Logo que a Netflix liberou os episódios de 13 reasons why comecei a me preparar psicologicamente para assisti-los. Eu li a história anos atrás e mesmo não lembrando de todos os detalhes, lembrei de como eu me senti lendo o livro. Os 13 porquêsna época – me encontrou em um período difícil. Eu tinha terminado um namoro, tive minha relação exposta nas redes sociais e surgiram alguns amigos para me dizer que eu era a errada da história. Não quero e nem vou entrar em detalhes sobre o meu passado, mas Hannah Baker me encontrou no momento certo.

13 reasons why vai contar a história da vida de Hannah Baker (Katherine Langford) ou melhor sobre a sua morte. Ela se matou, porém antes de cometer o suicídio gravou 13 fitas revelando os motivos da sua decisão. E quem recebesse a caixa com estas fitas era um dos porquês. E é ao lado de Clay Jensen (Dylan Minnette), que vamos ouvir a sua história.

Clay Jensen estudava na mesma escola que Hannah (e eles também trabalhavam juntos). Eles eram amigos, na verdade rolava mais do que uma amizade entre eles, só que nenhum dos dois tomara iniciativa para expressar seus sentimentos. Clay se tornou um dos motivos que fez com que Hannah tirasse sua própria vida, todavia antes dele ouvir sua versão nas fitas teve que conhecer os outros porquês.

Eu acredito que você já tenha assistido a série (ou até mesmo lido o livro), todavia não quero estragar a experiência de quem ainda não viu e soltar algum spoiler do mal. O que posso dizer é que se trata de uma série pesada e não estou falando das cenas, pois mesmo a série sendo recomendada para maiores de 16 anos, os produtores tiveram todo o cuidado ao apresentá-las aos expectadores. Mas é pesada por se tratar de um assunto real e presente: Bullying. Claro que no decorrer da trama vamos conhecendo outros motivos sérios como a falta de empatia, a misoginia e a violência sexual.

Provavelmente você já deve ter notado a insistência do assunto na mídia. Cada vez mais vemos campanhas sobre a conscientização em relação à depressão e outras doenças psicológicas e isso é muito bom mesmo sabendo que estamos longe de resolver o problema. Essas discussões auxiliam e mostram que não é “frescura” e que temos que prestar atenção tentando identificar os sinais com a ajuda dos profissionais. E a personagem Hannah Baker (ao gravar as fitas) mostra os motivos que contribuíram para o seu desmoronamento.

Mas teve algo que me incomodou um pouco (na verdade bastante) e que preciso desabafar com vocês. O objetivo da série é extremamente relevante, afinal é um assunto que precisa ser discutido sempre, porém quando li a história há alguns anos atrás –apesar de terminar abalada– eu senti empatia, sabe? A preocupação do autor em mostrar a importância de interagirmos e estarmos presentes, mas na série eu não consegui me sentir assim. Quando vi o personagem Clay pausando as fitas diversas vezes, eu enxergava sua dor, o sentimento de culpa e a vontade que ele teve de tirar a própria vida antes de chegar ao final dos relatos da Hannah. O que quero dizer é que as pessoas que praticam bullying precisam ser penalizadas, contudo não devem ser destruídas também, sabe? E assistindo os episódios eu senti que o objetivo era culpabilizar e não conscientizar.

Mesmo assim eu acho que é uma série que merece ser assistida e apresentada para várias pessoas. Se você que está lendo esta publicação sofre de depressão e pretende assisti-la, peça a sugestão do profissional que te acompanha antes. A série realmente me deixou abalada e fez com que eu me sentisse na pele da personagem, por isso, verifique se é uma boa você “vivenciar” essas cenas, ok?

Assista ao trailer

 

E a minha opinião sobre a série (sem spoilers)

 

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