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Comportamento

Setembro Amarelo: Criando coragem para enfrentar os meus medos

Meses antes de procurar por ajuda psicológica, me encontrei com uma amiga de infância. Depois de passarmos a tarde atualizando as noticias e tentando lembrar o nome de várias pessoas que fizeram parte da nossa época, decidi compartilhar a notícia com a mesma. Não consigo descrever a sua expressão, mas ela confessou que não fazia terapia por medo. Ela tinha medo de ser descoberta e enxergar algo desagradável sobre si mesma. Ela admitiu que não gostava de pensar muito sobre o seu passado e a terapia faria com que seu mundo mudasse drasticamente; uma vez que ela criou um jeito de bloquear e fantasiar tudo aquilo que ela fez questão de esquecer.

Minha amiga me parabenizou e disse que eu era muito corajosa, pois eu iria entrar em uma salinha fechada e expor tudo aquilo que evitei falar por todos esses anos. Não foi a melhor reação do mundo, entretanto, senti que foi sincero e que ela realmente estava feliz por mim.

Eu não tinha segredos, por isso consegui lidar muito bem com a primeira sessão. Na época os meus conflitos eram pequenos e afáveis, ou seja, aquela sala era enorme e capaz de guardar/absorver todos os meus problemas. Para ser sincera, eu me sentia privilegiada por ter uma hora para falar sobre mim. Ia uma vez por semana e enxergava isso como um presentão para o meu ego.

HORA DE ENFRENTAR OS MEUS MEDOS

Mas as coisas mudam, não é mesmo? Depois de algumas sessões, quando eu pensava que não tinha mais nada para falar sobre mim, descubro que os meus conflitos cresceram. Não sei dizer ao certo como consegui chegar nessa fase; Se foi maturidade (ou falta dela), reflexão, sensatez, responsabilidade ou qualquer outro sentimento capaz de despertar preocupação e pânico. No entanto, fui sentindo que a sala foi encolhendo junto com o meu corpo em total resistência.

Comecei a faltar, procurar desculpas para não ir, cancelar consultas até ter coragem de romper e soltar a seguinte frase “Olha, psicólogo, eu estou muito bem. Eu mesma estou me dando alta, porque sinto que não preciso mais de ajuda”.(tá, não foi bem isso que eu disse). Fiquei com medo de romper esse laço e ouvir um sermão, contudo não foi isso o que aconteceu. Não sei dizer se é uma reação comum (deve ser), se foi bom ele não ter me questionado, porém consegui mentir para mim mesma que fiz o que era certo.

Hoje, depois de várias crises de ansiedade, noites sem dormir, separações, discussões, soluços, apertos acompanhados de “eu já passei por isso e sei que vou sair dessa“; consigo enxergar que a minha amiga tinha razão. Realmente, é preciso ser corajoso para se descobrir. É preciso ter coragem para se abrir e confiar a sua vida para um estranho. Eu já fui corajosa, hoje já não sei mais. Só que eu continuo tentando e não quero desistir.

Minha Playlist para aqueles dias pesados em que só precisamos chorar =´)

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21 comentários

Carol Caetano 9 de outubro de 2018 at 12:41

Gostei da sua postagem, sempre estou visitando seu blog e lendo suas postagens.. Seu blog está salvo em meus favoritos..

Parabéns!

Amo seu blog ??..

Resposta
Jéssica Melo 1 de outubro de 2018 at 23:42

Olá Clayci, adorei seu texto, é bem difícil mesmo se abrir para alguém desconhecido mesmo que você não tenha grandes segredos escondidos, mas enfrentar esse medo e conseguir se abrir ajuda a trazer uma nova visão de tudo *-* Por isso toda vez que alguém fala que esta fazendo algum acompanhamento com psicologo fico feliz pela pessoa por esta enfrentando seus medos e a pressão da sociedade que tem uma visão distorcida sobre esse tipo de tratamento.

Resposta
Clayci 3 de outubro de 2018 at 18:36

Muito obrigada Jéssica <3

Resposta
Anny 26 de setembro de 2018 at 10:20

Eu fiz um tratamento a muitos anos atrás , e confesso que eu tenho vontade de voltar. No entanto as vezes bate a insegurança de ter q encarar de frente algumas questões, que as vezes podem ser culpa minha mesmo, e não conseguir lidar com isso.
Ja me falaram que é assim mesmo, vc precisa encarar. Mas as vezes eu me pego falando comigo mesmo.. Conhecimento é poder, mas as vezes a ignorancia é uma benção rs.

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Clayci 27 de setembro de 2018 at 16:31

Anny fico muito feliz por ter compartilhado isso comigo, muito obrigada.
Mas volta SIM! Consegui outro profissional e vamos ver se isso ajudar rs

Resposta
Marijleite 25 de setembro de 2018 at 15:10

Oi Clayci, obrigada por compartilhar um pouco da sua experiência com a gente. Realmente, o medo muitas vezes nos impede de falar, tentamos manter escondido aquilo que é difícil de encarar, e é preciso coragem, em alguns dias a gente consegue, nos outros, continuamos tentando.

Amei ver Photograph na sua playlist, amo essa música.

Resposta
Clayci 27 de setembro de 2018 at 16:23

Essa música é linda demais *_* Não me canso de ouvir

Resposta
Maria Luíza Lelis 24 de setembro de 2018 at 21:43

Oi, tudo bem?
Eu sei como é difícil se abrir para uma pessoa desconhecida e relevar os sentimentos mais profundos que a gente vai guardando, realmente existe coragem. No entanto, acho que esse relato tão sincero que você escreveu, já é uma grande demonstração de coragem.
Eu fiz terapia um tempo, inicialmente, por estar um pouco perdida em relação à minha vida profissional. No entanto, à medida que as sessões foram evoluindo, comecei a perceber que haviam outras partes da minha vida que tinham conflitos importantes e foi se tornando mais difícil falar sobre os meus sentimentos. Eu também comecei a procurar desculpas para não ir, porém, por várias circunstâncias, eu não parei e chegou um momento em que começou a ficar mais fácil colocar para fora. Pela experiência que eu tive, acredito que a terapia seja um processo longo e, muitas vezes, doloroso, mas o resultado acaba valendo a pena. Hoje em dia, eu defendo que todo mundo deveria fazer, pois todos guardamos conflitos que muitas vezes nem percebemos.
Gostei muito do seu texto e espero que você decida voltar para a terapia. Mas nunca pense que você não é corajosa. Esse desabafo que você fez já é uma prova de sua coragem e tenho certeza que você será forte para superar seus conflitos.
Beijos!

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Clayci 27 de setembro de 2018 at 16:09

Seu comentário alegrou meu dia <3
Obrigada por compartilhar isso comigo.
Não desisti, por enquanto vou passar com outro profissional =)
Mas ainda pretendo voltar no antigo, quando me sentir melhor.

Resposta
Alice Lacerda Montiel 23 de setembro de 2018 at 11:10

Oiii Clayci

Quando eu era pequena passei algum tempo por um psicólogo, minha mãe é depressiva e isso afetou muito minha infância, a ida ao psicólogo foi uma sugestão do meu pai, que tb foi afetado e tb precisou passar por um mesmo depois do divórcio.
Eu tinha tipo uns 7 anos e lembro que eu chegava e brincava, tinha vários brinquedos lá, e apsicólogo (super profissional, talentosa e maravilhosa) assistia as brincadeiras e à partir daí conseguia me analisar. Eu lembro que quando ela me analisava, era tão certeiro, que me irritava. Eu queria gritar quando ela começava a falar, queria pedir para ela parar, porque doía alguém conseguir me “ler” daquela maneira, eu me sentia exposta e não queria, não tinha coragem nem pra querer ouvir o que ela dizia e lembro que uma vez cheguei a tapa ros ouvidos enquanto ela falava, numa crise de rebeldia infantil mesmo. Hoje sinto falta daqueles momentos, mas ao mesmo tempo sou covarde pra ser analisada de novo, embora sei e sinto que há muito o que contar e muito o que “resolver” dentro de mim.
Post ótimo, tu escreve com o coração e a gente sente essa sinceridade latente em cada palavra, Clayci, vc já é corajosa demais simplesmente por expor tanto de ti aqui.

Beijos

http://www.derepentenoultimolivro.com

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Clayci 27 de setembro de 2018 at 15:54

Alice, muito obrigada por compartilhar isso comigo <3
Eu imagino como deve ter sido dificil conviver com todos esses problemas, carregá-los desde cedo.
Mas por favor, não desista não. Procure um profissional =) vc merece o melhor =D

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Beatriz Andrade 22 de setembro de 2018 at 19:55

Oi, Clayci!
Por algum tempo, eu pensei como a sua amiga, eu tinha medo de ir a um psicólogo por medo não do que iria descobrir lá dentro, mas medo do que as pessoas ao meu redor falariam. Na adolescência tive transtornos alimentares e depressão, consegui vencer a anorexia e lutei ainda mais para vencer a bulimia. Mas tudo sozinha, minha mãe me obrigava a comer e me batia quando eu recusava, se me pegasse vomitando era ainda pior. A depressão eu não tive apoio médico algum, hoje sinto a necessidade de ter ajuda de um profissional. Mas a saúde pública é um verdadeiro caos e o particular é um pouco puxado para mim, sabe o que os médicos da clínica da família falam quando solicito encaminhamento? Que eles só encaminham para psicólogo em último caso. Desculpe o desabafo!

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Clayci 27 de setembro de 2018 at 15:50

Nossa Bea, que horrível isso =/
Muito obrigada por compartilhar comigo.
Torcendo aqui para conseguir encontrar um profissional logo =) Vc merece o melhor

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Sheyla - DMulheres 22 de setembro de 2018 at 13:55

Clayci
Crescer dói demais! Se descobrir e se aceitar com todos os defeitos, incomoda muito! Nunca é tarde para voltar e recomeçar. Seja forte, pois tudo passa, sei que a ansiedade, depressão e tudo mais envolvendo estas doenças da alma… chegam quando menos esperamos e pensamos que nunca mais vamos sair delas. E somente com muita paciência, muito amor por nós mesmos e vontade de aceitar-se pode fazer enxergar a luz no final do túnel.
Coragem e pode contar comigo sempre!! Amei o desabafo e muito bom estes tipos de posts, para vermos que a dor do outro é muito parecida com a nossa e podemos ajudá-los de alguma forme.
Beijos e um bom final de semana!
? Blog DMulheres ? Instagram ? Fanpage

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Clayci 27 de setembro de 2018 at 15:49

Muito obrigada amiga querida <3
Um super beijo aqui do Brasil

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Vivi 21 de setembro de 2018 at 16:38

Oi Clayci, realmente não é fácil falar de nossos sentimentos para ninguém, até que para um profissional, talvez se consiga, mas para qualquer outra pessoa, fora de cogitação, ninguém nos entende, acham que é frescura, que queremos aparecer ou inventando desculpa. Mas enfim, lendo teu relato, tenho certeza que não estou sozinha, hoje meus problemas estão mais relacionados a ansiedade, mas já tive até ataques de pânico.
Bjão
Vivi

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Clayci 21 de setembro de 2018 at 19:12

A ansiedade quando não é tratada pode virar outros transtornos mais complicados =/
Ainda bem que vc buscou ajuda <3

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Lorena 20 de setembro de 2018 at 22:51

Oi, tudo bem?

Eu compreendo muito (ou um pouco) sobre o que está passando, não sofro de ansiedade mas receio que tenho começo de depressão (ou a própria mesmo) e o estranho é que tem muitos momentos que estou na pior mas depois passa e do nada ela aparece e ainda pior do que a anterior, eu admiro muito sua coragem tanto de desabafar como postar algo assim e isso é importante pois pessoas como eu acabamos nos sentindo menos esquisitos ao imaginarmos que não estamos sozinhos, parabéns pela sua luta, ela não será em vão.

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Clayci 21 de setembro de 2018 at 19:18

Muito obrigada Lorena.
Amei o seu comentário e saber que gostou do que compartilhei.
<3

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Patrícia Ferreira de Morais 20 de setembro de 2018 at 13:15

Realmente, enfrentar os medos é bem mais difícil do que parece. As vezes temos receio de ir, sentar e falar sobre nós mesmos, e descobrirmos que as coisas estão pior do que imaginamos. Eu mesmo sofro com ansiedade, precisei ir em dois médicos achando que era uma coisa, fiz vários exames que não deram nada, para o médico virar pra mim e falar que poderia ser sintomas de ansiedade. Mesmo sabendo que tinha, acho que eu tentava me enganar sabe, precisei ir em dois médicos para cair na real, agora estou procurando um psicólogo. Adorei o post Clayci. Vamos sim enfrentar nossos medos por mais difíceis que parecem. Fique bem. <3

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Clayci 20 de setembro de 2018 at 20:12

Oi Paty!
Procura um psicólogo sim <3
Ansiedade se não tratada pode virar outros tipos de transtornos, por isso é importante o acompanhamento.
Fiz essa publicação como desabafo, mas não quero de jeito nenhum desmotivar a busca de um profissional, sabe? Tanto que voltarei para as minhas sessões e to tentando ser forte rs

Beijos

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