Mentiras como o amor foi um livro que me deixou angustiada. Comecei a história sem saber do que se tratava, acreditando ser um romance como qualquer outro, mas fui surpreendida com uma trama perturbadora. A mensagem passada é tão profunda que estou com dificuldades para criar essa resenha. Não conhecia a autora e este foi o meu primeiro contato com o trabalho dela, porém da forma que a história foi conduzida fiquei com vontade de ler “Corações Feridos“.

[blockquote align=”left” author=”Mentiras como o amor”]Estou escrevendo isso para que vocês saibam tudo sobre mim e sobre minha mãe, e também sobre o que é ser uma adolescente e a dificuldade que é viver assim. Deprimida. Não é todo mundo que entende. Por favor, deixem-nos mensagens para enfrentar esse momento[/blockquote]E assim iniciei a história: completamente perdida! Apesar de ler a sinopse e ter uma pequena ideia sobre o que iria encontrar pela frente, as primeira páginas não entregam o potencial do enredo.

A primeira parte do livro mostra a mudança de Audrey e sua família. Sua mãe decidiu se mudar para Granja e se afastar da cidade grande. Então Audrey e seu irmão Peter (de 5 anos) terão que se adaptar a nova vida. Não temos acesso ao passado da jovem, mas logo nas primeiras páginas sabemos que algo muito grave aconteceu. Então nós conseguimos imaginar que Audrey tem algum trauma e que isso causa algumas alucinações.

[blockquote align=”right” author=”Mentiras como o amor”]Existe um jeito, se você pensar com bastante vontade, de fazer com que elas parem de machucar. Qualquer coisa. Mas eu não devia ter medo, meu pai sempre dizia não se preocupe, assobiando e fazendo meu braço balançar quando me acompanhava até a escola tantos anos atrás, e eu erguia os olhos e ele era um herói, a coisa mais segura em todo o mundo. Não se preocupe, seja feliz, Aud, dizia ele. E eu senti um aconchego por um momento, relembrando.[/blockquote]Ela é uma adolescente sozinha e infeliz, Sua única companhia é o seu irmão e é incrível como eles são apegados. Porém como Audrey está vivendo uma “nova” fase ela terá que frequentar a escola do seu bairro e encontrará algumas pessoas desagradáveis em seu caminho. Sua vida começa a ter um pouco mais de sentido depois de conhecer Leo; Um menino rico que mora com a tia porque não aguentava mais as cobranças dos pais. Audrey se apaixona por Leo e as coisas começam a melhorar quando ela sente que também há sentimentos da parte dele.

Audrey enxerga em Leo, uma pessoa em que ela pode confiar e por conta disso começa a dar sinais de melhoras. E é a partir daí que começamos a entender que talvez ela não esteja tão doente assim. Contudo o que incomoda é saber que sua mãe a enxerga dessa forma.

Na segunda parte as coisas começam a ficar claras. E então vemos os abusos físicos e psicológicos que a jovem sofre. Ela tenta aceitar que está doente e que sua mãe é a única pessoa capaz de ficar ao seu lado, Mas algo dentro dela diz que está tudo bem e que não há necessidade de continuar com as medicações. Todavia ela continua frequentando os médicos, aumentando as dosagens e fugindo da coisa que a persegue todas as noites.

Estou com dificuldades para falar sobre a história sem soltar nenhum spoiler do mal, mas acredito que já deu para ter ideia do pesadelo que é a sua vida. Quando finalmente temos acesso ao passado de Audrey percebemos que é tarde demais e que as coisas chegaram a um ponto de não acreditar mais no amor. Nem sempre aqueles que mais nos amam são os que nos fazem bem.

Apesar de achar o início confuso, Mentiras como o amor, foi um livro que despertou vários sentimentos em mim. A autora conseguiu mostrar não só as piores partes do ser humano, mas também a importância da discussão das doenças mentais. Eu senti raiva, impotência, angústia e até pensei em desistir da leitura porque não estava acreditando no que eu estava lendo. Mas o final valeu a pena e é uma leitura que recomendo bastante.

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