Filmes & Séries

Felicidade por um fio – Liberte-se

No inicio do ano fiz a seguinte promessa: assistir e trazer mais dicas de filmes aqui para o blog. Consegui cumprir? É claro que não, pois já estamos em setembro e esta categoria está desatualizada há meses. Só que eu gostei tanto do filme Felicidade por um fio que decidi falar sobre ele. Pensei que seria apenas uma comédia romântica, daquelas bem clichês, mas me surpreendi com a trama e acabei relembrando de alguns momentos da minha adolescência.

Violet não pode reclamar: emprego, namorado, cabelo… tudo é perfeito! Mas e quando a perfeição já não é mais suficiente?

Felicidade por um fio é um filme que fala sobre aceitação, o tal padrão social, transição capilar e empoderamento negro. É claro que não vou focar no empoderamento negro porque não é o meu lugar de fala. Mas me identifiquei tanto com a personagem Violet em alguns momentos que fiquei com vontade de abraçá-la.

Reprodução: Netflix

Violet é a definição do sucesso, ou melhor, da perfeição. Ela trabalha com algo que acredita (e gosta), mora em um apartamento incrível e em breve será pedida em casamento. Ao menos é o que ela acha, todavia as coisas começaram a dar errado e de repente ela viu seu mundo desmoronar. Desde pequena, Violet, foi obrigada a viver em um padrão. Lembra quando eu disse lá em cima que me identifiquei com a personagem em algumas cenas? Pois é, o segundo trabalho da protagonista era o seu cabelo. Para vocês terem uma ideia, ela acordava mais cedo só para poder alisá-lo. Gastava dinheiro com produtos, salão e não deixava ninguém colocar a mão em suas madeixas. Tudo para mantê-lo alinhado e perfeito como deveria ser.

Na trama conseguimos acompanhar a sua briga com o cabelo em todas as fases da sua vida. Quando criança, Violet via os outros coleguinhas pularem na piscina, mas sabia que não podia entrar na água depois do trabalho que sua mãe teve em alisar o seu cabelo. Isso me fez lembrar das festas que recusava, quando lembrava do trabalho que eu teria para arrumar o meu. Nunca aceitei meus fios ondulados e, assim como a mãe de Violet, acreditava que eu só seria aceita se tivesse o cabelo liso, sem frizz, igual as meninas populares do meu antigo colégio.

Reprodução: Netflix

Voltando ao filme, depois de em um surto emocional, Violet raspou a sua cabeça. Como eu disse, desde cedo, ela aprendeu com a sua mãe a ter essa obsessão pela perfeição, por isso sempre viveu em busca de aceitação. Contudo, depois de raspar a cabeça, Violet teve que repensar sobre a sua relação com os outros e consigo mesma. No início eu não conseguia aceitar o comportamento da sua mãe, mas no decorrer da história, nos damos conta de que ela é tão vítima quanto sua filha e que provavelmente reproduziu um comportamento que acompanhou outras gerações.

Ver a cena em que atriz Sanaah Lathan raspa o cabelo é emocionante. Por alguns minutos, antes dela se arrepender, ela se sentiu livre e ver sua reação foi algo indescritível. E antes de se livrar do cabelo, a personagem era vista e admirada por todos que passavam por ela. Entretanto, depois de tudo isso, começou a passar despercebida pelos colegas de trabalho. Mas isso muda quando ela se empodera e mostra autoconfiança com a sua imagem.

Reprodução: Netflix
Reprodução: Netflix

 

Ver como a vida da personagem se transformou depois de tudo isso foi algo incrível. Não foi só raspar a cabeça, mas repensar sobre tudo que estava em sua volta. O filme mostra como é importante o apoio da família e amigos para a construção da auto-estima (desde cedo). Se por um lado a mãe de Violet a ensinou a viver nesse padrão, do outro temos uma outra personagem que é incentivada todos os dias a se amar naturalmente. Zoe é filha de um cabeleireiro e apesar dele estar acostumado a alisar o cabelo das suas clientes, faz de tudo para mostrar à sua filha que ela é linda e não precisa de nenhuma química.

Se eu parar para calcular as despesas que tive com meu cabelo na época da adolescência, vou me surpreender. Usei progressiva durante anos e ainda lembro da sensação quando precisava retocá-la. Perdia horas no salão, passava mal com o cheiro dos produtos e nem sempre ficava satisfeita com o resultado. Pode ser que o drama de Violet seja besteira para você que tem o cabelo liso e também pode ser que você use produtos para alisar o seu. Está tudo bem! Ninguém quer que você pare de usar. A proposta do filme é mostrar que você não precisa agradar ninguém, só você mesma.

Que você é linda com cabelo natural ou não. E você não precisa se encaixar em nenhum padrão para ser aceita. Você só precisa se aceitar.

Já assistiu o filme? Vou deixar o trailer aqui no blog. Ele está disponível na Netflix. ASSISTA, vale a pena!

 

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18 comentários

Nina Spim 3 de outubro de 2018 at 23:10

Oi, Clayci! Tô pra assistir esse filme, desde antes da estreia. Acho a história importante por vários aspectos: aceitação do cabelo negro, empoderamento e amor-próprio. Acho que, especialmente para as mulheres negras, essa relação beleza x autoestima é algo ainda pior, porque além de elas serem excluídas dos padrões, também existe um padrão dentro do próprio grupo, o que invalida duplamente muitas mulheres.

Nossa, acho que quase toda mulher teve uma relação horrível na adolescência com seu cabelo. Meu cabelo é cacheado e crespo e, na adolescência, eu era dividida entre ensebar os fios para matar o frizz e viver com a vontade de fazer progressiva. Demorei muitos anos para começar a aceitar meu cabelo como é, só começou a acontecer no ano passado! Mudei radicalmente os produtos que usava e parei de usar creme sem enxágue. Hoje, ele está muito mais natural. Nem sempre o amo, depende do dia, mas a aceitação acontece 100%. <3

Love, Nina.
http://www.ninaeuma.blogspot.com

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Clayci 8 de outubro de 2018 at 20:17

Obrigada por compartilhar isso comigo, Nina!
Meu cabelo nunca teve uma definição. Eu brinco falando que parece o da Hermione nos primeiros anos do filme hahahaha
Arnado e sem forma. Mas estou aprendendo a amar do jeitinho que é *_*

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Isabelle Brum e Silva 1 de outubro de 2018 at 19:56

Olha, esse filme me surpreendeu demais!
Como você, pensei que seria só mais uma historinha boba e clichê. Mas aí quando começou o filme e no decorrer dele, mostrando a evolução da protagonista em se aceitar, percebi que a história seria incrível – ainda mais num tempo em que estamos vivendo, de empoderamento e maior aceitação do “diferente”; e é tão bom ver mulheres ditas “fora do padrão” representadas que nossa, cheguei ficar emocionada <3 Netflix está arrasando em suas produções recentes e esta com certeza tem tudo para ser um sucesso. Só espero que seja mais divulgada; vi pouca divulgação do filme por aí, e por isso te parabenizo pela iniciativa!

Beijinhos e excelente semana!
Isabelle – https://blogalgodotipo.wordpress.com/

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Clayci 1 de outubro de 2018 at 20:54

Também vi pouca divulgação.
Assim como Anne With An E =(
E fico triste porque temos materiais incríveis que poucas pessoas conhecem.

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Dayhara Ribeiro Martins 30 de setembro de 2018 at 18:35

Oie! Assisti esse filme ontem, e amei demais! Eu imaginei que fosse um romance ou algo assim, mas o foco realmente é a transição e o empoderamento. Passei pela transição tem 2 anos, raspei o cabelo também em um surto emocional, me odiei inicialmente mas hoje vejo como a melhor decisão de minha vida, precisamos aprender a nos amar como somos.

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Clayci 1 de outubro de 2018 at 21:05

Obrigada por compartilhar isso comigo <3
Eu imagino que deve ter sido um momento bem difícil pra vc. mas ao mesmo tempo libertador =)

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Debyh 29 de setembro de 2018 at 11:02

Olá,
Eu entendo o lance do cabelo, porque o meu também é cacheado e sempre tentei me adaptar, quando criança eu sofria horrores por sempre ter que mante-lo alinhado, e acho que essa cultura está mudando aos poucos hoje. Imagina que eu poderia ir com o cabelo solto para escola, jamais, minha mãe tinha um treco, e eu pensava que esse era o normal, cabelos cacheados (crespos) na minha cabeça deveria ficar ou preso ou serem alisados. Faz alguns anos que uso ele cacheado e realmente é libertador isso. Me identifico com o tema do filme vou ver sim.

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Clayci 1 de outubro de 2018 at 21:14

É tão boa essa sensação, né?
Eu alisava o meu, achava bonito e pode até ser que um dia eu volte a fazer isso. Mas hoje eu gosto dele do jeito que está SEM DEFINIÇÃO nenhuma haiuhauhaihauhuiahiuahuia ele não é nem cacheado, nem liso.. ele é jeito hermione de ser hauhauah

Beijos

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Renata Prado 28 de setembro de 2018 at 17:59

eu tenho o cabelo cacheado é odeio, não me sinto bem com ele. Até os meus 8 anos ele era liso, depois foi ganhando ondas, e depois de me passarem varios produtos estranho no cabelo falando que era para piolho, os cachos só ficaram mais intensos. Então realmente não consigo me sentir bem de cabelo cacheado

https://a-luartico.blogspot.pt

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Clayci 1 de outubro de 2018 at 21:16

E você e bem resolvida nisso, admiro demais.
Eu gostava do meu liso, mas infelizmente prejudicou meus fios, pode até ser que um dia eu volte alisar com produtos. Mas hoje por enquanto estou satisfeita. Acho que isso é o ideal, né? Irmos atrás daquilo que faça a gente se sentir bem =)

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Luly Lage 27 de setembro de 2018 at 18:09

Eu tô DOIDA pra assistir esse filme num nível… Já sei que vou chorar do começo ao fim. Tenho cada vez mais tentado ler blogs que falam sobre transição capilar e, pra mim, cada mulher que consegue isso merece um PRÊMIO, DE VERDADE! Às vezes paro pra pensar e fico feliz por nunca ter tido grana pra investir em progressiva, que é uma coisa que passei metade da vida querendo, porque isso provavelmente ia chegar no ponto que chegou em tanta gente que se vê diante do espelho sem saber pra onde ir, porque aquela prisão não te faz feliz, mas saber que não se encaixa no padrão também não… É difícil chegar lá, mas a gente chega, e merece, e é lindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Netflix tá arrasando nesse tipo de discussão, né? Maravilhosa!

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Clayci 1 de outubro de 2018 at 21:20

Ahh só consegui ler o seu comentário agora, Luly. Já conseguiu assistir?
Estou amandando essas novas produções da Netflix e fico super feliz em ver essa discussão surgido cada vez mais. Só acho que eles deveriam divulgar mais o filme =/

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Thaís Sgalbiero Ramalho 27 de setembro de 2018 at 16:10

Menina!! Eu vi esse filme e eu achei incrivelmente maravilhoso! Ele mostra varias lições, de que não precisamos apenas nos arrumar para os homens, mas para nós mesmas, e que cabelo natural é lindo sim. Eu achei o filme ótimo e veria mais vezes!

Um beijo grande e muito GORDO
http://www.thaissgalbiero.blogspot.com.br

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Clayci 1 de outubro de 2018 at 21:24

Ahhh ele é incrível, né? <3
Adorei a produção e achei essa atriz maravilhosa

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Lívia Madeira 27 de setembro de 2018 at 13:50

to doida pra ver esse filme, já tinha visto o trailer e fiquei ainda mais curiosa com sua resenha, parece mesmo ótimo!

http://www.tofucolorido.com.br
http://www.facebook.com/blogtofucolorido

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Clayci 1 de outubro de 2018 at 21:26

Vale a pena *_*
Espero que curta

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Stéfhanie 27 de setembro de 2018 at 10:33

Parece ser um filme bem legal, nunca tinha ouvido falar. Eu adoro ler sobre indicações de filmes, pois sempre que estou com vontade de ver algo já consulto a listinha rs.

Beijos ?

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Clayci 1 de outubro de 2018 at 21:29

Ahh eu adorei esse filme <3
Espero que consiga assistir e que curta *_*

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