Passei o feriado do ano novo em casa sem ideia do que fazer. Tentei me distrair jogando, mas logo o tédio apareceu e deixei o console de lado. Decidi ver as fotos no meu feed no instagram. Encontrei muito comida e família reunida com legendas inspiradoras e motivacionais por lá.

Fim de ano é o período ideal para refletirmos sobre nossas escolhas e planejar os próximos dias, no entanto, essa época sempre traz algo negativo pra mim. Não consigo finalizar o ano em paz, pois esse momento de reflexão surge como uma cobrança quando paro para pensar no que eu fiz de produtivo durante o ano.

Essa auto cobrança existe já faz um bom tempo. Já cheguei a comentar no blog que cresci em uma família que não sabe ficar parada, ou seja, a expressão “aproveitar o momento” tem uma reação negativa por aqui. Cresci ouvindo que mente vazia é a oficina do diabo; que quem tira o dia de folga são pessoas desocupadas e irresponsáveis. E se você parar pra analisar tem um fundo de verdade.

Não podemos simplesmente parar pra viver o presente, pois existem obrigações e responsabilidades. Temos que pensar nas contas que precisam ser pagas, calcular o dia certo para tirar as merecidas férias, escolher o momento certo para sair com os amigos. E é ai que nos damos conta de que nossas ações são feitas pensando no futuro e não no presente.

Passei anos exercendo a mesma função no mercado de trabalho. Eu não era feliz com o que eu fazia, mas eu sabia que precisava continuar naquele emprego. Teve um dia que participei de uma palestra e o “tédio” foi assunto no painel. Naquele dia eu aprendi que para continuar motivada eu não poderia ficar parada. Eu precisava me cobrar para ter progresso. E comecei a relembrar desse momento no dia do ano novo, como pode?!

Se eu pudesse voltar no tempo, pularia naquele palco e diria que nada daquilo era verdade. Passei boa parte da minha vida em uma empresa,que não me fazia bem, me cobrando. Na minha cabeça, eu só iria melhorar de vida se eu me cobrasse. Minha motivação era movida a cobrança e isso não era saudável, mas é claro que eu só aprendi isso anos depois.

A auto cobrança não fez com que eu melhorasse mais rápido. Ela não fez com que meu rendimento progredisse. Só hoje tenho noção de que eu fiz tudo o que estava ao meu alcance e a única pessoa que tirou proveito dessa situação foi minha superior (o mundo é dos espertos, né?). Depois de tantos anos eu me dei conta de que a auto cobrança me trouxe apenas tensão emocional (a mesma que eu já vivia dentro de casa).

Experimentando me cobrar menos este ano

Experimentando me cobrar menos este ano

“Se você quer uma mudança permanente, pare de focar no tamanho de seus problemas e comece a focar no seu tamanho!” – T. Harv Eker, autor

Se você acha certo se pressionar e acredita que esse é o único meio para chegar na tão sonhada estabilidade, não se engane. Motivar-se é diferente de cobrar-se. Quando estamos motivados de verdade provocamos uma energia boa. Sentimos vontade de compartilhar nossas ideias com o mundo e não nos punimos se algo der errado.

Durante todos esses anos eu deixei de dar importância para as minhas pequenas conquistas. De repente, tudo o que eu ainda não havia melhorado passou a ter mais destaque. Isso fez com que eu perdesse a noção e tivesse mais objetivos do que razões para ficar bem comigo mesma.

Se eu parei de me cobrar? Quem dera. Mas aos poucos eu vou entendendo que o que importa não é finalizar o ano com uma lista de metas cumpridas e sim com a sensação de que eu soube aproveitar os momentos da forma que deveria. Quem sabe no final desse ano, ao invés de sentir culpa eu não sinta orgulho de mim mesma? Uma coisa eu aprendi – pelo menos – não tem nada de mau tirar um dia para ficar olhando para o teto e viver o tédio. Isso se chama ócio criativo e não irresponsabilidade, querido palestrante.

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