Crítica: 13 Reasons Why (1ª temporada) 19

Logo que a Netflix liberou os episódios de 13 reasons why comecei a me preparar psicologicamente para assisti-los. Eu li a história anos atrás e mesmo não lembrando de todos os detalhes, lembrei de como eu me senti lendo o livro. Os 13 porquêsna época – me encontrou em um período difícil. Eu tinha terminado um namoro, tive minha relação exposta nas redes sociais e surgiram alguns amigos para me dizer que eu era a errada da história. Não quero e nem vou entrar em detalhes sobre o meu passado, mas Hannah Baker me encontrou no momento certo.

13 reasons why vai contar a história da vida de Hannah Baker (Katherine Langford) ou melhor sobre a sua morte. Ela se matou, porém antes de cometer o suicídio gravou 13 fitas revelando os motivos da sua decisão. E quem recebesse a caixa com estas fitas era um dos porquês. E é ao lado de Clay Jensen (Dylan Minnette), que vamos ouvir a sua história.

Clay Jensen estudava na mesma escola que Hannah (e eles também trabalhavam juntos). Eles eram amigos, na verdade rolava mais do que uma amizade entre eles, só que nenhum dos dois tomara iniciativa para expressar seus sentimentos. Clay se tornou um dos motivos que fez com que Hannah tirasse sua própria vida, todavia antes dele ouvir sua versão nas fitas teve que conhecer os outros porquês.

Eu acredito que você já tenha assistido a série (ou até mesmo lido o livro), todavia não quero estragar a experiência de quem ainda não viu e soltar algum spoiler do mal. O que posso dizer é que se trata de uma série pesada e não estou falando das cenas, pois mesmo a série sendo recomendada para maiores de 16 anos, os produtores tiveram todo o cuidado ao apresentá-las aos expectadores. Mas é pesada por se tratar de um assunto real e presente: Bullying. Claro que no decorrer da trama vamos conhecendo outros motivos sérios como a falta de empatia, a misoginia e a violência sexual.

Provavelmente você já deve ter notado a insistência do assunto na mídia. Cada vez mais vemos campanhas sobre a conscientização em relação à depressão e outras doenças psicológicas e isso é muito bom mesmo sabendo que estamos longe de resolver o problema. Essas discussões auxiliam e mostram que não é “frescura” e que temos que prestar atenção tentando identificar os sinais com a ajuda dos profissionais. E a personagem Hannah Baker (ao gravar as fitas) mostra os motivos que contribuíram para o seu desmoronamento.

Mas teve algo que me incomodou um pouco (na verdade bastante) e que preciso desabafar com vocês. O objetivo da série é extremamente relevante, afinal é um assunto que precisa ser discutido sempre, porém quando li a história há alguns anos atrás –apesar de terminar abalada– eu senti empatia, sabe? A preocupação do autor em mostrar a importância de interagirmos e estarmos presentes, mas na série eu não consegui me sentir assim. Quando vi o personagem Clay pausando as fitas diversas vezes, eu enxergava sua dor, o sentimento de culpa e a vontade que ele teve de tirar a própria vida antes de chegar ao final dos relatos da Hannah. O que quero dizer é que as pessoas que praticam bullying precisam ser penalizadas, contudo não devem ser destruídas também, sabe? E assistindo os episódios eu senti que o objetivo era culpabilizar e não conscientizar.

Mesmo assim eu acho que é uma série que merece ser assistida e apresentada para várias pessoas. Se você que está lendo esta publicação sofre de depressão e pretende assisti-la, peça a sugestão do profissional que te acompanha antes. A série realmente me deixou abalada e fez com que eu me sentisse na pele da personagem, por isso, verifique se é uma boa você “vivenciar” essas cenas, ok?

Assista ao trailer

 

E a minha opinião sobre a série (sem spoilers)

 

Comentários

Comentários

Existe uma frase que consegue me descrever perfeitamente bem: “Quando acordei hoje de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes desde então“ (Alice no País das Maravilhas). Sou uma taurina que gosta de mudanças, estranho né?! Sempre gostei de fazer parte do que não conheço e nunca tive medo de arriscar naquilo que acredito. Sou Whovian, Sherlockian, Slytherin e Nintendista. Apaixonada por fotografia, livros, roedores, toys e miniaturas.

19 Comments

  1. Eu não li ainda porque não tinha me interessado, depois de ver a série fiquei super curiosa com o livro, então decidi ler para comparar. Eu achei a série foi bem pesada, um verdadeiro tapa na nossa cara, me levou a refletir sobre muitas coisas que aconteceram comigo, coisas que a gente vê acontecer e não faz nada a respeito e etc., mais ainda me levou a refletir sobre a falta de responsabilidade das pessoas para com o outro sabe? A série trouxe os 13 porquês, focou em cada um deles e mostrou que as vezes mesmo as pessoas mais confiantes e que estão sempre bem passam por problemas e que isso tudo é um efeito bola de neve… O que acontece na realidade né. Mesmo assim eu achei a série muito fria, não pareceu acolher a gente, foi jogando tudo na mesa e a gente acaba ficando na posição do “julgador”, cada motivo e pessoa envolvida era um dedo apontado pra “mais ele fez isso… Clay tem que se vingar”, e olha o problema aaaaaaai né gente hahahahaha, se vingaaaar?????? haha, em geral em gostei, acho que cumpriu o papel informativo!

    Adorei a crítica Clayci! Obrigada maaaster por esse vídeo! Arrasou :3

  2. Eu não senti que eles queriam destruir quem fez o bullying. Na verdade a Hanna tinha a raiva, mas a série mostra como essas pessoas tem váaarios problemas também. Mas sim. Pesado.

    Vi o vídeo, força sempre Clay (eitha CLAY =O ahauuaha).

  3. Meninaaa, você escreve muito bem! Resumiu a história de uma maneira que faz a gente querer ler mais. Não deu spoiler e ainda deu sua opinão. Concordo com o que você falou, parece que a série ficou tentando culpabilizar e não conscientizar sobre o bullying, que é um assunto que deve ser abordado e não apenas frescura como muitos dizem. Li o livro há um ano atrás e até cheguei a fazer uma resenha sobre ele no Blog. Agora estou finalizando a série, ficou feliz em ver que esse assunto tem sido abordado com cada vez mais frequencia, muitos jovens sofrem com bullying e depressão.
    Vou te acompanhar aqui no Blog, amei ! <3
    Beijos,
    #fiquerosa

    Fique Rosa | Meu Canal YT

  4. Quando a Netflix lançou a série eu quis logo assistir e fiquei numa agonia, mas não consegui assistir os episódios seguidos. Foi um baque na minha vida! No primeiro momento eu fiquei bem assustada, pq é tão real. Mas quando percebi que o objetivo era culpabilizar fiquei ainda mais assustada. Comecei escrever uma resenhar e listar os motivos para ver a série, mas acabei desistindo. Talvez eu devesse listar os motivos para não ver também! Ainda não li o livro, mas adicionei na minha lista de desejos.

  5. Talvez a maneira que culpabilize tanto os que fizeram algum mal a Hannah nos faça refletir e pensar duas vezes antes de zoar com alguém ~mesmo que seja algo bobo (ao nosso ver). Mas ainda não posso expor minha opinião por completa, pois não terminei de assistir! De qualquer forma, adorei sua resenha real e sincera.

    Um beijo

    1. Eu até cheguei a pensar por essa forma, sabe? Mas não adianta! Pela série eu senti mesmo que ela estava querendo se vingar (mesmo que ela tenha todos os motivos do mundo pra isso) e no livro não foi essa sensação. =/ <3
      Beijos Ste <3

  6. Babe, não tenho a menor vontade de assistir essa série, porque o tema não me atrai, mas ao mesmo tempo eu fico muito feliz com os “benefícios” que o seriado trouxe, chamando a atenção para problemas como o desafio da Baleia Azul, bullying, suicídio, depressão, enfim. Eu espero que esse ruído seja permanente, pois muitos adolescentes precisam disso.

    Beijos, Clay <3

  7. Eu assisti a temporada inteira, em dois dias. Falo isso porque não é costume meu fazer esse tipo de coisa, geralmente enrolo bastante, mas eu estava tão desanimada pra fazer qualquer coisa que acabei “indo ver a série que todo mundo estava falando”. Erro meu… eu me senti pior sabe? Não vou culpar a série por meu mau estar e a intensificação da minha crise, mas é como você falou, acho que não é bom assistir se estiver passando por um momento delicado… :/

    1. Fiquei admirada por vc ter conseguido assistir tudo em dois dias =/
      Espero que isso não tenha te afetado muito e que vc esteja bem. Se precisar me chama pra gente conversar <3

  8. Bom, a gente já conversou sobre isso, né? Eu realmente achei que essa série foi muito gatilho pra mim, e fiquei preocupada com os meus amigos mais sensíveis assistindo.
    Apesar de ser um tema muito pertinente, também identifiquei algumas coisas mais problemáticas no roteiro. :c

    Beijos

  9. Hey Clay!!
    Fiquei esperando a sua resenha aqui e já tinha uma certeza: só aumentaria a minha vontade de ver a serie.

    Faz tempo que quero ler esse livro, mas não o encontro com um preço camaradinha, sempre hiper salgado! E fui me afastando da leitura. Mas quando vi que viraria série… meu coração palpitou.

    Esses assuntos devem ser abordados sim. Talvez não abordem na integra, na sensibilidade que precisam, mas sinto que certos assuntos devem e podem ser tratados sim.

    Parabens pela resenha!

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