SOBRE A HISTÓRIA

Olav é um garoto de 12 anos e possui um comportamento diferente das outras crianças de mesma idade. Sua mãe nunca conseguiu controlá-lo e ele já teve vários acessos de fúria – inclusive a machucou quando ainda era um bebê. Depois de anos, ele foi diagnosticado com DCM (Disfunção Cerebral Mínima) e o Serviço de Assistência ao Menor concluiu que sua mãe não teria condições para criá-lo; mandaram-no então para um orfanato.

Esse orfanato era conhecido por cuidar de crianças problemáticas. Crianças que passaram por algum tipo de trauma e não conseguem socializar com facilidade. Logo que chegou, Olav chamou a atenção pela sua aparência robusta e pelo comportamento agressivo que apresentava. Havia 8 crianças na casa e as tarefas eram divididas entre elas. Agnes (a diretora do local) era exigente, mas respeitada. Ela ficou responsável por cuidar diretamente de Olav e tentar mudar o seu comportamento, ou ao menos tentar.

Ela não era santa. Ela não conhecia nada mais idiota do que a cara de “Eu gosto tanto de crianças…” Crianças eram como adultos: algumas encantadoras, outras fascinantes, mas havia as desprezíveis.

Demônio ou Anjo - Anne Holt

Demônio ou Anjo – Anne Holt

A única pessoa com quem Olav se dava bem na casa era Maren, ela dividia a mesma função com Agnes. No entanto, Maren também tinha dificuldades para controlá-lo. Agnes era uma pessoa exigente e pegava pesado com a educação das crianças, porém todos a respeitavam e gostavam da forma com que ela se dedicava ao trabalho. E a chegada de Olav mudou a rotina do lar, pois ele brigava com os funcionários e agredia Agnes verbalmente; era uma constante.

E foi depois de uma discussão séria que algo terrível aconteceu. Agnes foi encontrada, em seu escritório, com uma faca cravada nas costas. Uma cena brutal e para piorar a situação, Olav, fugiu no mesmo dia do assassinato. Agora, Hanne Wilhelmsen e sua equipe terão que encontrar o menino para adquirir respostas e solucionar este mistério.

Hanne foi promovida recentemente como inspetora chefe e está tentando lidar com as novas funções. Ela está acostumada a investigar e solucionar os casos, contudo, terá que comandar a equipe do seu escritório e deixar esta responsabilidade para os funcionários. Mesmo sabendo que não deve sair para investigar, decide acompanhar o seu amigo Billy T. para encontrar respostas para esse assassinato e o desaparecimento de Olav.

O QUE ACHEI DE DEMÔNIO OU ANJO

Demônio ou Anjo - Anne Holt

Demônio ou Anjo – Anne Holt

Há algumas semanas, fiz a resenha do livro Números de Azar da autora. Quis dar sequência e emendar uma leitura na outra. Demônio ou Anjo possui um ritmo diferente das demais histórias que eu já li. Não foi difícil deduzir quem foi o culpado e acredito que isso tenha sido proposital.

O que chamou a minha atenção nessa trama, foi mais o molde com o qual ela foi construída. As descrições do orfanato e da rotina das crianças (e dos funcionários) foram muito convincentes. Apesar do lugar carregar problemas sérios, há um pouco de humor e isso fez com que a leitura ficasse mais leve.

Das poucas histórias que eu li, que tinha um orfanato como pano de fundo, os personagens e até mesmo o local foram retratados com ar de melancolia. Todavia a autora soube conduzir o ambiente e mostrar um outro lado das crianças “problemáticas” que até então ninguém conhecia.

Como o foco da história está em Olav e seu comportamento, é importante falar sobre o seu passado e entender um pouco os seus impulsos. É a mãe dele que narra a sua história, como se fosse um diário. A gravidez dela foi difícil e demorou para ela criar um laço com seu filho. Ela o ama, mas dentro das suas limitações. Apesar de deixar claro que faria tudo por ele, não consegue controlá-lo e sofre por isso.

E acho que foi por este motivo que ficou fácil deduzir o crime. A autora consegue fazer com que o leitor sinta empatia – ao menos foi o que eu senti – e por isso me decepcionei um pouco com o final. Não que ele tenha estragado a história, eu gostei. Mas como estou acostumada com o mistério e o desfecho que a autora fez com os livros anteriores, senti que poderia ter sido melhor trabalhado.

Mesmo assim gostei de ler e conhecer um pouco mais da vida pessoal da detetive Hannah. Ela mora com sua companheira Cecilie, no entanto, não quer que ninguém do seu trabalho saiba dessa relação. E por isso quero continuar acompanhando essa série e espero que a Fundamento traga mais alguma história da autora para cá.

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