Nós – Yevgeny Zamyatin 6 307

Nós;
ISBN: 9788576573111;
Páginas: 344;
Autor: Yevgeny Zamyatin;
Editora: Aleph;
Avaliação: 
Sinopse: Nós é um romance distópico escrito entre 1920 e 1921 pelo escritor russo Yevgeny Zamyatin. A história narra as impressões de um cientista sobre o mundo em que vive, uma sociedade aparentemente perfeita mas opressora, e seus conflitos ao perceber as imperfeições dele, ao travar contato com um grupo opositor que luta contra o “Benfeitor”, regente supremo da nação. O livro só adentrou legalmente a pátria-mãe do autor em 1988, com as políticas de abertura do regime soviético, devido à censura imperante no país.

*Livro cedido em parceria com a editora.

[blockquote align=”none” author=”Nós- Yevgeny Zamyatin”]E que última revolução é essa que você quer? Não há última, as revoluções são infinitas.[/blockquote]

Eu sou apaixonada por distopias, mas preciso fazer uma confissão. Eu só tive conhecimento sobre “Nós“quando a editora Aleph divulgou o seu lançamento. O que é uma pena, né? Pois é uma história que todos os fãs do gênero deveriam conhecer, já que ela originou e inspirou vários outros trabalhos que adoro tanto como “1984“, “Admirável Mundo Novo” entre outros. Mas o que importa é que finalmente tive a oportunidade de conhecer a história em uma edição linda! A editora Aleph caprichou em todos os detalhes e a leitura foi bastante prazerosa.

Nós é narrado pelo protagonista, um matemático e engenheiro chefe de um ambicioso projeto que envolve a construção da Integral (uma espaçonave que realizará a exploração de outros planetas). Nosso protagonista não tem nome e é conhecido como D-503. Aliás nesta história ninguém é conhecido por um nome, todos são designados como números e se vestem da mesma forma (usando unif – uniformes). Enquanto D-503 trabalha no projeto futurista, ele vai nos mostrando como é a vida mil anos após a Guerra de 200 anos que na qual sobreviveu apenas dois décimos da humanidade.

Estes sobreviventes ergueram uma enorme muralha física liderada pela figura do Estado Uno, reapresentada pelo Benfeitor. D-503 estava satisfeito com a vida que levava, assim como todos os outros.  Eles não reclamavam das edificações transparentes e nem da falta de privacidade. O Estado mantém tudo sob seu controle e a falta de liberdade significava clareza e transparência. Para vocês terem ideia, eles tinham dia certo para ter relações sexuais!

[blockquote align=”left” author=”Nós – Yevgeny Zamyatin”]É claro que ser original significa ser diferente dos outros. Por consequência, ser original é o mesmo que violar a uniformidade.[/blockquote]Tudo estava indo “bem” até que D-503 conhece uma mulher – a I-330 – e começa a apresentar comportamentos “estranhos” para a situação em que vivem. Ele se apaixona por ela, todavia isso é considerado uma doença tendo em vista que a imaginação não faz parte do cotidiano dessa sociedade.  I-330 quebra todas as regras do sistema e não vê problemas nisso. Nos primeiro encontros que eles tiveram, D-503 sentia uma repulsa, porém isso acabou se tornando um desejo incontrolável e uma vontade enorme de viver fora desses dias tão iguais. Nosso amigo matemático se transforma e começa a mostrar o seu lado mais sensível.

É uma leitura que flui, pois você fica com vontade de descobrir onde isso tudo vai parar. Mas não é uma leitura fácil, demorei para conclui-la por causa da complexidade do tema e da forma que foi apresentado pelo autor. Na época, Zamiatin enfrentou grandes problemas ao narrar de forma tão negativa o posicionamento de Stalin. Inclusive, nesta edição da Aleph, nós temos acesso a uma carta enviada pelo autor em 1931. Nesta carta, Zamiatin solicita a permissão para abandonar a União Soviética, onde todas as suas publicações estavam sofrendo perseguição política.  Na época da publicação ele incomodou socialistas e foi perseguido e exilado na Rússia. E o mais triste é que seu livro foi proibido.

Também temos uma resenha incrível de Geroge Orwell sobre a obra. Apesar da complexidade, gostei da forma que o autor focou na vida pessoal do personagem. A trama é envolvente e trabalhada no aspecto humano, ao contrário de outras obras – como 1984 – que foca no governo em si.

[blockquote align=”none” author=”GEORGE ORWELL”]“ A primeira coisa que qualquer um notaria a respeito de NÓS é o fato de que Admirável Mundo Novo deve, em parte, originar-se dele. A atmosfera dos dois livros é semelhante. E, em linhas gerais, é o mesmo tipo de sociedade que está sendo descrito, embora o livro de Huxley demonstre menos consciência política.”[/blockquote]

É uma leitura que recomendo para todos os fãs do gênero! Obrigada pelo presente Aleph!

 

Comentários

Comentários

Existe uma frase que consegue me descrever perfeitamente bem: “Quando acordei hoje de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes desde então“ (Alice no País das Maravilhas). Sou uma taurina que gosta de mudanças, estranho né?! Sempre gostei de fazer parte do que não conheço e nunca tive medo de arriscar naquilo que acredito. Sou Whovian, Sherlockian, Slytherin e Nintendista. Apaixonada por fotografia, livros, roedores, toys e miniaturas.

6 Comments

  1. Achei diferente que os personagens são tratados por letras e números, acho que eu ia esquecer facilmente durante a leitura hahaha.
    Não conhecia a obra, no início da sua resenha, achei que ia ser um livro chato, mas aparentemente é bem legal. Gostei da parte onde o D-503 conhece uma mulher e muda o comportamento, me chamou a atenção em ler haha.

    Beijos
    http://orangelily.com.br

  2. Uau, essa falta de privacidade é tensa haha, quero ler esse livro, mas ainda nem li os outros que comprei depois de ler suas resenhas hahaha, estou no meio da fabrica de vespas, muito tenso também 0_0

    bjus Clay, suas resenhas são ótimas!

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