Fotografia


A mão esquerda da escuridão – Ursula K. Le Guin

Estou muito satisfeita com as minhas leituras este ano! Decidi me dedicar a alguns clássicos da ficção científica e a editora Aleph está me ajudando nessa tarefa, pois está relançando várias obras do catálogos deles com novas capas. A mão esquerda da escuridão estava na minha lista de desejados já faz um tempo, mas sempre adiei esta leitura por medo de achá-la complexa.

No entanto, mesmo considerando algumas partes arrastadas, foi uma leitura fascinante. Preciso ler mais obras da Ursula K. Le Guin, pois meu primeiro (e único) contato, antes desse livro, foi através da fantasia “O feiticeiro de Terramar“. Gostei da forma como ela desenvolveu a história e conversou com um público mais jovem através desse clássico. Mas em A mão esquerda da escuridão as coisas aconteceram de uma maneira mais intensa. Foi uma leitura completa, com descrições detalhadas e uma rica construção de mundo. Ver os costumes de Gethenian e a exploração de uma sociedade andrógina me deixou completamente envolvida, a ponto de refletir em como o regime político e cultural podem dificultar o relacionamento entre as sociedades. E olha que estou falando de um livro publicado em 1969.

A mão esquerda da escuridão - Ursula K. Le Guin

Conhecendo Inverno

Nessa história, o alienígena é um terráqueo! Genly Ai é um humano que está vivendo no planeta Inverno, cujo objetivo é convencer os governantes a se aliarem aos outros planetas. A Terra já faz parte dessa aliança, tanto que permitiu esta viagem interplanetária. No entanto, são mundos completamente diferentes e Ai está com dificuldades para convencê-los sobre a sua missão. Em Inverno todos os habitantes são andróginos, contudo no olhar de Genly, as características masculinas predominam e somente durante o período “fértil” é que ocorre a mudança em seus corpos, transformando-os em um corpo feminino para o sexo e a procriação.

Esse foi o meu primeiro impacto com a história e precisei me atentar na descrição para não me sentir perdida. No início a autora lança termos genéticos sem explicações e achei a proposta bem intimidante. Porém, quando deixei essa estranheza de lado, consegui me envolver a ponto de sentir prazer em explorar esse mundo criado por ela. Pude refletir em como eles se tratavam como indivíduos e no exemplo de uma sociedade onde não há diferença em relação ao gênero.

Parecia prestes a chorar, mas não chorou. Acredito que considere o choro mau ou vergonhoso. Mesmo quando esteve muito doente e fraco, nos primeiros dias de nossa fuga, ele escondia o rosto de mim quando chorava. Razões de ordem pessoal, racial, social, sexual – como posso adivinhar por que Ai não consegue chorar? Contudo, seu nome é um grito de dor.

A mão esquerda da Escuridão

Conhecer Inverno fez com que eu refletisse sobre a solidão que o protagonista sentiu ao tentar cumprir sua missão. Como seria o nosso comportamento em um mundo tão diferente do nosso? A mão esquerda da escuridão entrou para a minha lista de favoritos e quero ler mais obras da autora.

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comentários

  • Mari

    Sempre que eu vir aqui no seu blog vou comentar sobre o quanto sou apaixonada por suas fotos! Elas são perfeitas!

    Amei sua resenha, admito que tenho muita curiosidade por ler a obra, visto que ela e sua autora são bem aclamadas entre os apaixonados de Sci-fi. Já estou de olho nele!

    responder
  • Lucy

    Oi, Clayci!
    Eu tenho Os Feiticeiros de Terramar, mas ainda não li. Acho que será um bom começo para conhecer a escrita dessa autora, antes de uma leitura mais profunda, como você fez. A ideia do livro é interessante e não deixa de ser algo para se pensar, quando alguém está em um país ou lugar onde não conhece ninguém e se sente solitário.
    bjos
    Lucy – Por essas páginas

    responder
  • Renata Cezimbra (Lady Trotsky)

    Oi Clayci, tudo bem?
    A primeira vez que eu ouvi falar dessa autora foi numa Odisseia de Literatura Fantástica, em uma mesa redonda sobre mulheres e fantasia e aí fui ouvindo falar dos livros dela. Estou encantada com o quanto ela escreveu e a incrível variedade dela dentro do nicho fantástico, ainda mais na parte de Sci-fi e magia. Sem dúvida em 2020 quero ler algo da Ursula.
    Um beijo de fogo e gelo da Lady Trotsky…
    http://www.osvampirosportenhos.com.br

    responder
  • Beatriz Andrade

    É muito bom quando o livro consegue nos agradar dessa maneira mesmo quando achamos a leitura um pouco arrastada. Eu estou curiosa com esse livro faz um tempinho

    responder
  • Ana Caroline Santos

    Olá, tudo bem? Assim como você, só conhecia a autora pelo livro de fantasia dela. Não conhecia aprofundadamente essa obra, porém já tinha ouvido falar — até porque realmente é um grade clássico do gênero. Também tenho medo da complexidade, mas pela sua resenha posso ver que não tenho nada a temer, e devo entender a mensagem que temos por trás. Dica mais que anotada! Como sempre, foto maravilhosa!
    Beijos

    responder
    • Nilda de Souza

      Estou lendo a curva do sonhobe adorando. Uma leitura que traz muitas reflexões. Ainda não tinha lido nada da Le Guin, mas sentia que precisava. Em breve vou ler este também. E pela sua resenha, acho que vou gostar.

      responder
  • Lilian de Souza Farias

    Eu amo ler clássicos então compreendo sua satisfação, li alguns da editora e gostei, quero começar a comprar mais livros deles na promoção este ano para aproveitar um pouco mais.

    responder
  • Maria Luíza Lelis

    Oi, Clayci! Tudo bem?
    Eu tenho como objetivo para esse ano diversificar mais as minhas leituras e me aventurar lendo ficção científica. Tenho muita curiosidade de ler algo da autora, mas confesso que ainda me intimida um pouco. Eu achei incrível a premissa desse livro, principalmente pelo fato do humano ser o alinígena. Acredito que deve ser muito interessante ver o contato dele com uma cultura tão complexa e diferente. Ainda não sei se estou pronta para esse livro, mas fiquei realmente curiosa. Adorei saber sua opinião e espero conseguir ler também. Mesmo se não for agora, quem sabe depois que eu tiver me acostumado a ler o gênero né?
    Beijos!

    responder
  • PS Amo Leitura

    Eu ainda não conhecia essa obra (aliás, conheço pouquíssimas dessa editora), mas gostei da premissa. Achei bem interessante e fiquei curiosa para ler. O melhor de tudo é a reflexão que a mesma apresenta. Gosto de livros assim.

    beijos.

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