábito de ler. Será um experiência interessante. Obrigada pela dica.

Bjos

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Marijleite 22 de junho de 2020 - 19:10

Oi, achei interessante isso de nossa visão sobre o que está acontecendo e sobre os personagens ir mudando ao longo da leitura, eu gosto da temática das viagens no tempo e acho que é uma leitura que eu faria.

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Luana Souza 22 de junho de 2020 - 12:41

Eu já vi muita gente falando sobre os livros do Asimov, mas nunca tinha ouvido falar desse. Gostei do fato de tratar sobre viagem no tempo (um dos meus temas preferidos!) e ao mesmo tempo ir além disso. Confesso fico um pouco receosa com esse autor por ele ser um clássico; vai que eu não entendo nada ou acho chato hahaha. A ~pressão~ pra gostar de autores assim sempre é grande. Mas um dia ainda quero ler algo dele, com certeza!
ps: suas fotos, como sempre, estão lindas e super combinam com o livro!

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Gleydson 21 de junho de 2020 - 21:08

Oxe, eu tô é chocado em saber que o autor escreveu mais de 500 livros durante sua vida. Eu amo muito ficção científica, mas ainda não tive a oportunidade de ler nenhum livro do Asimov. Há alguns autores russos cujas obras me interessam. Achei a capa e a edição bem retrô, curti bastante. Dica mais que anotada!

Abraços!
http://www.acampamentodaleitura.com

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Vinícius Teodósio 19 de junho de 2020 - 16:08

Fala Diego, tudo bem?
Eu acho as capas dessa coleção da Editora Aleph muuuuito bonitas, as cores, os elementos, tudo, acho bem bacana e cara do Sci-Fi.

Li pouquíssimos livros de ficção científica e na epóca em que li não gostei muito, talvez por ter lido muito novo e não ter conseguido assimilar tudo tão bem, mas pretendo voltar a ler o gênero em breve.
Você apontou tantas coisas que não gostou no livro e fiquei pensando que você não avaliaria tão bem, mas me surpreendi com as 4 estrelhas, haha

Adorei a resenha!
http://www.marcasliterarias.blogspot.com/

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Liv 19 de junho de 2020 - 14:15

Ah, eu amo as histórias do Asimov, mas realmente é meio difícil ter uma mulher em posição de destaque, são poucos os livros dele que trazem a gente bem representada mesmo. Infelizmente. De qualquer forma, gosto muito das histórias dele. Não sabia que essa era sobre viagens no tempo, e adoro histórias assim. Entendo que o início seja meio lento, acho que é até comum em ficção científica, mas gostei que o final tem um desenvolvimento melhor, fiquei bastante curiosa pra ler!
Abraço,
Liv | Resenhas Caóticas | A Odisseia | Instagram

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