Meses antes de procurar por ajuda psicológica, me encontrei com uma amiga de infância. Depois de passarmos a tarde atualizando as noticias e tentando lembrar o nome de várias pessoas que fizeram parte da nossa época, decidi compartilhar a notícia com a mesma. Não consigo descrever a sua expressão, mas ela confessou que não fazia terapia por medo. Ela tinha medo de ser descoberta e enxergar algo desagradável sobre si mesma. Ela admitiu que não gostava de pensar muito sobre o seu passado e a terapia faria com que seu mundo mudasse drasticamente; uma vez que ela criou um jeito de bloquear e fantasiar tudo aquilo que ela fez questão de esquecer.

Minha amiga me parabenizou e disse que eu era muito corajosa, pois eu iria entrar em uma salinha fechada e expor tudo aquilo que evitei falar por todos esses anos. Não foi a melhor reação do mundo, entretanto, senti que foi sincero e que ela realmente estava feliz por mim.

Eu não tinha segredos, por isso consegui lidar muito bem com a primeira sessão. Na época os meus conflitos eram pequenos e afáveis, ou seja, aquela sala era enorme e capaz de guardar/absorver todos os meus problemas. Para ser sincera, eu me sentia privilegiada por ter uma hora para falar sobre mim. Ia uma vez por semana e enxergava isso como um presentão para o meu ego.

HORA DE ENFRENTAR OS MEUS MEDOS

Mas as coisas mudam, não é mesmo? Depois de algumas sessões, quando eu pensava que não tinha mais nada para falar sobre mim, descubro que os meus conflitos cresceram. Não sei dizer ao certo como consegui chegar nessa fase; Se foi maturidade (ou falta dela), reflexão, sensatez, responsabilidade ou qualquer outro sentimento capaz de despertar preocupação e pânico. No entanto, fui sentindo que a sala foi encolhendo junto com o meu corpo em total resistência.

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Comecei a faltar, procurar desculpas para não ir, cancelar consultas até ter coragem de romper e soltar a seguinte frase “Olha, psicólogo, eu estou muito bem. Eu mesma estou me dando alta, porque sinto que não preciso mais de ajuda”.(tá, não foi bem isso que eu disse). Fiquei com medo de romper esse laço e ouvir um sermão, contudo não foi isso o que aconteceu. Não sei dizer se é uma reação comum (deve ser), se foi bom ele não ter me questionado, porém consegui mentir para mim mesma que fiz o que era certo.

Hoje, depois de várias crises de ansiedade, noites sem dormir, separações, discussões, soluços, apertos acompanhados de “eu já passei por isso e sei que vou sair dessa“; consigo enxergar que a minha amiga tinha razão. Realmente, é preciso ser corajoso para se descobrir. É preciso ter coragem para se abrir e confiar a sua vida para um estranho. Eu já fui corajosa, hoje já não sei mais. Só que eu continuo tentando e não quero desistir.

Minha Playlist para aqueles dias pesados em que só precisamos chorar =´)