Lembro que quando o livro Girlboss foi lançado a Internet ficou bem movimentada. E com razão, pois o livro não foi publicado com o intuito de ditar regras ou dizer o que você precisa para ser feliz. Girlboss veio para contar a experiência de Sophia na criação da sua atual empresa – milionáriaNasty Gal. O livro possui uma narrativa divertida e a autora não poupa os seus leitores ao compartilhar suas experiências (às vezes de forma nada simpática). Como eu me formei em finanças, quis ler o livro para conhecer a visão da empresária. O objetivo dele é mostrar que todos somos capazes de alcançar o sucesso naquilo que desejamos. Segundo a Sophia precisamos apenas de foco e trabalho duro. Concordo com ela, porém o sucesso envolve muito planejamento estratégico também.

Quando soube que a Netflix iria lançar uma série inspirada no livro fiquei animada. Afinal são vários fatores e assuntos capazes de gerar discussões e fazer com que a série vá longe, não é verdade? Mas quando cheguei no terceiro episódio me desanimei um pouco. Antes de falar sobre a personagem principal, quero elogiar o trabalho da produção e do elenco. Em cada episódio conseguimos enxergar a criatividade e a inovação, ainda mais em uma época que a Internet mostrou que veio para ficar. A trilha sonora também é maravilhosa e não podemos esquecer que temos RuPaul para tornar tudo mais perfeito.

Mas agora vou falar sobre a personagem. Sophia nunca foi uma aluna de destaque, muito pelo contrário, ela foi indicada pela professora como tendo TDA (Transtorno de déficit de atenção), além da Síndrome de Tourette, ou seja, ela era aquela aluna que não encontrava seu lugar no colégio, sabe? Nunca gostou (nem entendeu) como o sistema funciona e o seu sonho era fugir dele. Quem interpreta a Sophia é a atriz Britt Robertson e ela cumpriu muito bem o seu papel, porém a personalidade da Sophia me irritou um pouco no decorrer da trama. Na série ela não sofre as consequências dos seus atos, sabe? Não darei spoilers porque não quero estragar a sua experiência caso ainda não tenha assistido, contudo logo no inicio damos de cara com algumas ações (como furto) que passam batidas.

Outra coisa que me irritou um pouco foi o foco que deram no relacionamento dela com Shane. Achei que fugiu do objetivo principal da história e fiquei desejando que ela voltasse a dar atenção na sua gestão, sabe? Mas ainda bem que dei continuidade e não desisti no terceiro episódio como citei ali em cima. Aos poucos vamos nos identificando com Sophia e entendendo as suas motivações. Além de conhecer o seu relacionamento (problemático) com o pai e sua amiga (e que amiga, viu?). Achei a narrativa dinâmica e a produção maravilhosa, mas com a experiência que já tive como gestora preciso compartilhar duas coisas que não recomendo caso você pense em abrir seu próprio negócio.

1- Egoísmo não atraí sucesso

O comportamento de Sophia não é o mais indicado para se ter sucesso (e não digo apenas na vida profissional, viu?). Ela trata as pessoas de forma rude e egoísta e não se importa com o sentimento delas. Claro que você precisa ter pulso firme para gerir um negócio, mas não pode esquecer das pessoas que te ajudarão a chegar no topo. E teve algumas cenas que me deixaram irritada por causa disso.

2- Ética profissional é tudo

Não adianta falar de empatia só com a boca, viu? O Capitalismo existe sim e (infelizmente) vivemos dele, todavia precisamos demonstrar respeito com o coleguinha do lado. Não adianta querer passar por cima de todo mundo acreditando que é o caminho certo e que são apenas negócios. Ser transparente é uma coisa, escroto é outra completamente diferente. Aprenda a ouvir e aceitar as críticas, inclusive.

Vale a pena assistir? Sim! É possível dar boas risadas com as trapalhadas da Sophia e aprender com os erros dela. Se você leu Girlboss assista a série de mente aberta e não faça como eu fiz. Eu comecei a comparar a obra com a produção e isso fez com que eu não curtisse os episódios. Dê uma chance e encare como uma comédia (porque é o que é) e se divirta com as situações.

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