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Hoje a publicação será um pouquinho diferente. Convidei meu amigo e psicólogo Leonardo Lima para conversar com vocês. Se gostarem do conteúdo, não deixem de comentar, porque assim ele aparecerá mais vezes por aqui. [/penci_blockquote]

Já olhou para dentro de si hoje?

Aquilo que me é estranho, que não consigo identificar no outro, é muito mais íntimo de mim do que realmente suponho, seja para o bem, seja para o mal.

Assim o estranho se transforma por um processo de projeção, ao não se reconhecer em si aquilo que vê no outro, seja por manifestar-se em nível inconsciente, seja por um julgamento social, que passa pela defesa, pelo crivo de um forte e inescrupuloso superego.

O que é na verdade meu, se torna parte do outro, pois deposito nele, e assim o julgo e passo a vê-lo, repleto daquilo que é meu.

Quão mais fácil é tornar concreto através de um outro sujeito, aquilo que é imundo em mim, quão intimamente é prazeroso, mesmo que só inconscientemente.

Nos regozijamos pela dor, pelo fracasso e pela derrota do outro, não por sermos maus no sentido moral e perverso, não no sentido de descaso pelo outro que está ao nosso entorno, mas porque ainda temos traços do nosso primitivismo constitucional.

Em diversos textos de Freud, destaco aqui o “Mal-estar na Civilização “, “Totem e Tabu”, “O Futuro de Uma Ilusão“, “Além do Princípio do Prazer“, e em diversos textos de Nietzsche, como a “Genealogia da Moral“, “Além do Bem e do Mal“, entre diversos outros de ambos pensadores, encontramos a origem da Cultura, da Civilização, das Sociedades, e da vida humana em grupo, sustentando-se quase totalmente numa farsa, que se mantém e protege a manutenção e continuidade da vida de homens e mulheres.

Mudando do paradigma da lei do mais forte, daquele que impõe seus desejos ao outro, para a lei positivista, que torna-nos “iguais”, na verdade, colocamos apenas mais um véu naquilo que continua a ser como é, como cada dia mais percebemos, a força física mudou para a força do capital, da fé, do status e do consumo.

A história revela cada vez mais como a humanidade é cíclica, assemelhando-se a uma espiral, na qual situações muito semelhantes ocorrem mesmo transcorridos muitos e muitos anos, somos dinâmicos como as pulsões que nos acompanham, mas quase estáticos, como o tempo que tentamos tornar concreto, mas que nada é além de abstrato, mosaico e subjetivo.

[penci_blockquote style=”style-3″ align=”none” author=””]Leonardo Pereira Lima
Psicólogo Clínico Palestrante e Professor
CRP/SP: 108262
Telefone: (11) 99881-9514
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