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Lendo Clássicos: Os Três Mosqueteiros – Alexandre Dumas

Lendo Clássicos: Os Três Mosqueteiros - Alexandre Dumas

Se alguém me dissesse há alguns anos trás que um dia, eu sentiria prazer lendo livros clássicos, daria risada. Eu lia porque tinha que ler e sabia que dependia disso para conseguir uma nota, no entanto, dificilmente me interessava pela obra. Apesar de conhecer por cima a história de Os Três Mosqueteiros, nunca senti vontade de ler o original.

Pois bem, as coisas mudam e agradeço muito por isso. Esse ano estou me dedicando aos clássicos e calhamaços que sempre ignorei. Comprei Os Três Mosqueteiros em uma promoção da Amazon e comecei a ler assim que chegou em casa. Tive que fazer isso, no fundo eu sentia que ia me sabotar e que esse livro iria ficar parado na estante. Foi a melhor decisão, visto que me diverti muito com a história. Afinal, aventuras com personagens incorretos em uma época cheias de desavenças, não tinha como não gostar, não é verdade?

SOBRE A HISTÓRIA

A história se passa na França do século XVII, no período do império de Luis XIII. O Jovem D’Artagnan está partindo para Paris, no qual deseja realizar o seu sonho de se tornar um mosqueteiro do Rei – assim como seu pai já fora. Antes de partir, o jovem gascão recebe três presentes do D’Artagnan pai: um cavalo, uma espada e uma carta de recomendação ao comandante dos Mosqueteiros.

Lendo Clássicos: Os Três Mosqueteiros - Alexandre Dumas

D’Artagnan estava otimista por causa da carta de recomendação. Contudo, logo no início de sua viagem, o jovem gascão se envolve em um conflito que resultou em um duelo. Ele saiu dessa confusão gravemente ferido e ficou sem a carta que garantiria a sua entrada para o corpo dos mosqueteiros. Por ser teimoso e persistente, D’Artagan não abre mão de seus sonhos e segue viagem, jurando vingança ao seu malfeitor mesmo sem conhecê-lo.

Essa confusão em que o jovem se meteu foi a primeira de muitas. Assim que chega em Paris, ele se envolve em uma nova desavença. Dessa vez, o gascão conseguiu comprar briga com os três mosqueteiros inseparáveis: Athos, Porthos e Aramis. Mantendo a sua palavra e o seu bom humor, D’Artagnan sentiu que não sairia vivo desse duelo. Só que quando o combate estava prestes a iniciar, os quatro se viram em uma emboscada pelos guardas do Cardeal Richelieu – velhos inimigos dos mosqueteiros. Eles precisaram unir forças para enfrentar os guardas e D’Artagnan conseguiu surpreender os três amigos enquanto lutava a favor deles. E foi então que nasceu uma amizade forte entre eles.

MINHA OPINIÃO

A primeira coisa que eu preciso dizer é que não senti as 672 páginas passando. Cada vez mais me via envolvida na história e na vida de cada um dos amigos. Eu fiquei apaixonada pela caracterização dos personagens e achei incrível como Dumas desenvolveu cada um deles. D’Artagnan e sua pose heroica lembrando Dom Quixote; Porthos com a sua vaidade gritante; Athos e seu jeito nobre e Aramis com o seu dilema entre servir a Coroa ou à Igreja.

Eu já assisti a adaptação que saiu, assim como conheci algumas releituras da história. Mas nesse original, Dumas prende a sua atenção e faz com que você sinta interesse em conhecer cada personagem. E não falo apenas dos protagonistas, ele deu características singulares para cada figura que apareceu na obra.

Um por todos e todos por um.

Eu cresci achando que Os três mosqueteiros se resumia ao lema “um por todos e todos por um” ; fiquei feliz por ter deixado essa ignorância de lado. Dumas criou uma trama com personagens imperfeitos e isso fez com que tudo ficasse mais interessante e divertido. Os mosqueteiros são egoístas, impulsivos, extravagantes e não se importam nem um pouco de serem sustentados por suas amantes. Ou seja, não temos heróis politicamente corretos e nem vilões tão cruéis (depende do ponto de vista).

E apesar dos amigos serem os protagonistas e roubarem toda a cena por onde passam, não posso deixar de destacar a Milady. No livro há várias mulheres com traços fortes, contudo Milady tem uma personalidade assustadora. Ela não precisa empunhar uma espada, já que é armada com sua influência e beleza. Astuta, estrategista, manipuladora e perspicaz consegue alcançar seus objetivos e se salvar dos problemas que ela mesma cria. Sem dúvidas é uma antagonista que rouba a cena sempre que aparece.

Além de me divertir com as aventuras e as confusões dos quatro amigos, também gostei do período histórico. A Espanha e a Inglaterra não tinham um bom relacionamento com a França, mas Dumas tinha a liberdade de usar essas figuras tão importantes para desenvolver sua história. O Cardeal é o principal opositor da trama, no entanto, é mais como um mal necessário, tendo em vista a sua influência. Gostei da edição da Biblioteca Áurea e agora quero ler mais do autor.



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2 comentários

No Conforto dos Livros 7 de abril de 2019 at 12:12

Olá!! 🙂

Eu confesso que nunca tive particular interesse por esta historia! Que bom que gostaste de fazer a leitura! 🙂

Ja conhecia, claro, mas nao sabia que, mais do que qualquer adaptaçao ou releitura, este livro chama assim tanto a atençao sobre as personagens.

Boas leituras!! 😉
no-conforto-dos-livros.webnode.com

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Priscila 26 de março de 2019 at 20:05

Estou me descobrindo também na literatura clássica, e os três mosqueteiros está na minha lista. Ótima resenha!

http://www.coisasdepriscila.com
bjx l Insta: @priscilafrr

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