Nós;
ISBN: 9788576573111;
Páginas: 344;
Autor: Yevgeny Zamyatin;
Editora: Aleph;
Avaliação: 
Sinopse: Nós é um romance distópico escrito entre 1920 e 1921 pelo escritor russo Yevgeny Zamyatin. A história narra as impressões de um cientista sobre o mundo em que vive, uma sociedade aparentemente perfeita mas opressora, e seus conflitos ao perceber as imperfeições dele, ao travar contato com um grupo opositor que luta contra o “Benfeitor”, regente supremo da nação. O livro só adentrou legalmente a pátria-mãe do autor em 1988, com as políticas de abertura do regime soviético, devido à censura imperante no país.

*Livro cedido em parceria com a editora.

[blockquote align=”none” author=”Nós- Yevgeny Zamyatin”]E que última revolução é essa que você quer? Não há última, as revoluções são infinitas.[/blockquote]

Eu sou apaixonada por distopias, mas preciso fazer uma confissão. Eu só tive conhecimento sobre “Nós“quando a editora Aleph divulgou o seu lançamento. O que é uma pena, né? Pois é uma história que todos os fãs do gênero deveriam conhecer, já que ela originou e inspirou vários outros trabalhos que adoro tanto como “1984“, “Admirável Mundo Novo” entre outros. Mas o que importa é que finalmente tive a oportunidade de conhecer a história em uma edição linda! A editora Aleph caprichou em todos os detalhes e a leitura foi bastante prazerosa.

Nós é narrado pelo protagonista, um matemático e engenheiro chefe de um ambicioso projeto que envolve a construção da Integral (uma espaçonave que realizará a exploração de outros planetas). Nosso protagonista não tem nome e é conhecido como D-503. Aliás nesta história ninguém é conhecido por um nome, todos são designados como números e se vestem da mesma forma (usando unif – uniformes). Enquanto D-503 trabalha no projeto futurista, ele vai nos mostrando como é a vida mil anos após a Guerra de 200 anos que na qual sobreviveu apenas dois décimos da humanidade.

Estes sobreviventes ergueram uma enorme muralha física liderada pela figura do Estado Uno, reapresentada pelo Benfeitor. D-503 estava satisfeito com a vida que levava, assim como todos os outros.  Eles não reclamavam das edificações transparentes e nem da falta de privacidade. O Estado mantém tudo sob seu controle e a falta de liberdade significava clareza e transparência. Para vocês terem ideia, eles tinham dia certo para ter relações sexuais!

[blockquote align=”left” author=”Nós – Yevgeny Zamyatin”]É claro que ser original significa ser diferente dos outros. Por consequência, ser original é o mesmo que violar a uniformidade.[/blockquote]Tudo estava indo “bem” até que D-503 conhece uma mulher – a I-330 – e começa a apresentar comportamentos “estranhos” para a situação em que vivem. Ele se apaixona por ela, todavia isso é considerado uma doença tendo em vista que a imaginação não faz parte do cotidiano dessa sociedade.  I-330 quebra todas as regras do sistema e não vê problemas nisso. Nos primeiro encontros que eles tiveram, D-503 sentia uma repulsa, porém isso acabou se tornando um desejo incontrolável e uma vontade enorme de viver fora desses dias tão iguais. Nosso amigo matemático se transforma e começa a mostrar o seu lado mais sensível.

É uma leitura que flui, pois você fica com vontade de descobrir onde isso tudo vai parar. Mas não é uma leitura fácil, demorei para conclui-la por causa da complexidade do tema e da forma que foi apresentado pelo autor. Na época, Zamiatin enfrentou grandes problemas ao narrar de forma tão negativa o posicionamento de Stalin. Inclusive, nesta edição da Aleph, nós temos acesso a uma carta enviada pelo autor em 1931. Nesta carta, Zamiatin solicita a permissão para abandonar a União Soviética, onde todas as suas publicações estavam sofrendo perseguição política.  Na época da publicação ele incomodou socialistas e foi perseguido e exilado na Rússia. E o mais triste é que seu livro foi proibido.

Também temos uma resenha incrível de Geroge Orwell sobre a obra. Apesar da complexidade, gostei da forma que o autor focou na vida pessoal do personagem. A trama é envolvente e trabalhada no aspecto humano, ao contrário de outras obras – como 1984 – que foca no governo em si.

[blockquote align=”none” author=”GEORGE ORWELL”]“ A primeira coisa que qualquer um notaria a respeito de NÓS é o fato de que Admirável Mundo Novo deve, em parte, originar-se dele. A atmosfera dos dois livros é semelhante. E, em linhas gerais, é o mesmo tipo de sociedade que está sendo descrito, embora o livro de Huxley demonstre menos consciência política.”[/blockquote]

É uma leitura que recomendo para todos os fãs do gênero! Obrigada pelo presente Aleph!

 

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