5 mães abusivas que eu conheci na literatura

por Clayci
9 comentários

Definitivamente, mãe não é tudo igual. Cada uma tem a sua história dentro das suas possibilidades, mas nem todas são um poço de amor, carinho e proteção. É claro que existem aquelas que amam incondicionalmente e fazem de tudo pelos seus filhos, não é mesmo? Mas também têm aquelas mães abusivas que usam sua autoridade para subjugar os filhos. Existem várias mães que admiro na literatura, como por exemplo: a Isabel Pullman do livro Extraordinário; Malorie de A caixa de Pássaros; e não posso deixar de mencionar a Molly Weasley de Harry Potter que tenho vontade de colocar em um potinho.

Mas o que são mães abusivas?

A mãe abusiva considera-se superior e acredita ter o direito de tratar os filhos de forma opressora por ser a mãe. Fica difícil manter uma relação harmoniosa com alguém que não respeita a individualidade e nem reconhece o valor dos filhos. Uma mãe abusiva pode ser egoísta, negligente, agressiva, manipuladora, contraditória, invasiva e vários outros adjetivos negativos. Se você convive e tem esse tipo de relacionamento com a sua mãe, recomendo buscar ajuda psicológica para aprender a lidar e conviver de forma pacífica.

Como gosto de ler, algumas vezes acabo esbarrando com alguma mãe tóxica na ficção. Por isso, decidi listar 5 mães abusivas que eu conheci na literatura e que me deixaram nervosa com as sua atitudes enquanto eu lia. Será que você conhece alguma dessas?

Matilda – Roald Dahl

5 mães abusivas que eu conheci na literatura

Sinopse: Matilda adorava ler. Passava horas na biblioteca, lendo um livro atrás do outro. Mas, quanto mais ela lia e aprendia, mais aumentava seus problemas. Os pais viam televisão o tempo todo e achavam muito estranho uma menina gostar tanto de ler. A diretora da escola achava Matilda uma fingida, pois ela não acreditava que uma criança tão nova pudesse saber tantas coisas. Depois de mil peripécias, em que tentou se livrar da tirania dos pais e da diretora, Matilda acabou encontrando a compreensão de uma professora, srta. Mel, com quem foi morar.

Acho que a Zinnia Wormwood foi a primeira mãe negligente que eu conheci na literatura. Matilda é uma das minhas histórias favoritas e sou apaixonada pelo filme. Ela é uma criança incrível e possui poderes de telecinesia, mas seus pais -Harry e Zinnia – e seu irmão Michael a maltratam. Matilda sempre fora inteligente e por crescer sozinha, desenvolveu um forte senso de independência. Ver a forma com que sua mãe a tratava me deixava muito mal. Tanto que sempre considerei a Professora Jenny Honey a verdadeira mãe de Matilda.

Tudo e todas as Coisas – Nicola Yoon

Sinopse: “Minha doença é tão rara quanto famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Qualquer coisa pode desencadear uma série de alergias. Não saio de casa. Nunca saí em toda minha vida. As únicas pessoas que já vi foram minha mãe e minha enfermeira, Carla. Eu estava acostumada com minha vida até o dia que ele chegou. Olho pela minha janela para o caminhão de mudança, e então o vejo. Ele é alto, magro e está vestindo preto da cabeça aos pés. Seus olhos são de um azul como o oceano. Ele me pega olhando-o e me encara. Olho de volta. Descubro que seu nome é Olly. Talvez eu não possa prever o futuro, mas posso prever algumas coisas. Por exemplo, estou certa de que vou me apaixonar por Olly. E é quase certo que será um desastre.”

Quando esse livro foi lançado, pensei que seria apenas um romance adolescente clichê. Mas a autora me surpreendeu quando descobrir o real motivo da protagonista não poder sair de casa. Por mais que eu tente me colocar no lugar de sua mãe, a Dra Pauline, não consigo aceitar o fato dela ter privado a sua filha de viver. Sei que ela tinha medo de perdê-la para essa “doença”, mas nada justifica o seu comportamento e os traumas causados na jovem.

A Guerra que Salvou a minha vida – Kimberly Brubaker Bradley

5 mães abusivas que eu conheci na literatura

Sinopse: Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.

Impossível não falar de mães abusivas, sem mencionar esta. Ada e Jamie são irmãos e moram com a mãe em um pequeno apartamento em Londres. Jamie é mais novo que a sua irmã, mas pode sair de casa para brincar. Ada, por sua vez, vive presa no apartamento. Sua mãe é abusiva e a maltrata por conta de sua deficiência. Ela nasceu com o pé torto e devido a isso não sai de casa e não tem contato com ninguém além de Jamie.

Eles não sabem o que significa ter um lar de verdade. Por mais que Jamie possa sair de casa e explorar o bairro, sua mãe não se importa com o que ele faz. As condições de Ada conseguem ser piores, uma vez que tem que lidar com as agressões e humilhações diárias. E ela se esforça para agradá-la, pois acredita que o problema esteja nela mesma. A pequena garota cozinha, limpa, cuida do irmão e não reclama quando precisa ficar dentro do armário escuro junto com as baratas.

Mentiras como o amor – Louisa Reid

5 mães abusivas que eu conheci na literatura

Sinopse: Audrey sabe que sua mãe está certa quando tenta salvá-la de si mesma.
Ela sabe que tem sido injusta, por isso precisa, por seu irmão mais novo e por sua mãe, seguir em frente. Audrey tenta manter todos felizes. Juntos, eles estão em busca de dias melhores.
A mãe de Audrey, à sua maneira, tenta ajudar a filha a controlar a doença para que ela possa encontrar um recomeço seguro.
Então Audrey conhece Leo, mas ele torna a vida dela realmente complicada, pois essa amizade faz com que ela deseje ousar ser ela mesma, enfrentar a vida.
Agora, Audrey precisará decidir: se cuida de sua família especialmente de seu irmão ou continua sonhando com a vida que tanto deseja?

Mentiras como o amor foi um livro que me deixou angustiada. Comecei a história sem saber do que se tratava, acreditando ser um romance como qualquer outro, mas fui surpreendida com uma trama perturbadora. Quando finalmente temos acesso ao passado da protagonista percebemos que é tarde demais e que as coisas chegaram a um ponto de não acreditar mais no amor. Nem sempre aqueles que mais nos amam são os que nos fazem bem.

A autora conseguiu mostrar não só as piores partes do ser humano, mas também a importância da discussão das doenças mentais. E quando falo de mães abusivas, lembro dessa. Eu senti raiva, impotência, angústia e até pensei em desistir da leitura porque não estava acreditando no que eu estava lendo. Mas o final valeu a pena e é uma leitura que recomendo bastante.

Carrie – Stephen King

5 mães abusivas que eu conheci na literatura

Sinopse: O livro narra a atormentada adolescência de uma jovem problemática, perseguida pelos colegas, professores e impedida pela mãe de levar a vida como as garotas de sua idade. Só que Carrie guarda um segredo: quando ela está por perto, objetos voam, portas são trancadas ao sabor do nada, velas se apagam e voltam a iluminar, misteriosamente. Com tantos ingredientes de suspense, Carrie, a Estranha logo se transformou num enorme sucesso internacional. Ao ser transportado para as telas, em 1976, pelas mãos de Brian de Palma, teve a atriz Sissy Spacek e John Travolta em seus papéis principais.

Esse foi o primeiro livro que li do King! Margaret White, a mãe de Carrie, é uma fanática religiosa aterrorizante. Mesmo sabendo que a história precisa dessa mãe para “fazer sentido” fiquei com muita raiva das cenas e dessa relação disfuncional.

Conheço outras mães da ficção que também são tóxicas como a senhora Lisbon de “As virgens suicidas”; a Elena Richardson de “Pequenos Incêndios por toda parte” e até mesmo a Charlotte Haze de “Lolita” que colocava o conforto material na frente de tudo. E você? Conhece mães abusivas na ficção?

Você também poderá gostar

9 comentários

Beatriz Andrade 15 de julho de 2020 - 21:53

Eu não li Tudo e todas as coisas, mas assisti ao filme e fiquei horrorizada com a mãe dela! Os demais livros eu também não li, só vi as adaptações (dos que têm) e gostei dos filmes

resposta
Mara Santos 9 de julho de 2020 - 17:40

Clayci, simplesmente amei a proposta do seu post. Dos livros que você citou, só li Tudo e todas as Coisas e concordo com tudo que você disse.

Parabéns pela iniciativa!!!

resposta
Michelle 29 de junho de 2020 - 17:50

Oii, gostei da ideia para post, eu sou muito curiosa para ler matilda, só vi o filme até hoje! Realmente a mãe em tudo e todas as coisas tem um comportamento complicado de aceitar.

resposta
Luana Souza 28 de junho de 2020 - 03:03

O único livro dessa lista que li foi o da Ada e, nossa, lembro que na época foi muito horrível aquilo pra mim porque fui confrontada pela primeira vez com a ideia que nem todas as mães eram boas. Apesar de minha provavelmente não ganhar o prêmio de progenitora do ano, ela foi uma boa mãe. Na faculdade de psico eu finalmente entendi que instinto materno não é algo natural.
Dos outros, conheço o filme da Carrie e de Tudo e Todas as Coisas. Gosto bastante do primeiro, mas do segundo nem tanto hehe.
Adorei o post, é uma temática muito legal de se falar!

resposta
Thainá Christine 27 de junho de 2020 - 15:57

Gostei muito do post!
Dessas mães eu apenas conheço a de Carrie, mas é porque assisti todas as adaptações, ainda não li o livro. No momento eu não lembro de mães abusivas, apenas pais, como em Hibisco Roxo e Uma Mulher no Escuro.

resposta
Kênia Cândido 27 de junho de 2020 - 14:24

Oi Clayci.

Adorei sua lista com as mães abusivas. Das mães que mencionou eu conheço a Zinnia Wormwood e Margareth White. Até anotei a dicac dos outros livros para conhecer as outras mães. Acho que a pior que eu conheço até o momento é Margareth.
Parabéns pela postagem.

Bjos

resposta
Ana Caroline Santos 27 de junho de 2020 - 08:14

Olá, tudo bem? Nossa sempre né, o que mais temos às vezes são mães que trazem um relacionamento tóxico dentro da família, o que imita muitas vezes a realidade. Dos citados já li Matilda e concordo demais, e os outros ainda não conhecia! Quero ler Tudo e Todas as Coisas e já vou preparada para passar raiva hahah Ótima e criativa postagem!
Beijos

resposta
Emy 25 de junho de 2020 - 13:42

Oi Clay!
Adorei suas indicações!
Não cheguei a ler o livro, mas assisti a adaptação de “Tudo e todas as coisas” e mesmo sendo mãe, também achei injusta a atitude dela.
Ultimamente não tenho lido muito, mas tenho assistido bastante filmes e séries e, uma mãe que me tirou do sério foi a Rainha de “Malevóla – Dona do Mal”. Fiquei muito, muito irritada com as atitudes dela! HAHAHAHA

Beijos!
·| Jardim de Peônias |·

resposta
Tifa 24 de junho de 2020 - 14:14

Adorei conhecer essas mães, mesmo sendo algo muito difícil de aceitar… fiquei bem curiosa pra ler os livros que não li. MATILDA! ??

resposta

Deixe um comentário